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Lanche símbolo do Mercadão de São Paulo quer ganhar o mundo


Sanduíche de mortadela do Mercadão fez do Hocca Bar uma referência gastronômica, que sob o comando da segunda geração, terá filial em Orlando


  Por Mariana Missiaggia 04 de Julho de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Pouca gente sabe, mas o tradicional sanduíche de mortadela do Mercadão de São Paulo ganhou fama já na década de 1950 pela quantidade de recheio que levava.

Considerado um dos símbolos gastronômicos da capital, foi o grande responsável pelo crescimento do Hocca Bar, fundado em 1952, e um dos primeiros estabelecimentos a tratar a mortadela como estrela da casa, quando a iguaria era marginalizada como refeição.

Hoje, além da primeira unidade, o negócio ganhou as praças de alimentação de três shoppings – na Mooca, em São Paulo, São Bernardo do Campo e Campinas. Até o fim do ano, outros dois restaurantes serão inaugurados –um em Moema, na zona sul paulistana e outro em Orlando, nos Estados Unidos.

Com a inauguração, o Hocca Bar será o primeiro restaurante brasileiro do complexo e disputará a clientela com grandes redes, como Five Guys, Taco Bell e Subway.

A intenção é atrair brasileiros que vivem em Orlando e turistas que visitam o destino, capital de grandes parques como a Disneyworld e a Universal Studios. O Florida Mall é o maior shopping da cidade, com mais de 270 lojas.

PEQUENO CHEF

Assíduo frequentador do Mercadão, Horácio Gabriel, 43 anos, é quem atualmente comanda o Hocca Bar, que herdou dos pais,  Horácio e Maria.

HORÁCIO GABRIEL COMANDA O HOCCA BAR E VAI LEVAR
MARCA PARA ORLANDO

Ainda pequeno, quando não estava ajudando o pai nas tarefas mais básicas do estabelecimento, como limpeza, organização da cozinha e manutenção das chapas, gostava de ir para o telhado do Mercadão empinar pipa com os amigos, que também eram filhos dos donos de outras bancas.

Nas palavras de Gabriel, Horácio queria que ele e o irmão Angelo Gabriel já se acostumassem com a movimentação de clientes e todo o universo do Mercadão. Adolescente, começou como ajudante no bar fazendo de tudo um pouco, como seu pai determinava.

Aos 18 anos, assumiu o cargo de gerente do local por meio período, monitorando a cozinha mais de perto. Ao mesmo tempo, cursava faculdade de direito, área em que trabalhou por pouco tempo, até descobrir sua verdadeira paixão, a gastronomia e retornou ao Hocca, como responsável pela cozinha.

O mesmo sucedeu com Angelo. Engenheiro de formação, hoje, eles dividem a administração do negócio – é Angelo quem comanda toda a parte de expansão da marca.

No início, ambos usaram muito das noções de economia e administração que aprenderam na faculdade para cuidar do negócio. Com o tempo, Gabriel foi se especializando até obter o diploma de chef.

Com a missão de continuar a perpetuar um legado, Gabriel diz que gosta de coisas feitas à moda antiga, e que talvez esteja aí um dos segredos para o sucesso do Hocca Bar.

Mesmo sem saber quem de fato inventou o prato tão famoso do Mercadão, ele conta como seu pai fez história vendendo o quitute. Com a tradição que herdou da cultura portuguesa de sua família, seu Horácio era conhecido por servir refeições fartas e montou o sanduíche de mortadela com o intuito de ajudar os funcionários que trabalhavam no Mercadão logo nos primeiros anos de funcionamento do local.

PASTEL DE BACALHAU É UM DOS MAIS PEDIDOS NO MERCADÃO

"O pessoal pedia: seu Horácio, capricha no lanche! Só vou comer isso hoje. Meu pai dobrava o recheio para dar sustância aos trabalhadores. E foi assim que surgiu o lanche que servimos até hoje”, diz.

A mortadela usada para o recheio é especial e produzida pela marca Ceratti, exclusivamente para o Hocca Bar – um dos itens que nunca será modificado no estabelecimento, segundo Gabriel.

Ele explica que é importante manter o sabor, pois muitos pais visitam o restaurante querendo mostrar para a nova geração aquilo que eles provaram anos atrás.

“Hoje em dia, a mortadela não é mais uma comida depreciada, como era na época. Ela é um legado”.

Hoje, o Hocca Bar vende mais de 700 sanduíches por dia, entre versões simples, só com a mortadela, e versões mais elaboradas, como os sanduíches que levam queijos variados e tomate seco. O lanche mais barato custa R$ 17.

Com o passar dos anos, outras estrelas foram surgindo no cardápio, como o pastel de bacalhau e o de camarão.

PEQUENO COMO UMA OCA

Outro curiosidade que Gabriel explica é o nome do negócio. De acordo com o herdeiro, as duas primeiras letras fazem referência ao nome do criador e o final remete à palavra 'oca'.

UNIDADE DE CAMPINAS, INAUGURADA EM JANEIRO

"Meu pai sempre foi muito humilde e não fazia ideia de como criar um nome que chamasse a atenção da clientela. O contador dele disse que nosso restaurante era pequenino, como uma oca, e assim surgiu o nome que usamos até hoje", diz.

Gabriel faz parte do time de empreendedores que não pretendem expandir o negócio por meio de franquias. Habituado a receber muitos contatos de interessados em abrir unidades no Brasil e até no exterior, Gabriel não descarta um projeto de franquias no futuro, mas, por enquanto, a expansão segue com lojas sob administração familiar.

Atualmente, O Hocca tem unidades no Mercadão, no Mooca Plaza Shopping, no São Bernardo Plaza Shopping, e a mais recente no Iguatemi Campinas, em janeiro deste ano. O plano é inaugurar mais duas unidades até o fim de 2018 – uma em Moema e outra Orlando, dentro do Florida Mall, um dos principais shoppings da cidade.

De acordo com Gabriel, a entrada do Hocca em praças de alimentação veio para que o negócio tivesse mais flexibilidade de horários, mais facilidade de estacionamento e também para renovar o conceito do “Fast Food”.

O Hocca hoje também comercializa produtos da marca como a pimenta Hocca, o azeite extra virgem português, e sua premiada cachaça que por dois anos foi medalha de prata no San Francisco World Spirits Competition, nos Estados Unidos.

FOTOS: Divulgação e Paulo Fleury/Circuito Fechado