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Lojas Geek: por que esse negócio é um sucesso?


Com clientes fiéis e que gastam muito dinheiro com coleções, o mercado especializado no universo nerd, como a Loja Tip de Leonardo e Renata (na foto), movimenta UU$ 42 bilhões por ano no mundo e não para de crescer


  Por Mariana Missiaggia 03 de Outubro de 2017 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Cinco anos atrás, a Livraria Cultura apostou em um público que cresceu convivendo com desenhos, histórias em quadrinhos, jogos de vídeo game, séries e filmes, e lançou o projeto Geek.Etc.Br –uma loja inteira dedicada a produtos licenciados colecionáveis, no Conjunto Nacional, em São Paulo. Em 2016, o mesmo modelo de loja foi inaugurado também em Recife.

Hoje, já não restam dúvidas de que a rede de livrarias antecipou uma tendência e o que parecia ser brincadeira de criança e adolescente evoluiu para um mercado bilionário, que movimenta US$ 42 bilhões anuais (cerca de R$ 138 bilhões) mundo afora.

Das dez maiores bilheterias de 2016, seis eram de filmes de fantasia e ficção científica, que foram replicados em produtos do universo nerd, como almofadas, canecas, miniaturas e outros itens.

Star Wars, Harry Potter, Game of Thrones, Friends e Mulher Maravilha são alguns dos títulos que acumulam fanáticos, que são facilmente reconhecidos nas ruas por conta dos acessórios vendidos em lojas especializadas.

R$ 5 MIL NO CARTÃO DE CRÉDITO

Consumidor deste nicho, o analista de e-commerce Leonardo Pires de Almeida e a mulher Renata Lazarin Costa, costumavam passar horas garimpando colecionáveis com a temática de super-heróis em sites internacionais.

Sempre que algum jogo ou filme novo era lançado, Almeida pesquisava novidades e as revendia para seus amigos. Quando a consultoria em que trabalhava foi fechada, em 2014, ele e a esposa decidiram formalizar a prática com a abertura de um e-commerce: a Loja Tip.

O casal comprou tudo o que podia com o limite de R$ 5 mil no cartão de crédito e cadastrou uma série de produtos na internet. Em pouco tempo, eles juntaram o suficiente para abrir o primeiro escritório da empresa, que até então funcionava na sala de casa.

Hoje, a dupla fatura em média R$ 50 mil por mês e já abriu a primeira loja física, na rua Augusta, em São Paulo. Muito procurados como opção de presente para amigo secreto, datas como Dia dos Namorados e Natal, os itens chegam a causar reboliço na loja.

“Nessas datas o faturamento do mês é alcançado em uma semana e os produtos se esgotam”, diz.

O mesmo acontece em épocas de lançamentos de filmes. O crescimento de 50% no primeiro semestre 2017 em relação à 2016 também foi alavancado pela participação da marca em eventos, como o festival de música Lollapalooza.

Convidados pela própria organização, Almeida e Renata montam uma espécie de loja pop up para expor e vender os produtos, e acabam conquistando clientes do País todo.

Grandes varejistas como a Riachuelo também aderiram aos licenciados e passaram a vender itens de Star Wars aproveitando a demanda trazida pelo anúncio de pelo menos outros três filmes da saga até 2019. Nas lojas da rede, há camisetas, tênis, almofadas, lingeries e lençóis com a cara do vilão Darth Vader.

Em uma semana, 70 mil peças foram vendidas -volume que era esperado para um mês inteiro.

Na Livraria Cultura, além do espaço Geek.Etc.Br, todas as lojas da empresa passaram a receber uma área dedicada a esse segmento, sempre exposto com destaque.

A Loja Integrada, plataforma de e-commerce mais popular do Brasil, acompanha o crescimento do mercado Geek. No primeiro semestre de 2016, foram criadas 104 novas lojas na categoria de colecionáveis.

Outas 118 novas lojas passaram a comercializar os produtos no portal no mesmo período deste ano.

Agora, quando o assunto é faturamento, os números impressionam. Enquanto no primeiro semestre de 2016, os gastos chegaram a R$ 2,9 milhões, em 2017 o crescimento no faturamento atingiu 121% e chegou a R$ 6,4 milhões no primeiro semestre.

QUEM CONSOME

Poder de consumo e, claro, a paixão por certas referências definem os geeks. Histórias e personagens representam um público engajado que discute, acompanha e compra fielmente tudo que envolva este nicho de mercado.

De acordo com a 4ª edição da pesquisa Geek Power, elaborada pelo Ibope Conecta e o portal Omelete, com 26 mil pessoas, 68% dos geeks estão na faixa de 18 e 34 anos e 85% são homens.

Ainda de acordo com o estudo, 65% têm ensino superior. Outros 64% obtêm renda familiar entre dois e dez salários mínimos, e admiram marcas como Netflix, Disney, Marvel e Lucasfilms.