Negócios

Milton Bigucci completa seis décadas de mercado imobiliário


Em live comemorativa, o empresário, presidente da MBigucci, destacou a importância de se preservar entidades para fazer frente à burocracia excessiva que encarece produtos e prejudica o setor


  Por Mariana Missiaggia 21 de Maio de 2021 às 12:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Em comemoração aos 60 anos de Milton Bigucci na construção civil, o empresário, construtor e presidente da MBigucci reuniu importantes nomes do empresariado em uma live na noite da última quarta-feira (19/5). 

No ano em que completará 80 anos de idade, Milton diz manter uma rotina de trabalho tão intensa quanto a de quando iniciou sua trajetória no setor de construção, em 19 de maio de 1961, há 60 anos.

Ao lado dos filhos e de outros membros da família, o empresário fundou sua própria empresa familiar, a construtora MBigucci, em 7 de outubro de 1983. Com sede em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Milton divide a gestão empresarial do negócio com seus quatro filhos: Roberta, Milton Jr., Marcos e Marcelo, além do sobrinho Robson Toneto.

Recentemente, a terceira geração também já iniciou na empresa - os netos, Felipe, de 21 anos, Matheus, de 17 anos, e Bruno, 16 anos, têm como missão perpetuar uma das maiores construtoras do ABC Paulista e do Brasil, de acordo com os rankings do setor. São 414 empreendimentos, mais de 10 mil unidades entregues e mais de 1 milhão de metros quadrados de área construída.

TRAJETÓRIA

Em um bate-papo mediado por sua filha Roberta Bigucci, diretora da construtora, Milton foi entrevistado por nomes importantes relacionadas ao setor: Paulo Serra, do Consórcio Intermunicipal ABC e prefeito de Santo André, Milton Bigucci Junior, da Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC (ACIGABC), Basilio Jafet, do Secovi-SP, Alfredo Cotait Neto, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP), Odair Senra, do Sinduscon-SP, José Augusto Viana Neto, do CRECI-SP e Guilherme Afif Domingos, assessor especial do Ministério da Economia.

Durante o evento, transmitido pelo Youtube, Milton recordou fases de sua carreira. Contou que no início, investia tudo o que ganhava trabalhando em outra construtora em terrenos até que, finalmente, partiu para o seu primeiro empreendimento, em 1983.

Tratava-se da construção do Edifício Gláucia, na Vila Liviero, em São Paulo, próximo à Via Anchieta. "Era um prédio pequeno sem elevador com 16 apartamentos, que vendi para quatro amigos meus"

Milton recorda que a obra se deu em um período econômico difícil, quando houve o congelamento de preços do governo Sarney. Como o plano econômico fracassou e teve grande aumento nos preços, a obra lhe causou grande prejuízo.

Mesmo assim, recorda ter honrado o contrato e entregue o imóvel dentro do prazo - uma experiência negativa, porém importante para o crescimento da MBigucci, relembra o construtor.

Como tudo começouNascido no bairro do Ipiranga, em São Paulo, Milton é filho de um carpinteiro e uma costureira, e teve seu primeiro trabalho aos 9 anos, em um consultório dentário - experiência que durou apenas 30 dias, e pela qual ele nunca recebeu o salário. Dalí surgiu seu primeiro aprendizado profissional, recorda o construtor.

“Quando cheguei para receber meu primeiro salário, eles haviam se mudado durante a noite. Foi uma decepção, voltei sem dinheiro, mas muito mais esperto com o calote”, diz.

Depois, trabalhou como balconista em uma loja de ferragens e no Recursos Humanos de uma indústria têxtil na região do Ipiranga. Passou também pelo almoxarifado em uma ferramentaria em São Bernardo, e na sequência teve sua primeira oportunidade no setor de construção civil, na extinta Construtora Itapuã, como auxiliar de contabilidade, em 1961.

Dois anos mais tarde, Milton passou a atuar como diretor financeiro da Mercedes-Benz até montar a sua própria empresa. Um escritório no Rudge Ramos, em São Bernardo, e que resultou na MBigucci e mais de 400 empreendimentos entregues.

Campi - Em meio a tantos empreendimentos, Milton afirma que uma das obras que mais lhe dá orgulho não foi erguida com tijolos, mas sim como um projeto social - o CAMPI (Círculo de Amigos do Menor Patrulheiro do Ipiranga), em São Paulo.

Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que dá oportunidades para os jovens que têm interesse em aprender e ter um futuro estável, oferecendo cursos de capacitação profissional e os preparando para o mercado de trabalho.

A fundação do CAMPI também foi citada por Afif, que recordou a atuação do empresário como superintendente da ACSP-Distrital Ipiranga. Milton destaca que cerca de 11 mil jovens carentes já foram atendidos pelo projeto, colocando-os como estagiário nas empresas do bairro, sem qualquer custo.

Afif recorda que na época, ficou instituída a proibição de todo e qualquer trabalho para menores de 14 anos, com exceção ao pequeno aprendiz, que teria início a partir dos 12 anos. No entanto, Milton e o assessor do Ministério da Economia, lamentam que hoje, a regulamentação determine que as contratações de aprendizes sejam a partir dos 16 anos. 

Afif destacou a importância do projeto CAMPI e sua relevância, sobretudo num momento de pandemia em que muitos jovens deixaram a escola e em que haverá diminuição de vagas para o primeiro emprego.

Burocracia e entidades - Sobre sua atuação junto a entidades, Milton destaca que é conselheiro vitalício da Associação Comercial de São Paulo e foi superintendente da Distrital Ipiranga.

Nas palavras do construtor, esse é um dos legados que ele deseja construir em sua empresa familiar - a importância de estar sempre contribuindo para o crescimento do setor e de pessoas por meio de participações ativas em associações.

É justamente através desse relacionamento que Milton busca ressaltar a persistente burocracia nos órgãos públicos e acredita no poder das entidades para apontar falhas e possíveis melhorias.

"Há muitas opções. O que não se pode permitir mais é o aumento dos privilégios públicos, aumento da carga fiscal e a burocratização excessiva para quem quer produzir e gerar mais empregos", diz. "Por essa razão acredito nas entidades como um contraponto ao poder público".

Na opinião do construtor, as empresas que aumentam os empregos deveriam receber estímulos tributários tomando como exemplo prefeituras, que dão redução de impostos ou isenção quando as empresas contribuem para o desenvolvimento local.

Na ocasião, Cotait, presidente da ACSP, exaltou a participação de Milton em entidades e de conquistas que foram estabelecidas por meio do conhecimento e experiência do construtor. 

Cotait destaca que o setor imobiliário foi um dos mais atingidos pela crise econômica. E acredita que agora, o setor lida com os efeitos da pandemia de maneira mais branda. Citou a questão dos distratos, que pela nova lei traz elementos que trazem segurança às construtoras e ânimo para retomar os empreendimentos, além de gerar empregos em vários segmentos ligados ao setor.

Antes da lei, os compradores que desistiam da compra recebiam de volta entre 80% e 90% do valor pago, pois recorriam à Justiça, agora a devolução é de 50%.

O presidente da ACSP atribui conquistas como essa ao empenho de nomes como o de Milton Bigucci e a força das entidades ligadas ao setor.

"É uma história de vida (de Milton Bigucci) que vale ser comemorada e exaltada", diz.

 

IMAGEM: divulgação





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