Negócios

Mais um episódio na acidentada trajetória da Bombril


Vem aí mais uma reestruturação na tradicional fabricante de esponjas de aço que, fundada em 1948, já passou por severos problemas financeiros, trocou de dono e enfrentou brigas entre sócios


  Por Estadão Conteúdo 27 de Fevereiro de 2016 às 11:03

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Uma das mais tradicionais empresas brasileiras, a Bombril, fabricante de bens de consumo, contratou assessoria para reestruturar o negócio, que sofre com alto endividamento, caixa reduzido e sucessivos prejuízos acumulados.

Fontes de mercado afirmam que a companhia poderá fazer um novo pedido de recuperação judicial, caso não tenha sucesso nas renegociações em curso.

Este é mais um episódio conturbado de uma agitada história empresarial. A companhia, fundada em 1948 e conhecida especialmente por sua esponja de aço, já passou por severos problemas financeiros, trocou de dono, enfrentou brigas entre sócios e até um longo processo de recuperação judicial, que se estendeu de 2003 a 2006.

O negócio é hoje controlado pelo filho do fundador, Ronaldo Sampaio Ferreira, mas tem entre seus sócios minoritários o investidor Silvio Tini, o fundo de pensão Previ (caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil) e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a atual reestruturação da empresa, comandada pela consultoria Ricardo K (de Ricardo Knoepfelmacher), busca uma solução financeira para a companhia.

Neste momento, dizem fontes, a ideia ainda é evitar a recuperação judicial, apesar dos números ruins. A Bombril teve receita bruta de R$ 1,24 bilhão nos primeiros nove meses de 2015. O prejuízo, em igual período, foi de R$ 240 milhões.

A empresa sofre também com o caixa apertado: tinha R$ 11 milhões disponíveis em 30 de setembro de 2015, ante R$ 53 milhões no fechamento de 2014.

Nos primeiros nove meses do ano, o endividamento líquido total subiu 26% e atingiu R$ 476 milhões, puxado pelas dívidas tributárias. Mais de 60% dos débitos da Bombril são de curto prazo.

Uma fonte ligada à companhia diz que o processo de diversificação do portfólio de produtos empreendido nos últimos anos (com o lançamento de novos itens do setor de limpeza e de uma linha de cosméticos) não deu o resultado esperado. Pelo contrário: a investida acabou por apertar ainda mais as margens.

Na tentativa de "virar a página", a empresa também fez mudanças no marketing: abandonou seu "garoto Bombril", Carlos Moreno, em favor de uma campanha voltada ao poder feminino, com a cantora Ivete Sangalo e as comediantes Dani Calabresa e Mônica Iozzi.

Se pedir recuperação judicial novamente, a empresa retornará à situação especial que já viveu entre 2003 e 2006, época em que o filho do fundador do negócio, Ronaldo Sampaio Ferreira, voltou ao comando da companhia, que havia sido vendida a um grupo italiano nos anos 1990.

Procurada, a gestora Ricardo K não quis comentar. A Bombril admitiu, em nota, que está analisando uma reestruturação de capital às novas condições do mercado. A empresa negou que esteja planejando um pedido de recuperação judicial.