Negócios

Mesmo com restrições, comércio embarca na Sampa Week


Com fase vermelha aos fins de semana e 'toque de recolher', lojistas como Maria Lúcia Sanches, da Lynna Pijamas (acima), abraçam ação promocional para aquecer vendas e conseguir algum fôlego


  Por Karina Lignelli 29 de Janeiro de 2021 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Na última sexta-feira (22/01), o governo de São Paulo adotou uma nova estratégia para o Plano São Paulo e dificultou ainda mais o funcionamento do comércio devido ao avanço da pandemia.

Era véspera da Sampa Week 2021, semana de descontos e oportunidades idealizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), realizada entre os dias 23 e 31 de janeiro em comemoração ao aniversário de 467 anos da capital paulista.   

LEIA MAIS:  Para diminuir prejuízo dos lojistas, ACSP prorroga Sampa Week

Mesmo preocupadas com a evolução dos casos de covid-19, a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a ACSP manifestaram posição contrária à adoção de novas medidas restritivas, por considerarem dramática a situação enfrentada pelo setor. 

E principalmente, pelas empresas "terem adotado as medidas sanitárias necessárias para assegurar, para colaboradores e consumidores, a segurança em seus estabelecimentos", diz nota oficial das entidades.

Ainda que as medidas restritivas imponham 'toque de recolher' das 20h às 6h e fase vermelha aos sábados e domingos até 7 de fevereiro, grandes, médios e pequenos lojistas literalmente abraçaram a Sampa Week para tentar um respiro num dos meses mais fracos em vendas para o varejo.  

Veja a seguir como o pequeno comércio paulistano tem driblado as dificuldades e se preparado para aproveitar ao máximo a semana promocional:  

RESPIRO PARA O VAREJO

Presença garantida na Sampa Week, a Dejelone, loja de moda casual masculina e feminina do Brás, começou janeiro divulgando seus 'descontos de atacado para quem compra no varejo' via blogueiras e influencers.

PIMENTA (AO CENTRO) E A EQUIPE DA DEJELONE: APESAR DAS
RESTRIÇÕES, SEMANA TEM TUDO PARA DAR CERTO

Com o crescimento da campanha, inclusão no calendário oficial de eventos da cidade de São Paulo e adesão ainda maior de grandes varejistas, a data se tornou uma espécie de 'balão de oxigênio' para dar um respiro para o comércio no início do ano. Principalmente agora, em meio à pandemia, segundo Lauro Pimenta, proprietário da Dejelone. 

Mas as restrições impostas pelo governo, em especial o fechamento aos sábados, 'o melhor dia para vendas', segundo o lojista, mais o desencontro de informações para o público, achataram as expectativas.

"Muita gente não veio para o Brás pois estavam com dúvidas sobre a abertura ou não das lojas. Tudo isso afeta a previsibilidade que o comerciante precisa para chegar ao consumidor nesse momento."


 

Com alta de 5% nas vendas na Sampa Week de 2020, a marca não deve atingir o mesmo patamar agora, diz Pimenta. "Tenho dúvidas se a decisão do governo foi correta: por que o comércio formalizado está restrito, se o irregular funciona normalmente?", questiona.  

Para o comerciante, a data tem tudo para dar certo, já que São Paulo é a única cidade do Brasil cujo aniversário tem um apelo muito grande. "Com o tempo, o consumidor vai achar mais vantajoso vir ou ficar na cidade no seu aniversário, e a Sampa Week se tornará uma data comercial cada vez mais positiva."

FÉ EM DEUS... E NA AÇÃO PROMOCIONAL

Assim como Pimenta, da Dejelone, a proibição de trabalhar aos sábados é uma das principais queixas da lojista Sérgia Meire Valenta, proprietária, junto com o marido Alexandre, da loja de calçados Território da Moda, na Silva Bueno, uma das principais ruas de comércio do bairro do Ipiranga (Zona Sul da capital paulista). 


 
LÚCIA, DA ZARIF: CAMPANHA TEM DE CONTINUAR FORTE MESMO NA CRISE

Participante da Sampa Week 2020, quando o resultado da loja empatou com 2019, Meire diz que o movimento, que caiu mais de 40% na pandemia e continou baixo, ficou ainda menor com a decisão do governo bem agora.

Mesmo assim, em busca de um up nas vendas, a loja embarcou de novo na semana, divulgando promoções e descontos de 50% inclusive nas redes sociais. Para ela, mesmo num cenário que 'não ajuda', campanhas como a Sampa Week são bem-vindas. "É continuar a trabalhar e ter fé, pois só ela para o lojista não desistir."  

CRIATIVIDADE É TUDO

Descontos para aniversariantes, para quem faz o combo barba-e-cabelo, para quem leva um amigo, e até corte grátis para quem completa o cartão de fidelidade. As estratégias que ajudaram a manter a clientela em 2020 foram reforçadas para a Sampa Week pela Barbearia Uruguay Brasil, que também fica no Ipiranga. 

O salão de Achteor Quintana, do qual é sócio com a mulher, Geiciane, faz parte de um dos setores mais impactados pelas medidas restritivas, pelo medo de contágio dos clientes. Decidiram então participar pela primeira vez da semana na expectativa de alavancar os negócios, apesar do novo endurecimento das regras.  

O barbeiro diz que tem cumprindo os protocolos sanitários e atende só com hora marcada. "Reconheço que está devagar não só para nós, mas para outros comerciantes que conheço. Daí as promoções (como a Sampa Week) para sobreviver: mesmo com as restrições, são de grande importância para o comércio se recuperar."

DE OLHO NAS PRÓXIMAS 

O BARBEIRO QUINTANA: ESTRATÉGIA REFORÇADA

Proprietária da Zarif Tapetes, em Pinheiros (Zona Oeste), Lúcia Hamaguchi é participante ativa da Sampa Week: tanto por incentivar os lojistas vizinhos da rua Fradique Coutinho e imediações a se engajarem na ação, como por se preparar e investir em produtos exclusivos na semana para seus clientes se sentirem prestigiados. 


 

Porém, os 'ganhos bacanas' da edição 2020 dificilmente devem se repetir, segundo ela, já que as restrições em 2021 impediram que o comércio e os consumidores aproveitassem melhor a campanha. Mesmo oferecendo descontos de 30% a 40% em peças selecionadas, e opção de entregar compras à distância em domicílio. 

"O bom da Sampa Week são os shows, os eventos, a gastronomia e tudo o que a cidade tem para oferecer, junto com os colegas lojistas trabalhando para contribuir com promoções e ofertas. Mas tudo foi cortado."

Otimista, Lúcia acredita que, mesmo assim, a edição 2021 será positiva: afinal, além de todos saberem lidar melhor com a doença, a vacina está aí, afirma. Mas já está pensando nas próximas. "O importante é a Sampa Week se manter forte, para a adesão de lojistas aumentar e o consumidor participar cada vez mais."  

UMA DICA PARA 2022

O resultado da Sampa Week 2020, de alta de 20% nas vendas, animou Maria Lúcia Sanches, da Lynna Pijamas, em Pinheiros, a participar de novo nesta segunda edição. Assim como a vizinha Lúcia, da Zarif, se empenhou na ação, e está oferecendo descontos de até 80% em peças como lingeries e short dolls. 


 
DETALHE DA VITRINE DA TERRITÓRIO DA MODA, NO IPIRANGA

Porém, essa edição deve ser diferente, e com impacto nem tão positivo: mesmo passando quase incólume à quarentena, a comerciante é crítica do endurecimento das regras em plena semana promocional de um mês fraco em vendas. E também, pelo fechamento aos sábados, o dia mais aquecido para o comércio.    

Para ela, falta planejamento. "Tomamos todos os cuidados, mas do jeito que o governo faz, fica todo mundo apavorado. Não tem necessidade de fechar tudo. Diferente de algumas ruas de comércio, muitas como a nossa nem têm fluxo de pessoas o dia todo, é mais gente indo e voltando do Metrô", explica.

Mas Maria Lúcia está esperançosa para com a Sampa Week: afinal, promoção é sempre bom e aquece as vendas. Porém, ela acha que os lojistas pode ser mais participativos nas próximas edições, investindo mais em divulgação e se unindo aos vizinhos para ampliar o alcance. "O efeito positivo será muito maior", acredita. 

FOTOS: Divulgação e Arquivo pessoal





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