Negócios

Leve alta do setor de serviços aponta lenta recuperação


Para acelerar, será necessária recuperação mais consistente do comércio, da indústria, do consumo das famílias e do mercado de trabalho, de acordo com o IBGE


  Por Estadão Conteúdo 13 de Abril de 2018 às 11:10

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Em fevereiro, o volume de serviços prestados no Brasil registrou aumento de 0,1% ante janeiro, na série com ajuste sazonal divulgada nesta sexta-feira 13 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o volume de serviços acumulou queda de 1,8% no ano. O acumulado nos últimos doze meses também ficou negativo (-2,4%) em fevereiro de 2018.

Economistas afirmam que a retomada do segmento ainda deve prosseguir de forma bem modesta. A expectativa para o setor medida pelo Projeções Broadcast ia de queda de 0,80% a alta de 0,90%, com mediana de 0,2%

Ainda que seja um desempenho um pouco mais favorável que a queda de 1,9% de janeiro, os analistas afirmam que a recuperação prossegue fraca, pois os condicionantes do consumo também continuam fragilizados. Exemplo atual dessa percepção foram as vendas do varejo de fevereiro, que decepcionaram boa parte do mercado.

"Depois do resultado de janeiro, o ímpeto em relação à retomada de serviços diminuiu. As vendas do varejo corroboram essa estimativa", afirma o economista Vitor Velho, da LCA Consultores.

"Serviços prestados estão correlacionados à PMC. O canal de crédito ainda não está dando sinal forte de melhora. O Banco Central vem atuando para tentar diminuir os spread (diferencial entre taxas de captação e aplicação de recursos), mas o juro para o consumidor segue elevado, assim como o desemprego", explica Velho.

O próprio IBGE já havia reconhecido que o volume de serviços ainda não esboça reação. Segundo o gerente da pesquisa no instituto, Rodrigo Lobo, para que isso aconteça é preciso recuperação mais consistente do comércio, da indústria, do consumo das famílias e do mercado de trabalho.

SEGMENTOS

O setor de serviços registrou quedas disseminadas entre as atividades pesquisadas na passagem de janeiro para fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE.

O único segmento a escapar do vermelho foi o de serviços profissionais e administrativos, que avançou 1,7% em fevereiro ante janeiro.

"Foram os Serviços profissionais que sustentaram sozinhos essa alta de 0,1% na média global em fevereiro ante janeiro", apontou Rodrigo Lobo.

Entre os serviços mais pesados nesta categoria de serviços profissionais estão os relacionados a segurança, limpeza, meios de pagamento, engenharia e atividades jurídicas.

"No mês passado, essa atividade tinha recuado 2,3%, então essa alta não recupera a perda anterior. Essa atividade, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, recua há 35 meses", ponderou Lobo.

Os serviços prestados às famílias recuaram 0,8% em fevereiro ante janeiro; os serviços de informação e comunicação caíram 0,6%; transportes e correio tiveram uma perda de 0,3%; e o segmento de outros serviços diminuiu 0,7%.

Já o agregado especial das Atividades turísticas apresentou uma queda de 4,0% na passagem de janeiro para fevereiro.

ANÁLISE

O setor de serviços ainda opera 12,6% abaixo do pico de atividade registrado em novembro de 2014.

Ao mesmo tempo, o patamar atual está apenas 1,0% acima do ponto mais baixo da série, que foi alcançado em março de 2017.  

"Os serviços estão muito mais próximos do ponto mais baixo da série do que do ponto mais alto. Não está mais no nível mais baixo, mas não mostra sinais claros de recuperação", apontou Rodrigo Lobo, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Com as oscilações na série com ajuste sazonal nos últimos meses, o volume de serviços prestados voltou ao patamar de outubro de 2017. A ligeira alta de 0,1% registrada em fevereiro ante janeiro foi avaliada pelo IBGE como estabilidade.

"É estabilidade, ainda mais com os últimos resultados. Janeiro devolve o ganho de novembro e dezembro. O patamar de fevereiro é o mesmo de outubro", disse Lobo. "Estar no mesmo patamar de outubro de 2017 significa que os serviços pelo menos pararam de cair", acrescentou.

Contudo, o pesquisador confirmou uma perda recente no ritmo do setor, evidenciada também pela comparação entre a ligeira queda de 0,1% no fechamento do quarto trimestre de 2017 e o recuo de 1,8% acumulado no primeiro bimestre de 2018.

O volume de serviços prestados acentuou o ritmo de queda em fevereiro ante fevereiro de 2017, com recuo de 2,2%, ante uma redução de 1,5% em janeiro.

Por outro lado, o percentual de serviços pesquisados com crescimento foi o maior da série histórica, iniciada em janeiro de 2017.

 

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