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Maioria das pequenas do e-commerce acredita que vai crescer em 2016


Tecnologia e profissionalização devem puxar resultado positivo, de acordo com pesquisa do Mercado Livre/Ibope Conecta. Mas nova regra do ICMS pode ser um dos entraves


  Por Karina Lignelli 01 de Março de 2016 às 20:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Descompasso entre expectativa e realidade, mas com um retorno além do esperado. Essa foi a conclusão de uma pesquisa que mediu a diferença entre o que os empreendedores do e-commerce esperavam e o que de fato aconteceu no ano passado. 

Segundo a pesquisa, 87% dos empreendedores do e-commerce esperavam crescer 25% no passado. Mas na realidade, 81% acabaram encerrando 2015 com uma elevação nas vendas de 45%. 

Para 2016, 84% desses entrevistados acreditam que suas vendas continuarão a crescer, a uma média de 31% ao longo do ano.

E conseguirão esses resultados com mais ferramentas e tecnologias disponíveis de acesso à internet e banda larga, segundo a resposta de 43% deles, além da profissionalização dos vendedores para melhorar a experiência do consumidor no ambiente online, de acordo com 31%.

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Os dados são da segunda edição da pesquisa “O e-commerce na visão do empreendedor”, encomendada pelo Mercado Livre ao Ibope CONECTA. O levantamento foi realizado em janeiro com 529 micro, pequenas e médias empresas que vendem em diversos canais – inclusive dentro do marketplace.

A diferença é que o otimismo caiu 20 pontos percentuais de 2015 para cá. Para este ano, 65% dos entrevistados acreditam que o e-commerce crescerá em 2016. 

Entre os fatores que devem favorecer o cenário para esse setor, estão a percepção de maior segurança na compra online (64%), o aumento do número de usuários (57%), custos de frete mais acessíveis (52%) e a busca por mais ofertas online (48%).

De acordo com Laura Castelnau, diretora executiva do Ibope Conecta, enquanto o fluxo de consumidores diminui nos shoppings, o resultado deve impulsionar o e-commerce este ano.

“Mesmo diante dessa queda de fluxo e a crise de confiança generalizada, esse é um resultado muito bom”, diz.  Já na opinião dos mais pessimistas – que representam 20% do total, ante 8% em 2015 , a situação deve ser bem diferente.

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O cenário político e econômico, e as novas regras do ICMS – a famigerada EC-87, suspensa judicialmente, a princípio, para os e-commerces optantes do Simples –, foram apontados como “entraves” ao crescimento.  

Helisson Lemos, presidente do Mercado Livre Brasil, diz que, por outro lado, a pesquisa reafirma o cenário positivo apontado pela companhia em 2015, e ainda não sinaliza nenhum impacto com a mudança das regras do fisco para as operações do e-commerce.

Ele lembrou que, após a aquisição da argentina KPL, especialista em desenvolvimento de softwares ERP (integradores de dados), o trabalho de adaptação às novas regras foi mínimo para pelo menos 25% dos empreendedores que vendem pelo marketplace.

“Foi algo como o bug do milênio: nos preparamos antes, e na virada do ano nada aconteceu”, afirma.

A ideia agora é lançar, ainda em 2016, softwares mais “democráticos” (ou seja, mais baratos), e que possam ser integrados com outros tipos de ERP – como os da Totvs ou SAP, segundo Lemos.

“Apesar de a economia não estar forte como antes, o empreendedorismo está cada vez mais forte na internet. Vamos focar muito nisso”, afirma.

XÔ, CRISE

Um dos melhores anos da história da companhia. Essa foi a constatação de Stelleo Toda, vice-presidente executivo do Mercado Livre na América Latina, sobre 2015, já que companhia encerrou, no ano, 38 trimestres de resultados positivos desde 2006.  

Pelos resultados financeiros divulgados pela empresa nesta terça-feira (01/03), a receita líquida do Mercado Livre ficou em US$ 651,8 milhões – uma alta de 17% ante 2014. No Brasil, o maior mercado da companhia, a receita líquida foi de US$ 290,6 milhões.  

A companhia vendeu de 128,4 milhões de itens em 2015 – uma alta de 27% ante 2014. Já o total de transações de pagamentos realizadas por outra empresa do grupo, a Mercado Pago, cresceu 73,7%, atingindo um volume de US$ 52,2 bi.

“Esse crescimento foi impulsionado pela resposta positiva do consumidor à adoção do parcelamento sem juros entre os vendedores do Mercado Livre”, afirma Toda.

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Em complemento ao marketplace, a nova unidade de negócios da companhia - a Mercado Envios - teve a adesão de 75% dos empreendedores que fazem parte do Mercado Livre. Essa unidade de negócios cresceu 57% no quarto trimestre de 2015.

O executivo destacou também a participação do mobile, que se mantém em crescimento no Mercado Livre pelo incremento do “peer to peer” (transferência de valores entre pessoas) e dos dispositivos para pagamentos móveis (mPOS).

“Hoje, um terço das nossas transações são realizadas via mobile. Por isso, vamos nos concentrar em investimentos em tecnologia para melhorar ainda mais a conversão nesse canal”, disse, sem revelar valores.

Imagem de abertura: Thinkstock