Negócios

Liquidações aquecem o comércio em janeiro


No Magazine Luiza da Rua Direita, os consumidores aguardaram em fila na madrugada. Os celulares, um dos itens mais procurados, estavam com 20% de desconto, em média


  Por Thais Ferreira 05 de Janeiro de 2018 às 13:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Nesta quinta-feira (4/1) por volta das três horas da tarde, uma fila começava a se formar em frente ao Magazine Luiza, na Rua Direita, no centro de São Paulo.

A loja não abriu naquele dia. Os consumidores aguardavam a promoção anual da rede que começaria às seis horas da manhã do dia seguinte.

A primeira da fila era Clotilde Pereira da Silva, que decidiu virar a madruga na calçada para garantir seu lugar. Ela não trouxe muita coisa, apenas a bolsa, uma jaqueta e uma garrafa de água.

É o segundo ano consecutivo que ela passa a noite em claro em busca de grandes descontos.

“Às vezes vale a pena, no ano passado, comprei um celular. Os produtos de exposição costumam ter um preço bom”, diz Clotilde, que este ano desejava comprar novamente um celular.   

Nem todos na fila sabem o que querem comprar, mas aguardavam ansiosos pela abertura da loja.

Ticiane Cristina Bento – que chegou às dez da noite – é veterana das promoções da rede. Frequentou todas desde 2007. Neste ano, ela estava interessada nos celulares, notebooks, máquinas de lavar e impressoras.

Ticiane acredita que sempre tem algo que vale a pena na liquidação: “Nos outros anos comprei duas televisões, cama box, colchão, celulares, panelas e pratos.”

Felipe Bezerra, gerente da unidade há dois anos, afirma que itens os mais procurados são as panelas de pressão e os colchões. Entre as melhores ofertas do ano, ele destaca uma máquina de lavar que foi de R$ 1.399 por R$ 899 – desconto de 35%. Há também as Smart TVs que estão pela metade do preço foram de R$ 2.799 por 1.399. 

CLOTILDE PEREIRA DA SILVA, A PRIMEIRA DA FILA

LIQUIDAÇÃO DE JANEIRO

O Magazine Luiza não é a única rede a promover grandes promoções no mês de janeiro. Nas redondezas, as Casas Bahia e as Lojas Marabraz também prometem descontos generosos para atrair clientes.

Esse é o período que os lojistas baixam os preços para liquidar com os estoques que sobraram do Natal.

As placas que anunciam as grandes promoções estão por todos os lados no centro de São Paulo. Nas lojas da rede Eskala, que vende roupas e acessórios, um grande cartaz anuncia descontos de 50%. Já na Marisa, os preços caíram 70%. Até as óticas e livrarias entram na onda das liquidações do começo de ano.

A mais tradicional e a mais aguardada pelos clientes, no entanto, parece ser a do Magazine Luiza.

Essa é a 25ª edição da Liquidação Fantástica que promete até 70% de desconto nos produtos. A promoção acontece simultaneamente nas 830 unidades que estão distribuídas em 16 estados.

Um das lojas mais concorridas é a de Franca, no interior de São Paulo, cidade em que Luiza Trajano fundou a rede em 1957. Desde a quarta-feira (3/1), os francanos aguardam na fila para a liquidação.

As promoções do começo do ano transformaram o calendário da varejista. Janeiro é o terceiro melhor mês para a empresa, atrás apenas de maio e dezembro.

PREÇO DO CELULAR NÃO ANIMOU OS CONSUMIDORES

ABERTURA

Um pouco antes da abertura da loja, Bezerra se reúne com os vendedores para passar as últimas instruções e falar algumas palavras de incentivo.  A equipe chegou por volta das cinco horas da manhã e terá um longo dia pela frente. Juntos, eles gritam o slogan da empresa: “Vem ser feliz”.

O céu ainda está escuro quando o locutor inicia a contagem regressiva para o começo da promoção.

Ao contrário das imagens que circulam pela internet, a loja não abre totalmente suas portas e os consumidores saem correndo desordenadamente em busca dos produtos.

Apenas uma pequena porta é aberta e somente os dez primeiros da fila entram.

Eles terão a oportunidade de passar os primeiros dez minutos selecionando os produtos, uma recompensa para quem virou toda a madrugada na fila.

Depois desse período, mais 20 consumidores entram na loja. E a cada 10 minutos, novos clientes atravessam a pequena porta.

O esquema de segurança é rigoroso. Todas as bolsas e sacolas são lacradas. Diversos seguranças se espalham pelos três andares da loja.

As prateleiras dos celulares são primeiras a serem cercadas pelos consumidores. Mas pequenos descontos decepcionam. Os produtos estavam em média 20% mais baratos. 

Já a panela de pressão se tornou a estrela da liquidação, vendida a R$ 19.  Mais de 50 clientes entram em uma nova fila apenas para comprar esse item.  

Em pouco menos de 40 minutos, os primeiros clientes saem da loja. Clotilde carrega poucos itens: um liquidificador e um jogo de panelas. Segundo afirma, desta vez a liquidação não foi tão boa como a do ano passado.

Ticiane sai com a mesma impressão. Ela comprou um celular, mas diz que o desconto não foi tão grande. 

Mesmo sem grandes pechinchas no setor eletroeletrônicos, raros são os consumidores que saem sem uma sacola ou caixa na mão. E, do lado de fora, a fila continuava a crescer.

FOTOS: Thaís Ferreira/ Diário do Comércio