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Internauta escolhe: mais música, menos vídeo


Nos Estados Unidos, maior mercado do mundo, o streaming de música bateu o de vídeo. A indústria da música comemora os primeiros resultados positivos depois de 15 anos de crise e batalhas perdidas


  Por Redação DC 07 de Julho de 2016 às 08:39

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Primeira grande vítima da revolução digital, a indústria da música começou a dar a volta por cima no primeiro semestre de 2016 graças aos serviços de streaming exclusivos de música, como Spotify, Tidal, Apple Music e Rhapsody. 

De acordo com pesquisa divulgada pela empresa especializada BuzzAngle Music, pela primeira vez, os americanos consumiram mais música em streaming do que vídeos na internet. 

O resultado premia um esforço de anos da indústria para convencer os internautas a consumir música nas plataformas exclusivas de áudio e não nos sites de vídeos, como o YouTube, do Google. 

No primeiro semestre do ano, segundo o levantamento, houve um crescimento de 107% no segmento, em relação ao ano passado. 

Os americanos ouviram 114 bilhões de músicas nos serviços de streaming de áudio (crescimento de 58%), contra 95 bilhões de músicas em streamings de vídeo (aumento de 23%). 

Em 2015, início da recuperação, eram em torno de 58 bilhões de músicas, contra 77 bilhões respectivamente. Os Estados Unidos são o maior mercado de música do mundo.

O crescimento acelerado dos serviços de conteúdo on demand, no entanto, significou mais um golpe no modelo tradicional da indústria fonográfica. A venda de álbuns teve queda em 2015 de 14%, sendo que a de músicas digitais caiu 17,7% e a de CDs físicos, 9,3%. 

Embora signifique a redenção da indústria da música, que teve em 2015 seu primeiro ano de crescimento relevante desde a popularização da internet, o streaming vem sendo duramente criticado pelos artistas. 

Figuras de projeção mundial, como Paul McCartney e Taylor Swift e outras estrelas que recentemente assinaram um manifesto, reclamam do baixo retorno neste tipo de plataforma, em particular do Spotify. Para se defender, os executivos da indústria ressaltam que os sites de vídeos são ainda mais avarentos na remuneração. 

A sueca Spotify, a plataforma mais conhecida para ouvir música online, divulgou ter 89 milhões de usuários ativos em todo o mundo no final de 2015. Desse total, 28 milhões consomem no modelo pago.