Negócios

Maquininha de cartão responde por 18% dos custos do comércio


Dados do Banco Central mostram que nos últimos seis anos as despesas com esse equipamento aumentaram 65%


  Por Estadão Conteúdo 06 de Julho de 2016 às 21:01

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Banco Central informou que desde 2010 as despesas com aluguel de maquininhas de cartão (POS) e com conectividade aumentaram 65%, atingindo 18% do custo médio dos estabelecimentos comerciais ao aceitar cartão.

Em contrapartida, a média da taxa de desconto nas compras com cartão de crédito caiu de 2,95% para 2,75% e a com cartão de débito, de 1,58% para 1,51%. A informação consta do Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro 2015.

Ainda segundo o documento, o faturamento do setor de cartões de crédito no Brasil subiu 9% no ano passado, para R$ 678 bilhões, enquanto o do segmento de débito avançou 12% em relação a 2014, para R$ 390 bilhões. 

De acordo com o BC, foram realizadas 5,7 bilhões de transações com cartões de crédito e 6,5 bilhões com cartões de débito emitidos no País, cerca de 3% e 15% de crescimento em relação a 2014. 

Para o BC, levando-se em consideração o resultado dos últimos anos, a tendência é de que o crescimento maior dos cartões de débito ante os de crédito se acentue.

A quantidade de cartões de crédito e de débito ativos, segundo o relatório, manteve-se praticamente estável em relação a 2014, com destaque para uma pequena redução dos cartões das categorias "básico" e para o aumento de 26,4% dos cartões da categoria "premium". 

Comportamento semelhante ocorreu na quantidade e no valor das transações com cartões dessas categorias.

O BC ressaltou no documento que essa mudança na composição dos portfólios de cartões de crédito vem contribuindo para o aumento na tarifa de intercâmbio média (porcentual da compra que os credenciadores repassam aos emissores), que representava 46% da taxa de desconto no quarto trimestre de 2008 e atingiu 59% ao final de 2015 (aumento de 28% no período). 

"Cabe destacar que o perfil de parcelamento das vendas pelos lojistas, outro fator que poderia ter contribuído para o aumento do repasse dos credenciadores para os emissores, manteve-se praticamente estável", trouxe o documento. 

Nesse mesmo período, o repasse da taxa de desconto aos emissores de cartões de débito passou de 50% para 54%.

O BC avaliou também que houve pequena redução da concentração no mercado de credenciamento. De acordo com a autarquia, houve uma ligeira diminuição no índice de concentração dos dois maiores credenciadores no mercado, de 88,7% em 2014 para 86,1% em 2015, considerando-se o faturamento com cartões de crédito e de débito.

Restringindo-se ao mercado de credenciamento dos arranjos de pagamento, Visa e MasterCard, o índice de concentração dos dois maiores credenciadores caiu de 90,8% para 88,7%.

CHEQUES

A redução dos cheques em 2015 foi mais acentuada do que nos anos anteriores, apresentando quedas de 12% em quantidade e de 9% em valor em comparação com o ano anterior. 

Já a quantidade de operações de saque de numerário se manteve praticamente estável, mas o valor dos saques caiu 4,5%, o que indica uma queda no valor médio dessas transações. 

"Essas estatísticas sinalizam a continuidade do processo de substituição dos instrumentos de pagamento em papel pelos pagamentos eletrônicos."

IMAGEM:Thinkstock