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Mercadão sem crise: consumidores formam filas nas bancas de peixes


Na véspera da sexta-feira da Paixão, comerciantes do Mercado Municipal comemoravam o aumento de 20% nas vendas em relação ao ano passado


  Por Wladimir Miranda 14 de Abril de 2017 às 07:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


Não era só a área de alimentação do Mercado Municipal, na região central, que apresentava um movimento acima do normal na véspera da sexta-feira da Paixão. Consumidores faziam filas em busca de peixe e bacalhau.

Cícero Gomes, gerente comercial do Ki-Peixe, um dos estabelecimentos mais procurados do mercado, comemorava o aumento das vendas.

“As vendas aumentaram 20% em relação ao ano passado”, afirmou.

O gasto médio por pessoa na barraca do Cícero foi de R$ 50,00. O gerente da Ki-Peixe ressalta, porém, que há consumidores que gastam muito mais do que R$ 50,00.

Ele conta que costuma atender uma clientela que vem de regiões nobres de São Paulo, dos Jardins e Alphaville, por exemplo, que chegam a consumir até R$ 15 mil em produtos para abastecer a casa em épocas especiais, como a Semana Santa.

“Esses clientes nem se dão ao trabalho de se deslocarem até aqui. Eles ligam no meu telefone, ou mandam mensagens pelo WhatsApp. E aí recebem a encomenda em casa. São meus clientes especiais. E posso garantir que não são poucos”, diz ele.

Falante, Cícero, de 34 anos, diz que o brasileiro é muito tradicional na hora de comprar peixes, seja para a Semana Santa, ou para qualquer outra ocasião. Ele disse que o cliente, principalmente o paulistano, chega à sua banca e já vai logo pedindo cação, pescado, corvina ou camarão.

“Muita gente não sabe que existe o Parati, muito saboroso. É um peixe que pode ser cozido, fritado ou assado. E, o mais importante: o quilo do Parati custa só R$ 9,90”, lembra Cícero.

Cícero Gomes festeja ótimo movimento na barraca Ki-Peixe

Uma diferença considerável em relação ao quilo do filé de cação que, no Ki-Peixe, custa R$ 60,00. Um quilo de camarão, R$ 58,00.

MUNDO DO BACALHAU

Fábio Mendonça, dono da barraca Mundo do Bacalhau, também festejava o aumento de 20% neste ano em relação a 2016.

Lá, o gasto médio por consumidor chegava a R$ 200,00. O quilo do bacalhau desfiado: R$ 28,00. A procura também era enorme, com a formação de filas em alguns momentos.

Na barraca Imperador do Bacalhau, o tíquete médio atingia os R$ 150,00. Quem estava atrás de preço baixo, podia comprar um quilo de Polaca salgada, uma espécie de bacalhau genérico, ao preço de R$ 28,00 o quilo.

“A Polaca salgada não é bacalhau. E isto é avisado ao cliente na hora da compra”, disse Reinaldo Rogério, gerente da Imperador do Bacalhau.

CASA GODINHO

Quem fugiu da região do Mercado Municipal e preferiu comprar bacalhau na tradicional Casa Godinho, na Rua Líbero Badaró, no chamado Centro Novo, correu o risco de não encontrar mais o produto.

Miguel Romano, de 58 anos, atual dono do estabelecimento, inaugurado em 1888, e declarado patrimônio cultural da cidade em 2013, atribui à recente crise da carne – provocada pela Operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal -, o aumento da procura pelo bacalhau neste ano.

“Não tenho dúvidas de que muita gente está evitando comer carne. Eu já havia percebido isso antes do início da Semana Santa. A crise da carne contribuiu e muito para o aumento do consumo de bacalhau”, disse ele.

Miguel Romano atribui o aumento da procura à crise da carne.

Havia poucas peças do produto na Casa Godinho. Miguel lembrou que o bacalhau é um chamariz para vender vinhos, azeitonas, azeites e chocolates. O quilo do bacalhau desfiado na Casa Godinho custa R$ 46,80. O bacalhau longo, R$ 136,00.

FOTOS: WLADIMIR MIRANDA