Negócios

Ibevar lança ranking de empresas mais eficientes do varejo


Pão de Açúcar, Carrefour, Makro e Formosa, de Belém do Pará (na foto), se destacam no setor de supermercados e atacado


  Por Fátima Fernandes 14 de Agosto de 2015 às 08:00

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Se alguém pedir para você tentar adivinhar quais são as empresas de supermercados mais eficientes do Brasil, muito provavelmente, você deve citar, entre elas, Pão de Açúcar e Carrefour, até porque elas são algumas das maiores redes deste setor, com faturamento de R$ 72,3 bilhões e R$ 37,9 bilhões, respectivamente, em 2014.

Se elas estão na sua lista, você acertou. O Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo) acaba de divulgar o ranking de eficiência das empresas de varejo e, no setor de supermercados, hipermercados e atacado, Pão de Açúcar, Carrefour e também a rede Makro aparecem no topo da lista.

Mas existe uma rede considerada pelo Ibevar tão eficiente quanto essas três gigantes e da qual, muito provavelmente, você sequer ouviu falar. Trata-se da Formosa Supermercados, uma empresa com apenas três lojas de Belém do Pará (PA), com faturamento anual de R$ 800 milhões, e que completa 40 anos em 2015.

Para criar o ranking de eficiência, o Ibevar considerou um grupo de 120 redes de varejo e fez uma relação entre o número de lojas e o de funcionários com o faturamento das empresas. Esse indicador revela, segundo Claudio Felisoni, presidente do Ibevar, a capacidade de uma empresa de varejo transformar o número de lojas e de funcionários em faturamento.

CLAUDIO FELISONI: VAREJO AINDA ESTÁ MUITO CONCENTRADO NO BRASIL

 

Há muitos outros indicadores que mostram a eficiência de uma rede, diz ele, como a capacidade de gerar lucro em relação ao faturamento, o que não está sendo considerado no atual indicador.

A rede Formosa, que pertence à família Oliveira, obteve a mesma pontuação máxima (1,000) obtida por Pão de Açúcar, Carrefour e Makro. A rede Walmart já está listada com uma pontuação menor (0,703), assim como a rede Záffari (0,847) e o atacado Roldão (0,800).

Com cerca de 3.000 funcionários, a rede Formosa informa que o grande diferencial da empresa, com área total de vendas de 23,7 mil metros quadrados, é a oferta de serviços que oferece ao cliente, além da variedade de produtos, que atende tanto ao público de menor (mais de dez marcas de arroz) como o de maior poder aquisitivo (vinhos chilenos e azeites importados).

“Quem vem às nossas lojas pode ainda abastecer o carro, comprar um medicamento na farmácia, consertar o pneu. Nós também alugamos uma parte do espaço para lojas de serviços, como lavanderias e oficinas de costura. Queremos ser cada vez mais eficientes para os clientes”, diz Rejane Andrade, gerente de marketing da rede.

O casal de portugueses José e Maria Oliveira, que chegou ao Brasil há cerca de 50 anos, e os três filhos, Rogério, Paulo e Américo, tocam a rede Formosa, que deve inaugurar a sua quarta loja neste ano. Por enquanto, diz Rejane, a concorrência é só com supermercados da região. As grandes redes, como Carrefour e Walmart, ainda não 'descobriram' a cidade.

ELETROELETRÔNICOS

No ranking de eficiência do setor de eletroeletrônicos e móveis também surgem nomes desconhecidos ao lado de gigantes. Na lista das empresas com pontuação máxima (1,000) estão Lojas Americanas, Via Varejo (Ponto Frio e Casas Bahia), Fast Shop, Tok & Stok, além de Fujioka Eletro Imagem e Lojas Koerich.

Grandes redes, como Magazine, Lojas Cem e Máquinas de Vendas já aparecem com um índice menor de eficiência, de 0,661, 0,541 e 0,435, respectivamente.

No setor de drogarias e perfumarias, as empresas que receberam a pontuação máxima foram O Boticário, Raia Drogasil, Drogaria São Paulo, Imed (Panvel), Drogaria Catarinense e Drogaria Onofre. No setor de moda e esportes, as líderes são Casas Pernambucanas, C&A, Renner, Grupo Guararapes (Riachuelo), Havan, Arezzo & Co e Lojas Avenida.

IMAGEM

O Ibevar também elaborou um ranking sobre as manifestações positivas das empresa geradas na internet e a capacidade de repercussão dessas boas notícias nas redes sociais. Quem ganhou como a rede mais bem falada na internet foi a Magazine Luiza, com uma pontuação de 100.

O segundo lugar ficou com a rede Leo Madeiras (91,4), seguida por O Boticário (89,3), C&C (37,2), Telhanorte (36), entre outras. As redes Walmart e Lojas Cem ficaram com as últimas colocações, com uma pontuação de 7,6 e 6,5, respectivamente.

“Temos uma equipe alinhada com o espírito da empresa para se comunicar com nossos clientes nas redes sociais. Também humanizamos essa relação com nossa personagem virtual, a Lu, que interage nos mais variados canais da internet com muita informação e conteúdo”, afirma Marcelo Silva, CEO da rede Magazine Luiza.

Desde 2008, a Leo Madeiras tem feito um trabalho com mídias digitais com o objetivo de fomentar o mercado de marcenaria e fortalecer a importância do setor no mercado imobiliário.

A rede possui a TV Leo no Youtube, com conteúdos para agregar valor aos projetos de marcenaria. “Hoje, disponibilizamos vídeos que abordam temas de gestão em marcenaria, treinamentos, cursos, lançamentos de produtos, novidades do setor e soluções sob medida para os clientes”, diz Andrea Seibel, diretora da Leo Madeiras.

Atualmente, diz ela, a demanda de imóveis com pequenos espaços aumentou. “E projetar um ambiente com restrição de medidas só mesmo um marceneiro, que inova, personaliza e cria móveis versáteis para atender qualquer tipo de projeto”, diz.

Para elaborar o ranking de eficiência e de imagem na internet, o Ibevar considerou 120 das maiores redes de varejo do país. Juntas, elas faturaram R$ 424,1 milhões no ano passado, 11,8% a mais do que em 2013, e participaram com 30,6% do consumo de bens.

Com o aperto no orçamento das famílias, o Ibevar identificou que o pagamento à vista praticamente não existe na maioria dos 11 setores do varejo considerados. O uso de cartão de crédito e carnê já ultrapassa 50% das vendas de carros, eletrodomésticos eletroeletrônicos e telefones celulares. No setor de vestuário, atinge 45% e, de material de construção, 38%.

Das 120 redes pesquisadas, 53% utilizam multicanais (lojas físicas e virtuais), 46%, multiformatos (lojas grandes, pequenas, quiosques) e 45%, multibandeiras. Apenas oito grupos operam mais de 1.000 lojas e apenas oito grupos possuem lojas em todos os 27 Estados do Brasil, “ o que revela a grande concentração do setor”, diz Felisoni.