Negócios

Mais de 45% das empreendedoras no Brasil são 'chefes de casa'


Mas apesar de estarem cada vez mais empoderadas, elas ainda ganham 22% menos que os donos de negócios e sofrem maior restrição no acesso ao crédito, de acordo com o Sebrae


  Por Agência Sebrae 08 de Março de 2019 às 08:00

  | Informações do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena empresa


Neste 8 de março, quando é celebrado mais um Dia Internacional de Mulher - e mais um ano de luta por melhores condições de vida e trabalho -, um dado chama a atenção: nos últimos dois anos, a proporção de mulheres empreendedoras que são “chefes de domicílio” aumentou de 38% para 45%.

Com esse avanço, o empreendedorismo passou a conferir às donas de negócio a principal posição em casa, superando o percentual de mulheres na condição de cônjuge (quando a principal fonte de renda vem do marido).

Esta posição caiu de 49% para 41% nos últimos anos, constata relatório especial produzido pelo Sebrae.

O estudo constatou ainda que as representantes do sexo feminino empreendem movidas principalmente pela necessidade de ter outra fonte de renda ou para adquirir a independência financeira.

Hoje, as 9,3 milhões de mulheres empresárias representam 34% de todos os donos de negócios formais ou informais no Brasil. 

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As análises feitas pelo Sebrae mostram que as mulheres empreendedoras são mais jovens e têm um nível de escolaridade 16% superior ao dos homens.

Porém, elas continuam ganhando 22% menos que os empresários, situação que se repete desde 2015, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2018, os donos de negócio do sexo masculino tiveram rendimento mensal médio de R$ 2.344, enquanto o das mulheres ficou em R$ 1.831.

 

A desvantagem para as empresárias também é significativa quando se trata de acesso a crédito e linhas de financiamento. As mulheres empresárias acessam um valor médio de empréstimos de aproximadamente R$ 13 mil a menos que a média liberada aos homens.

Apesar disso, elas pagam taxas de juros 3,5 pontos percentuais acima do sexo masculino. Nesse aspecto, nem os índices de inadimplência mais baixos, verificados entre as pagadoras do sexo feminino, foram suficientes para gerar redução dos juros. Enquanto 3,7% das mulheres são inadimplentes, os homens são 4,2% do total.

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“O empreendedorismo representa uma importante alavanca para o empoderamento feminino, abrindo oportunidade para mulheres que viviam em situação de vulnerabilidade ou até de violência doméstica. Nosso trabalho agora é fortalecer ainda mais as habilidades comportamentais das empreendedoras para garantir confiança e reduzir as desigualdades”, afirma João Henrique de Almeida Sousa, presidente do Sebrae.

O relatório elaborado pelo Sebrae aponta que as mulheres empreendedoras representam hoje 48% dos Microempreendedores Individuais (MEIs), atuando principalmente em atividades de beleza, moda e alimentação. Quanto ao local de funcionamento do negócio, 55,4% das MEIs estão sediadas em casa.  

INVESTIMENTOS

A IFC, braço de participações e investimentos do Banco Mundial, pretende ampliar para US$ 2,6 bilhões ao ano, até 2030, os recursos globalmente destinados para instituições financeiras fomentarem empréstimos em empresas que sejam controladas em pelo menos 51% por mulheres.

Em 2018, o montade de investimento foi cerca de US$ 1 bilhão. 

"No longo prazo, o setor privado tem papel relevante para o fim da desigualdade de gênero, com políticas flexíveis para que as mulheres avancem em carreira", disse Héctor Gomez Ang, diretor geral da IFC no Brasil. "Não existe solução única para o problema de desigualdade, o principal é a disseminação de informações."

Durante evento na B3 sobre igualdade de gênero, Ang destacou que empresas que adotam políticas de gênero mostram melhor desempenho financeiro e correlação positiva com menores riscos.

"Somos acionistas em mais de 500 empresas no mundo e a meta é que em 2030 50% dos conselheiros indicados pela IFC nas empresas investidas sejam mulheres", afirmou ele.

Atualmente, esse porcentual é de 35%. Ele disse que 11% dos sócios em fundos de private equity e venture capital são mulheres e somente 7% dos investimentos que fazem são em empresas com controle feminino.

FOTO: Thinkstock