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Mais uma vez, vendas pelo celular ajudam a puxar o e-commerce


Compra por dispositivos móveis deve chegar a 15% do total do setor este ano, diz 32º Webshoppers. Porém, expectativas para o comércio eletrônico total foram revisadas para baixo


  Por Karina Lignelli 19 de Agosto de 2015 às 17:15

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A tendência cada vez mais se confirma: as vendas realizadas por dispositivos móveis – o mobile commerce – cresceram 10,1% no primeiro semestre de 2015.

A perspectiva é chegar a 15% do total das vendas realizadas no comércio eletrônico até o final do ano, além de gerar mais de R$ 6 bilhões em faturamento. Os dados são da 32ª edição do relatório semestral Webshoppers da E-bit/Buscapé, divulgado nesta quarta-feira (19).

Com a alta crescente da modalidade, também foi realizada a pesquisa exclusiva “Hábitos de compra mobile”, anexa ao relatório, para mapear esse comportamento e incentivar os varejistas a investirem no m-commerce. 

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Dos 2.204 usuários de internet entrevistados em junho, 83% desses e-consumidores possuem pelo menos um dispositivo móvel para acessar e fazer compras pelas internet, e 72% o acessam várias vezes ao dia. Já a conexão wi-fi (via smartphone ou tablet) é a forma mais comum de acesso para 84% dos participantes.  

Do total de entrevistados, 47% declararam ter realizado pelo menos uma compra via smartphone nos últimos seis meses, e 48%, pelo tablet. No geral, houve uma média de quatro compras realizadas dessa forma no período.  

Outro dado mostra que, do total de entrevistados, 25% preferem comprar online via computadores ou notebooks por se sentirem mais seguros. Já 30% dos que preferem o tablet declararam usá-lo por praticidade – índice que sobe para 48% no caso dos usuários de smartphones. 

“A jornada do consumidor online certamente será impactada de maneira cada vez mais intensa pelos dispositivos móveis. Afinal, eles estão em suas mãos praticamente 100% do tempo”, afirma André Ricardo Dias, diretor executivo da E-bit/Buscapé. 

As funcionalidades do mobile também respondem pelo aumento da venda online através de dispositivos móveis, mas dentro de lojas físicas. Aqui, 14% deles afirmaram usar smartphones ou tablets durante o processo de compra. O objetivo é pesquisar preços, produtos e lojas antes de efetivamente fechar a compra.  

Mas, para o varejo, principalmente para os pequenos e-commerces, o grande desafio é a conversão em vendas via mobile. Hoje, apenas um terço das transações acontece dessa forma. 

Dificuldades na visualização, em finalizar compras e em digitar o número do cartão de crédito, por exemplo, foram alguns dos impeditivos relatados, aponta André Dias. “Esse deve ser o chamariz para incentivar o investimento pelas empresas do varejo em sites responsivos”, afirma.

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Isso porque o mobile é o caminho mais curto entre lojas (física e online) e seu consumidor, na opinião de Fabiano Destri Lobo, diretor executivo da Mobile Marketing Association. 

“Ter um site responsivo não é um diferencial , mas uma necessidade real de negócios para atrair consumidores e converter vendas”. 

E-COMMERCE VAI CRESCER MENOS, MAS VAI 

No primeiro semestre deste ano, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 18,6 bilhões – uma alta nominal de 16% ante igual período de 2014.

O “puxador” dessa alta foi o tíquete médio 13% maior (R$ 377), devido ao grande volume de vendas em categorias como eletrodomésticos e telefonia/celulares, segundo levantamento do 32º Webshoppers. 

Por outro lado, houve uma queda de 7% no volume de compradores, que pode ter sido potencializada pelos light users – ou seja, os consumidores que costumam fazer uma compra pela internet no semestre, mas dessa vez não compraram nada. 

A explicação é o atual cenário econômico, que inclui aumento de preços e consumidores retraídos - em especial na classe C, prejudicada pelo potencial de compra menor e o impacto do desemprego, diz Pedro Guasti, vice-presidente de relações internacionais da Buscapé Company.

Esse, inclusive, é um cenário que o e-commerce ainda não tinha experimentado nos 15 anos de medição pelo Webshoppers. “Foram menos pessoas comprando, e são compras concentradas nos heavy users (de renda maior e com maior frequência de compra online) das classes A e B”. 

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A alta do setor também foi concentrada no aumento de preços. Das quatro vezes em que o índice Fipe/Buscapé de preços do e-commerce tiveram alta, desde 2011, três foram só no primeiro semestre de 2015.

A pressão cambial foi uma das grandes culpadas, já que “produtos de relevância do e-commerce têm componentes importados, como eletroeletrônicos e celulares’, diz Pedro.

Com isso, a E-bit/Buscapé revisou as projeções de alta para o desempenho do e-commerce de 20%, no início de 2015, para 15% até o final do ano. Já o faturamento total está previsto em R$ 41,2 bilhões.  

Outro levantamento, do Provar (Programa de Administração do Varejo), mostra que, depois de ultrapassar 90% de intenção de compra do consumidor online no primeiro e segundo trimestres de 2015, para o terceiro trimestre o indicador ficou em 86,59%.  

“O terceiro trimestre será o ‘fundo do poço’”, brinca Guasti. “Mas a Black Friday já é a grande aposta dos varejistas, que estão se preparando para estimular o consumidor a comprar e recuperar esse crescimento”, conclui.   

Foto: Thinkstock