Negócios

Itaú adquire unidade de varejo do Citibank Brasil por R$ 710 mi


A conclusão da operação está sujeita a aprovações do Banco Central e do Cade


  Por Estadão Conteúdo 08 de Outubro de 2016 às 14:01

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


O Itaú Unibanco confirmou neste sábado (08/10), por meio de fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a compra da unidade de varejo do Citibank no Brasil, por R$ 710 milhões.

De acordo com o documento, a compra envolve o varejo voltado a pessoas físicas, incluindo empréstimos, depósitos, cartões de crédito, agências, gestão de recursos e corretagem de seguros. Também estão no pacote as participações societárias detidas pelo Citibank na Tecban (5,64% do capital social) e na Cibrasec (3,60% do capital).

O Itaú informa que a operação envolverá a reestruturação societária de algumas sociedades do conglomerado Citibank, de modo que o negócio de varejo no Brasil seja cindido e transferido para sociedades que serão objeto da aquisição.

A operação de varejo do Citibank conta com 71 agências e aproximadamente 315 mil clientes correntistas, com R$ 35 bilhões entre depósitos e ativos sob gestão (valores brutos na data-base de 31 de dezembro de 2015), além de 1,1 milhão de cartões de crédito e R$ 6 bilhões de carteira de crédito.

Com essa aquisição, o Itaú Unibanco afirma que passará a ter R$ 1,404 trilhão em ativos. "O impacto no capital principal do Itaú Unibanco decorrente desta transação é estimado em aproximadamente 40 bps (Índice Basileia III Full)", de acordo com informações do banco no fato relevante.

A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo a obtenção das aprovações do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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"Não se espera que essa operação acarrete efeitos relevantes nos resultados deste exercício social", de acordo com o Itaú. O banco informa ainda que, concluída a operação, os clientes do Citibank continuarão a usufruir da mesma eficiência e qualidade no seu atendimento.

Por meio de nota enviada à imprensa, o Citi afirma não esperar que os termos financeiros da transação sejam relevantes para os resultados globais do conglomerado. Após a conclusão da transação, o Citi continuará atendendo aos clientes de Corporate and Investment Banking, Commercial Bank e Private Bank no país.

"O Brasil é um mercado estratégico para o Citi e parte essencial da nossa presença e rede globais", diz Jane Fraser, executivo-chefe do Citi Latin America.

"Estamos no Brasil há mais de 100 anos e continuaremos a crescer a nossa franquia líder de mercado, servindo nossos clientes institucionais e de private banking, alavancando nossa presença global e gerando melhores retornos sobre nossos ativos e capital para os nossos acionistas."

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O Itaú Unibanco estava em negociações exclusivas com o banco norte-americano há cerca de duas semanas, mas os detalhes do acordo só foram acertados nos últimos dias, de acordo com fontes com conhecimento da operação.

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A colunista do Estadão Sonia Racy noticiou nesta sexta-feira (07/10) que o valor pago pelo Itaú deveria ficar bem abaixo dos R$ 1,5 bilhão sonhado pelo banco norte-americano.

Na semana passada, o Itaú anunciou sua 25ª aquisição, ao comprar a fatia de 40% do BMG na joint venture que constituiu com o banco mineiro na área de crédito consignado (com desconto em folha).

O crescimento do Itaú nas negociações pelo varejo do Citi surpreendeu o mercado, que tinha o Santander como o favorito para levar o ativo após perder a disputa pelo HSBC para o Bradesco.

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Pesou no apetite do banco, de acordo com fontes, a base de clientes de alta renda do Citi e a sobreposição com os seus clientes, fora o relacionamento com o vendedor. Em 2013, o Itaú comprou a Credicard por R$ 2,8 bilhões.

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O banco também tem demonstrado maior apetite por aquisições em meio à crise no país, que dificulta o crescimento orgânico. Como consequência, o Itaú acumula mais de R$ 60 bilhões de sobra de capital oriunda, principalmente, da baixa demanda por crédito.

Ao final de junho, o Itaú somava quase R$ 136 bilhões de patrimônio de referência, praticamente o dobro do montante mínimo requerido pelo regulador em seu caso, de cerca de R$ 74 bilhões. Sua Basileia, que mede quanto um banco pode emprestar sem comprometer o seu capital, está em 18,1%, bem acima dos 11% mínimos exigidos pelo Banco Central.

A expectativa do Citi era concluir a venda das suas operações de varejo no Brasil, Argentina e Colômbia ainda em setembro. O banco norte-americano informou a intenção desses desinvestimentos em 19 de fevereiro deste ano. A operação do Citi na Colômbia é negociada com o Scotiabank e na Argentina, com o Santander.

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Foto: Thinkstock





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