Negócios

Irmãs criam garapa de caixinha, que vai parar no Japão


De família tradicional no cultivo de cana-de-açúcar, Ana Carolina (à dir.) e Ana Maria largaram a carreira para produzir a bebida que, em poucos meses, chegou a cinco países


  Por Mariana Missiaggia 25 de Julho de 2016 às 13:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Depois da água de coco, do açaí, e do suco de laranja, é a vez do caldo de cana chegar às gôndolas dos supermercados em uma versão industrializada.

A ideia surgiu durante um almoço da família Leite – uma das principais produtoras de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo.

Mesmo distante da rotina dos negócios da família, as irmãs Ana Carolina Leite Viseu, administradora, e Ana Maria Leite, jornalista, sempre tiveram o desejo de descobrir uma maneira de aumentar a durabilidade da garapa de forma natural, e sem conservantes.

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Durante três anos, elas pesquisaram sobre o tema, e visitaram universidades. Foi quando decidiram fundar a Acana Bebidas – uma ramificação da empresa do patriarca Joaquim Leite, que desde a década de 1950 fornece matéria-prima para usinas.

Com uma plantação própria, a Fazenda Santa Lourdes, em São Carlos, a 240 quilômetros de São Paulo, pertence à família desde 1897, e é responsável por 40% da cana in natura que entra na cidade de São Paulo.

Foi em meio aos canaviais dos Leite, que a dupla encontrou a combinação perfeita entre algumas das 40 espécies de cana plantadas no local, para chegar na doçura exata que elas buscavam para o produto.

GARAPA DE CAIXINHA: PRODUZIDA EM SÃO CARLOS

O suco é produzido dentro da própria fazenda Santa Lourdes, onde a dupla construiu uma fábrica para extrair o caldo, e pasteurizar e envasar a bebida.

Vendidas em embalagens de um litro, cada caixa contém o suco de três a quatro canas. A cada mil quilos da planta são produzidos 600 litros de suco, de acordo com Ana Maria. 

Apesar de toda a complexidade envolvida no processo industrial, Ana Maria conta que a maior dificuldade foi encontrar uma embalagem Tetra Pak que vetasse qualquer contato da bebida com a luz do sol. Isso porque a iluminação é responsável por amargar e escurecer o líquido. 

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Hoje, cerca de 20% de toda a cana que é cultivada na fazenda tem como destino a fabricação da garapa. O restante é vendido para a produção de álcool, e açúcar. 

NAS PRATELEIRAS

O lançamento do produto em setembro de 2015 demandou um investimento de R$ 2 milhões, e de imediato foi parar nas prateleiras do Carrefour, Walmart, St Marche e Zaffari. 

GARAPA ACANA À VENDA NO EATALY

Envasado em caixinha, o caldo concorre diretamente com os sucos de frutas prontos – um mercado que cresceu 65% nos últimos cinco anos, e movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano, no Brasil, com a comercialização de mais de 1 bilhão de litros de suco, de acordo com o Sincogel (Sindicato da Indústria Alimentar de Congelados, Supergelados, Sorvetes, Concentrados e Liofizados do Estado de São Paulo).

Sem verba suficiente para uma estratégia de marketing, elas recorreram às redes sociais, e a degustação em supermercados. 

Exportar não era exatamente um plano, mas se tornou uma estratégia frente à variação cambial.

O Japão foi o primeiro a importar a bebida, em janeiro passado –uma safra de 25 mil litros. Em poucos meses países como Bélgica, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos entraram para a lista da Acana Drinks.

"Além dos brasileiros que vivem lá fora, acreditamos que por se tratar de um produto exótico deve atrair consumidores em busca de novidades com apelo saudável".

Apesar dos números alcançados, Ana Maria afirma que a marca, responsável por faturamento mensal de R$ 250 mil, ainda tem potencial para crescer mais. 

Um dos objetivos é chegar a 2017 atingindo a capacidade total de produção da fábrica, de 400 mil litros por mês –o dobro da atual.

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*Fotos: Wellington Nemeth






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