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Líder do e-commerce de artigos esportivos fica com a Shoestock


Grupo Netshoes (acima, o centro logístico) anuncia primeira aquisição por meio da Zattini, sua loja online de moda. A varejista de calçados encerrou as atividades no fim de 2015


  Por Karina Lignelli 23 de Fevereiro de 2016 às 21:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Após fechar suas quatro unidades e o e-commerce em setembro do ano passado devido a problemas de ordem financeira, a varejista de calçados Shoestock acaba de ser adquirida pelo Grupo Netshoes.

A operação, concluída na semana passada, é a primeira dessa natureza no grupo e foi realizada por meio de braço de e-commerce de moda, a Zattini, que retomará a produção e comercialização dos calçados e acessórios da marca.

Fundada em 1986, a empresa encerrou as atividades por decisão das duas irmãs fundadoras, que não pediram falência nem recuperação judicial.

Apesar de ter faturado R$ 100 milhões em 2011, por exemplo, a Shoestock não conseguiu manter o formato de varejo em locais nobres e coleções próprias fabricadas no Rio Grande do Sul.

Mesmo vendendo coleções para redes multimarcas, o faturamento de vendas caiu para menos de R$ 60 milhões em 2015, e a oferta de produtos diminuiu. Com essa aquisição, o grupo Netshoes inicia a verticalização da operação Zattini.

SHOESTOCK NÃO CONSEGUIU MANTER O FORMATO DE VAREJO/FOTO:EC

Sem revelar o valor do investimento, o Netshoes pretende, além de “renovar a Shoestock”, segundo o fundador e CEO Marcio Kumruian, gerar receitas na ordem de R$ 100 milhões/ano para a sua loja virtual de moda.

Lançada em dezembro de 2014, a Zattini, cuja maior concorrente é a Dafiti, já ultrapassou esse mesmo valor em receitas apenas em 2015.

Nessa nova empreitada, a princípio as lojas físicas não serão prioridade. Segundo Leo Dib, diretor financeiro do Grupo, a ideia é aproveitar a expertise das duas marcas para democratizar os produtos Shoestock nos canais digitais.

“O foco inicial é desenvolver uma experiência para os consumidores da marca no e-commerce”, afirma, ao sinalizar que, em breve, o grupo deve anunciar novidades a respeito do relançamento da marca Shoestock, além de como irá preservar sua experiência física aos seus clientes fiéis.

EXPANSÃO AGRESSIVA

Outra estratégia, segundo Dib, é que o movimento de aquisição da Shoestock faça parte do plano de negócios do Netshoes - assim como a iniciativa do marketplace, lançado em janeiro passado para seus dois e-commerces (Netshoes e Zattini).

“A marca agrega um público fiel ao portfólio da companhia, o que impulsionará ainda mais o crescimento da Zattini dentro de segmento de moda”, completa o diretor.

A criação da Zattini, resultado de um aporte de R$ 35 milhões, teve como foco trazer um novo público para o Grupo, antes essencialmente masculino por conta do e-commerce de produtos esportivos Netshoes.

Com isso, do início com 70 marcas e 12 mil itens, a loja online de moda saltou para 300 e 40 mil, respectivamente. “Em nosso e-commerce de moda, 65% dos clientes são mulheres. Por isso, em 2016, iremos aumentar ainda mais nossas ações para a Zattini e seu público”, afirma Kumruian.

A expectativa com a aquisição da Shoestock, de acordo com o fundador, é de uma expansão “ainda mais agressiva nas vendas”, se mantendo no ritmo acima do mercado de e-commerce - assim como no ano passado, quando o Grupo Netshoes como um todo fechou com crescimento superior a 15%.

Foto de abertura: Divulgação/Grupo Netshoes