Negócios

Lama e caos em São Paulo. Varejo perde R$ 110 milhões


Empresários relatam perdas para a chuva que cai na capital paulista desde domingo, 9/02


  Por Estadão Conteúdo 10 de Fevereiro de 2020 às 14:05

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A chuva que atinge São Paulo desde a noite deste domingo, 9/02, causa estragos pela cidade visíveis nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira, 10. Algumas empresas, principalmente as localizadas próximas à Marginal Tietê e Marginal Pinheiros, nas zonas sul e oeste da capital, amanhecerem debaixo de água.

Enquanto tentam se organizar para manter ao menos parte de sua operação, os negócios contabilizam os prejuízos com a inundação e a falta de funcionários, que não conseguiram chegar ao trabalho. O varejo da Região Metropolitana de São Paulo, da Capital, ABCD paulista, Guarulhos e Osasco deve deixar de faturar nesta segunda-feira R$ 110 milhões por causa da situação, segundo projeções da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomércioSP).

De acordo com o assessor econômico da Fecomércio-SP, Guilherme Dietze, essa cifra corresponde a 11% do receita de um dia das lojas instaladas nessas regiões e 0,40% do faturamento mensal. Nesse cálculo, o economista considerou lojas que não foram abertas por falta de funcionários, outras que abriram, porém com o quadro de pessoal incompleto e deve registrar movimento muito fraco.

Segundo Dietze, os segmentos mais afetados pelas chuvas são supermercados, farmácias e de compras por impulso, como artigos de vestuário. Já itens de maior valor, como eletrodomésticos, devem ter as compras adiadas.

'PERDI TUDO'

O empresário Marcio Daré, de 40 anos, perdeu tudo na enchente que atingiu a grande São Paulo. Ele tem uma companhia de desenvolve maquinários especiais e trabalha com robôs nas cidade de Osasco, na Grande SP. "Estimo que meu prejuízo foi de mais de R$ 1 milhão", conta.

A MCK Automação Industrial funciona em um condomínio comercial que reúne cerca de 30 galpões. "Todas as empresas foram afetadas", conta Daré. Ele tem 130 funcionários e diz que vai passar o dia contabilizando os prejuízos. "Tenho seguro, mas não sei se o seguro vai cobrir esse tipo de episódio. Há pessoas que trabalham no condomínio há mais de 20 anos e contam que nunca viram uma enchente assim. Eu mesmo nunca vivi nada parecido", diz.

Daré afirma que a preocupação é não só com o dia de hoje, mas com os próximos. "Tenho várias encomendas, máquinas de clientes. Não sei como vou entregar isso e nem como vai ser o futuro da companhia. Uma tragédia dessas fez com que muitas pessoas fossem prejudicadas e muitas podem mesmo a vir ficar desempregadas", diz.

Fabio Luís Schaderle, dono do restaurante Jaguar, no bairro paulistano de Campos Elíseos, decidiu não abrir as portas nesta segunda. Metade da equipe de funcionários não conseguiu chegar ao trabalho. Também não foram entregues os hortifrutis, que ele compra diariamente.

Schaderle, que mora perto do restaurante, na região central, teve de ir a pé até o local, porque não conseguiu táxi nem carro de aplicativo. O empresário diz que não é possível calcular o prejuízo por causa das chuvas. Segundo ele, as perdas não deve se restringir às cerca de 60 refeições diárias que vai deixar de servir. "Estou preocupado com a perda do estoque também", explica.

Normalmente, ele tem produtos para um ou dois dias. No caso dos hortifrutis, que são abastecidos diariamente, o empresário está apreensivo com o aumento de preços desses itens que deve ocorrer por causa das perdas e da oferta menor. "Vou ter de mudar o cardápio", prevê.

 

IMAGEM: Agência Brasil