Negócios

Mercados invadem condomínios no formato de conveniência


Com a pandemia, nomes como Hirota e Swift se adaptaram para atender clientes menos dispostos a sair de casa para fazer compras. Lojas instaladas dentro de condomínios funcionam como a despensa dos moradores


  Por Mariana Missiaggia 16 de Julho de 2020 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Menos dispostos a se expor na hora de fazer compras, os consumidores têm buscado alternativas para evitar ambientes públicos. Na tentativa de driblar o contato humano, houve crescimento no comércio eletrônico, maior preferência por serviços e pagamentos sem contato e por pequenas lojas locais em detrimento de grandes varejistas.

Por essa razão, alguns negócios, especialmente os que vendem alimentos e produtos para uso diário, já catalisam algumas mudanças. Com a proposta de levar seu estoque para dentro da casa da população, a Swift e o supermercado Hirota têm explorado práticas da chamada Low Touch Economy – na tradução para o português, economia de baixo contato. Ou seja, um novo comportamento definido pela pouca ou nenhuma interação entre cliente e vendedor – explorando a autonomia do consumidor em ambientes intuitivos e acessíveis.

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Com espaços de 15 e 30 metros quadrados, o Hirota Express Em Casa é uma loja container instalada dentro de condomínios sem nenhum tipo de contato humano. Entre alimentos e artigos de higiene e limpeza são aproximadamente 500 itens dispostos numa espécie de despensa. O formato deve render R$ 500 milhões em vendas para a rede até o fim deste ano. A meta da companhia é chegar a 100 lojas até o final de 2021, sendo que 40 já estão sendo negociadas para este ano.

A Swift tem feito algo semelhante sobre rodas. Onze caminhões foram transformados em lojas itinerantes da marca levando toda a variedade de produtos em congeladores. As lojas móveis ficam estacionadas e operam como um verdadeiro açougue de congelados na porta dos condomínios residenciais. Nessa proposta, os deslocamentos são eliminados e o contato humano fica restrito ao pagamento, eliminando outras etapas da compra de uma loja convencional.

Assim como outros lugares do mundo, São Paulo já vivia essa realidade com o supermercado Zaitt, em Moema. Inaugurado em 2018, o mini-mercado funciona 24 horas e não tem nenhum atendente. Câmeras com sensores monitoram cada ação e reconhecem quem está no mercado em tempo real.

São Carlos, no interior de São Paulo, também já trabalha seu modelo de loja autônoma dentro de condomínios residenciais desde dezembro do ano passado. Para comprar na Onii, uma pequena loja de conveniência, só é preciso ter um aplicativo instalado no celular – daí em diante, é possível entrar no espaço e comprar os produtos desejados — sem precisar interagir com ninguém.

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A primeira loja foi inaugurada dentro de um condomínio com 240 casas. Na primeira semana de uso, 200 moradores já haviam feito download do aplicativo. O faturamento do primeiro mês foi de R$ 15 mil. No começo de março, a empresa fechou 80 contratos em regime emergencial para a instalação de lojas similares por todo o estado.

A experiência da administradora de condomínios Cipa indica que cada vez mais os conjuntos residenciais buscarão se adaptar a esta nova realidade imposta pela crise do novo coronavírus. O síndico profissional Bruno Gouveia acredita no crescimento do interesse por facilidades, como, por exemplo, a lavanderia compartilhada da Omo, que conta com agendamento da lavagem e pagamento por aplicativo.

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A administradora já trabalha alternativas que se adaptam bem a essa nova realidade e passou a oferecer um novo produto, chamado de combo Bem Estar, que possibilita a instalação de minimercado nas dependências dos condomínios, armários para pedidos do Ifood, lavanderia, totem de higienização, máquina de café e snacks e até barbearia. A ideia é reduzir ou eliminar o contato direto com entregadores e reduzir a circulação de terceiros nos condomínios.

Para o economista e presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), Claudio Felisoni de Angelo, a quarentena desperta um potencial de compra que antes caminhava a passos lentos. "A tendência é que as pessoas busquem opções mais seguras e práticas para pagarem pelo que consomem, e diversas empresas já disponibilizam soluções sem contato. Seria inevitável não ver uma aceleração neste processo como reflexo da pandemia".

Fica claro que diante de uma realidade global de pandemia, os consumidores podem adquirir uma atitude mais distanciada em relação às interações tradicionais. A operadora Cielo, por exemplo, registrou uma adesão sete vezes maior no uso de links de pagamento durante a quarentena em comparação ao período de pré-isolamento. O sistema permite que os consumidores paguem suas compras via link enviado pelo vendedor, no débito ou crédito.

As tecnologias contactless (sem contato) ou NFC (near field communication), que evitam o contato do consumidor com as maquininhas de cartão, também cresceram. Segundo a Mastercard, o número de transações nesta modalidade foi quatro vezes maior em março, quando comparado ao ano passado. 

IMAGEM: Divulgação





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