Negócios

Mais uma vez, efeito calendário beneficia vendas no comércio


Porém, a alta foi de apenas 1,7% na primeira quinzena de abril, puxada pelo alongamento de prazos na venda de bens duráveis, informa o Balanço de Vendas da ACSP


  Por Karina Lignelli 18 de Abril de 2016 às 19:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


De novo o efeito calendário deu uma mãozinha para o varejo: na primeira quinzena de abril, o movimento de vendas a prazo do comércio paulistano teve uma ligeira alta de 1,7%, na comparação com igual período de 2015. Os dados são do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Esse resultado não pode ser interpretado como tendência de retomada do varejo – sobretudo porque a quinzena teve um dia útil a mais em relação ao mesmo período de 2015. Mas não deixa de ser favorável”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

A mobilidade das datas comemorativas, como o feriado da Semana Santa, que reduz o movimento nas lojas e foi antecipado para março, também influenciou o resultado – que nesse caso, foi puxado pelo alongamento de prazos na venda de bens duráveis, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos e veículos. 

“Isso acontece porque o mercado está se antecipando para uma provável queda na taxa de juros nos próximos meses”, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP, citando o Relatório Focus do Banco Central desta segunda-feira (18/4), que mostra queda de quase um ponto percentual no indicador (13,38%) comparado ao da semana passada (13,75%).

Nos primeiros quinze dias de abril, porém, as vendas à vista registraram queda de 10,2% na comparação interanual. Com isso, na média à vista e a prazo a queda ficou em 4,3%. 

“Na fotografia, o resultado ficou melhor que a média do trimestre, de 14,1%, mas ainda dentro da expectativa de continuidade da queda”, diz o economista.

Na comparação entre abril e março não houve grandes novidades. De acordo com o Balanço de Vendas, a média entre o movimento a prazo (-17,5%) e à vista (-10,3%) ficou negativa em 13,9%. 

O resultado, além de refletir a sazonalidade típica do período, também foi puxado pelo clima, já que o outono ainda não chegou, não há expectativa de que o frio chegue logo, e ainda há muitas promoções com as peças que sobraram da coleção primavera-verão, lembra Alfieri.

“Os lojistas preferem não investir em estoques por enquanto, o que dificulta até traçar perspectivas (de vendas) para o Dia das Mães”, conclui. 

Foto: Karina Lignelli