Negócios

Há uma luz no fim do túnel para o varejo paulista


Após o recuo de 9% em abril, a expectativa é de redução do ritmo de queda nas vendas, já que a confiança do consumidor está melhorando aos poucos


  Por Mariana Missiaggia 04 de Julho de 2016 às 19:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O mês de abril não foi nada bom para o comércio e, ao que tudo indica, pode ser o mês no qual as vendas atingiram o fundo do poço.

“Apesar de não termos crescimento nas vendas em 2016, a perspectiva para os próximos meses é de arrefecimento dessa desaceleração”, diz Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP.

O volume de vendas do varejo ampliado do Estado de São Paulo, que inclui lojas de automóveis e materiais de construção, registrou um recuo de 9% em abril na comparação com março, de acordo com o boletim AC Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Este foi o quarto desempenho negativo do setor. Em março, o varejo ampliado recuou 5,6%. Em fevereiro, 6,2%. O pior mês do ano, antes de abril, foi janeiro, quando as vendas caíram 13,1%. 

No acumulado do ano, o volume de vendas do varejo no Estado de São Paulo diminuiu 7,6% na comparação com igual período do ano passado. Ainda assim, de janeiro a abril, o faturamento do setor cresceu 0,8%. 

Confrontando abril deste ano com igual mês de 2015, as vendas aprofundaram a queda para 13%. Com isso, o faturamento dos lojistas encolheu 3,5%.

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As receitas nominais do varejo restrito (que exclui automóveis e material de construção), e do ampliado da cidade de São Paulo diminuíram em 7,1% e 8,9%, respectivamente, frente a abril de 2015.

Além de abril ser um mês tradicionalmente mais fraco para as vendas do varejo, uma conjunção muito ruim de fatores, como queda na renda, alta das taxas de desemprego, a escassez do crédito e consequentemente, a queda na confiança do consumidor, influenciaram o resultado, afirma o economista da ACSP.

O cenário menos pessimista, segundo Gamboa, é explicado pela recuperação da confiança do consumidor, que está em curso, o bom desempenho das vendas de itens de consumo essencial (de supermercados e farmácias) e a baixa base de comparação de 2015.

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SETORES 

Na comparação com abril do ano passado, novamente houve contração no volume de vendas do Estado em todos os setores considerados, com mais intensidade nas lojas de vestuários, tecidos e calçados (-31,4%), lojas de móveis e decorações (-24,4%) e concessionárias de veículos (-22,7%).

Na capital, o movimento foi parecido. Na mesma base de comparação anterior, as principais quedas nas vendas foram registradas em lojas de vestuários, tecidos e calçados (-31,4%), lojas de móveis e decorações (-24,4%) e concessionárias de veículos (-22,7%).