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Liquidação e Dia dos Pais: uma combinação que pode dar certo


Com o clima quente ao longo do inverno, lojistas aproveitam o apelo da data para desovar estoques a preços mais acessíveis, de olho na clientela pouco confiante e sem muito dinheiro para gastar


  Por Karina Lignelli 01 de Agosto de 2018 às 08:50

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A data talvez não seja só de lembrancinhas como nos últimos três anos. E depois de mais de 45 dias, o frio e a chuva decidiram aparecer.

Para quem tinha abastecido as lojas com a coleção outono-inverno, a proximidade do Dia dos Pais, no próximo dia 12 de agosto, é a última chance para tentar liquidar os estoques, equilibrar o caixa e liberar espaço para a coleção primavera-verão. 

Mesmo com expectativa de vendas para o domingo dos pais ser melhor do que em 2017 - de alta de 3% a 5%, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ante o crescimento médio de 2,9% do ano passado-, essa é a hora de liquidar, fazer ofertas e esticar prazos de pagamento.

"A economia ainda está muito fria, e o consumidor sem dinheiro e pouco confiante", afirma o economista Emílio Alfieri.  

Como a derrota da seleção brasileira na Copa e o clima não ajudaram o comércio, essa é a primeira data para fazer um marketing em cima de liquidações ou prazos, tanto em vestuário como em bens duráveis, como TVs. "É trabalhar esse clima de Dia dos Pais para estimular as pessoas a comprar", completa.  

Algumas lojas, tanto de rua como de shopping, já se anteciparam. Apesar de o marketing para a data começar habitualmente a partir do dia 1º de agosto, muitos lojistas se anteciparam para não perder vendas. 

ESKALA: ESTRATÉGIAS COMBINADAS 

Na rede Eskala, com duas lojas no centro da capital paulista, cartazes da promoção "Meu pai é meu herói" junto aos de "desaba" preços começaram a atrair consumidores já na última semana de julho. 

Na unidade da rua São Bento, a gerente Ester Viana diz que muitos clientes, principalmente filhas, têm aproveitado os itens da promoção para presentear os pais, mas ao mesmo tempo já mostram interesse pelas novidades e tendências da nova coleção.

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"É quando a gente aproveita os dois apelos para vender", diz. Como as pessoas não estão muito dispostas a gastar, a forte divulgação do cartão da loja têm sido outra tática para os clientes não saírem de mãos vazias. "É difícil alguém sair sem comprar", afirma. Sua aposta é que as vendas sejam melhores em relação aos anos anteriores, com meta de crescimento de 15%. 

Segundo Alfieri, da ACSP, juntar promoção e data comemorativa não é habitual, e sim circunstancial, em decorrência do Brasil e do clima. "Mas é uma boa maneira de liquidar as sobras de outros itens. Afinal, o que o lojista não conseguiu vender antes do Dia dos Pais, depois não vende mais."

GRANDES EXPECTATIVAS 

No shopping Pátio Paulista, várias lojas, principalmente de vestuário e calçados, têm adotado estratégia semelhante. Na loja da Outer Shoes, de calçados casuais e despojados, os anúncios de liquidação na vitrine já atraem clientes que querem comprar presentes para os pais, e podem conferir alguns itens da nova coleção.

Tanto a campanha dos pais como a troca de coleção na loja ocorrerão na quinta-feira (2/08). "Como é nosso primeiro ano de operação, a expectativa é de crescer 15% na data ante 2017", prevê o franqueado Fernando Augusto Cardoso de Mello. 

Já na Opaque, especializada em perfumaria e cosméticos importados, a costumeira liquidação de julho, que oferecia descontos até 60%, deu espaço para a comunicação do Dia dos Pais na loja. Mas sem deixar as promoções de lado. 

Além de campanhas no ambiente digital, como a que permite montar um perfil do pai para ganhar vouchers com descontos de até 69%, outra tática é oferecer itens exclusivos -como a edição especial do perfume Ralph Lauren, que vem com uma maleta.  

"A ideia é sempre ter um brinde associado ou descontos", diz Sabrina Bosco, coordenadora de trademarketing da rede. "É essa exclusividade que tem mantido o nosso crescimento em torno de 5% e 6% nos ultimos três anos, que deve se repetir agora." 

MELLO, DA OUTER SHOES: DIA DOS PAIS
COM TROCA DE COLEÇÃO

No centro de compras como um todo, a expectativa de alta para a data é de 7%, segundo o superintendente Alexandre Bicudo. Com foco no interesse dos clientes por promoções e sorteios, a campanha dos Pais, que vai sortear um Mercedes CLA 180, já tem puxado as vendas desde 13 de julho.

"Temos 30% a mais de troca de notas fiscais que em 2017", afirma.  

Já no shopping Metrô Itaquera, que passou por uma expansão em outubro de 2017 e agregou 150 lojas ao seu mix - entre elas, âncoras do porte da Renner, Riachuelo, Americanas, Kalunga, Nike, Ri Happy e Outback -lojistas como Pernambucanas, Polo Wear, Camisaria Colombo e até Colchões Ortobom e Marisa já iniciaram suas campanhas com o apelo Dia dos Pais.

A maioria, baseada em descontos mais atrativos ou a oferta de combos, como camisa polo + calça ou três polos a R$ 99.  

A chegada dessas marcas, segundo Fábio Quintana, gerente de marketing, trouxe um cenário muito mais favorável para o shopping, que estima que, por conta desses fatores, o tíquete médio do Dia dos Pais seja de R$ 200 - principalmente em acessórios, roupas e calçados.

"Não vai ser mais lembrancinha como nos anos anteriores, não", afirma. "Por conta da expansão, nossa expectativa de crescimento nas vendas para a data é muito alta, chega aos 65%", completa. 

Apesar de o Itaquera estar fora da curva, os resultados do varejo para a data devem surpreender, segundo Emílio Alfieri, da ACSP. "Com a divulgação de dados de julho e suas liquidações, esse número pode até melhorar", sinaliza. 

Na galeria abaixo, confira as campanhas de alguns lojistas para o Dia dos Pais 2018. 

FOTOS: Karina Lignelli/Diário do Comércio e  Divulgação