Negócios

Indústria sinaliza que deixou o fundo do poço


76% dos fabricantes do setor de eletroeletrônicos esperam que 2018 será de crescimento. No ramo de máquinas e equipamentos, o faturamento avançou 10% em outubro, na comparação interanual


  Por Estadão Conteúdo 29 de Novembro de 2017 às 17:00

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Indicadores de alguns segmentos da indústria começam a mostrar que a crise ficou para trás. A melhora na expectativa dos empresários dos ramos de elétrica e eletrônicos e o forte crescimento do faturamento dos fabricantes de máquinas e equipamentos são alguns dos exemplo dessa retomada.

Para as indústrias do segmento de elétrica e eletrônicos o ano de 2018 será de crescimento, segundo pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O levantamento aponta que 76% das empresas consultadas reportaram expectativa de crescimento do setor.

Ainda com vistas em 2018, 18% dos entrevistados afirmaram sua crença na estabilidade da produção e vendas das suas empresas e 6% estão preparados para registrar queda em seus balanços. A sondagem ouviu executivos de 100 empresas do setor fabricante de materiais e equipamentos elétricos e eletrônicos no decorrer da primeira quinzena de novembro.

Não estão inseridos no contexto do levantamento, portanto, os resultados da Black Friday.

Numa menor proporção, a sondagem também apontou otimismo para este ano, com 60% das empresas projetando crescimento para 2017 da produção e vendas. Outros 11% disseram esperar que o setor encerre este ano com estabilidade e 29% preveem queda.

Também foi identificado nesta pesquisa que 47% das companhias entrevistadas devem ampliar os investimentos em 2018, 43% planejam manter no mesmo patamar de 2017 e 10% têm expectativa de redução.

De acordo com Humberto Barbato, presidente da Abinee, o bom momento do setor eletroeletrônico pode ser verificado em outros indicadores. Até outubro, foram gerados mais de 4 mil postos de trabalho pela indústria elétrica e eletrônica. No acumulado de janeiro a setembro, a produção apresentou crescimento de 4,7%.

O resultado foi mais favorável do que o registrado pela industrial geral, que ampliou em 1,6% seu quadro de funcionários e pela indústria de transformação, que aumentou o número de trabalhadores em 1%.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Outro levantamento, este da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), mostra que o faturamento do setor subiu 10% em outubro, comparativamente a igual período de 2016. Frente a setembro, porém, as vendas, entre entregas domésticas e exportações, ficaram perto da estabilidade, com leve queda de 0,4%.

As fábricas de bens de capital mecânicos fecharam outubro com faturamento de R$ 5,79 bilhões, o que leva para R$ 55,93 bilhões o total faturado nos dez primeiros meses do ano, ainda um recuo de 3,1%.

As exportações, que somaram US$ 897,4 milhões no mês passado, favoreceram o desempenho de outubro, com alta de 49,5% na comparação com o mesmo período de 2016.

Ainda na comparação interanual, o consumo interno de máquinas, que inclui as importações, segue em baixa, mostrando recuo de 5,3% no mês passado, quando totalizou R$ 7,07 bilhões. De janeiro a outubro, as compras de bens de capital no Brasil, um termômetro dos investimentos das empresas nas linhas de produção, registraram queda de 20,4%, para R$ 71,16 bilhões.

Comparativamente a outubro de 2016, as importações mostraram alta de 2,3% no mês passado, para US$ 1,14 bilhão. Por conta do avanço das exportações, o déficit comercial, de US$ 241 milhões em outubro, teve um recuo de 53% frente ao saldo negativo de um ano antes.

No acumulado de janeiro a outubro, o déficit comercial dos bens de capital foi de US$ 3,02 bilhões, 51,6% abaixo do montante negativo de um ano atrás. O número do acumulado do ano é resultado da queda de 19,9% das importações, que somaram US$ 10,62 bilhões nos dez meses, combinada ao aumento de 13,1% das exportações, para US$ 7,36 bilhões.

O balanço da Abimaq revela ainda que a utilização da capacidade instalada nas fábricas de máquinas chegou a 74,1% em outubro, acima dos 65,6% de um ano atrás. A ocupação no setor, no mesmo intervalo de tempo, caiu 3,8%. A indústria de máquinas terminou o mês passado empregando 290,8 mil pessoas.

IMAGEM: Thinkstock