Negócios

Grupo Semaan: da 25 de Março para os shoppings


Com 60 anos de experiência na área do comércio popular mais famosa do país, varejista agora foca no segmento premium com a Coleciona, especializada em itens do universo nerd e infanto-juvenil


  Por Karina Lignelli 22 de Fevereiro de 2021 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Varejista característico da 25 de Março, o Grupo Semaan, empresa familiar na ativa há 60 anos na região de comércio popular mais famosa do Brasil, cresceu apostando na tríade variedade, quantidade e preço. 

Agora, a rede de atacado e varejo que trabalha com brinquedos, puericultura, itens de época, festas, utilidades domésticas, presentes e variedades decidiu diversificar e focar na expansão através de shoppings premium. 

E com uma outra marca, a Coleciona Brinquedos, especializada em itens colecionáveis do universo nerd e infanto-juvenil, como bonecos, jogos e artigos com temática de super-heróis, séries, quadrinhos e animes.  

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A proposta da Coleciona surgiu há 20 anos na loja Semaan da rua Barão de Duprat, a primeira do grupo fundada pelo libanês Semaan Mouawad, na ativa até hoje. Chegou até a ter uma unidade na rua Augusta.  

De dois anos para cá, porém, o grupo alterou a rota, decidiu desbravar o varejo de shoppings e viu oportunidade de abrir a primeira loja com esse formato no Vila Olímpia, na Zona Sul da capital paulista. 

Ao atuar em um mercado que faturou R$ 20 bilhões no Brasil em 2019 - o de produtos licenciados -, a Coleciona mostrou que o grupo estava no caminho certo. E, na contramão do cenário de pandemia, inaugurou mais duas lojas da marca ao longo de 2020: uma no shopping Iguatemi Campinas, e outra no Anália Franco.

DETALHE DE UMA DAS LOJAS: BONECOS, 
JOGOS E OUTROS ITENS COLECIONÁVEIS

O aumento da vacância no setor provocado pela crise da covid, que levou ao fechamento de centenas de lojas em centros de compras e fez os preços de pontos comerciais despencarem, contribuiu para facilitar essa estratégia, conta o sócio Marcelo Mouawad, responsável pelas áreas comercial e de marketing do grupo.   

"Muitos proprietários negociaram aluguéis, prorrogarem pagamentos... Mas houve quem ficou com espaços vazios, e como a gente estava um pouco mais bem posicionado, conseguimos algumas vantagens", afirma.   

Mesmo com a loja em Campinas, a expansão se concentrará na Grande São Paulo. "Nossos concorrentes não são especializados em colecionáveis. Então temos espaço para caprichar e atender bem o público daqui." 

UM PASSO DE CADA VEZ

Da lojinha de 30 metros quadrados que começou em 1961, hoje o Grupo Semaan tem seis lojas espalhadas pela capital paulista e em Campinas, e oferece um portfólio de mais de 30 mil itens em diversas categorias.

Além das três unidades da Coleciona, atende a pessoas jurídicas com a Semaan Distribuidora, lojistas e atacadistas em geral na Semaan Pari, e consumidores finais, no varejo, com a Semaan 25 de Março. 

Assim como muitas lojas da 25, a região das 'experiências de compra', o grupo já teve um e-commerce que, nos anos bons não ultrapassava 10% do negócio, segundo Marcelo Mouawad. Mas fechou há três anos. 

Com a quarentena, o grupo reciclou as filiais e retomou as vendas on-line de forma tímida, no Mercado Livre. E sem maiores custos. "No marketplace, pelo menos, conseguimos tanto colocar como lançar produtos", diz.   

Mas, enquanto as vendas caíram no varejo, no atacado, que representa quase 80% dos negócios do Grupo Semaan, elas se mantiveram. Primeiro, através da distribuição por representantes, que abasteciam comércios essenciais como farmácias, supermercados e revendedores de fraldas e artigos para bebês.  

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Em segundo, com representatividade menor, os pequenos empreendedores, que em geral perderam o emprego na pandemia e passaram a vender on-line, movimentando muito o braço de atacado da Semaan. 

O PAI, SEMAAAN, MARCELO E A MÃE, TEREZINHA:
FAMÍLIA MOUAWAD UNIDA NOS NEGÓCIOS

Mas, enquanto as vendas através de distribuidores deram um fôlego extra para colocar em prática o plano de expansão no varejo via Coleciona, adotar a estratégia de virar uma espécie de 'atacarejo' para atender às novas pequenas lojinhas de Instagram que procuram a Semaan ainda é uma incógnita. 

A alta nesse movimento é um reflexo da abertura desse tipo de negócio durante a pandemia, explica Mouawad, que também é porta-voz da Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências).

"E pode ser uma tendência, mas se vai vingar, ninguém sabe", afirma.   

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Dando um passo de cada vez porque a pandemia continua, e sem revelar números, Mouawad, o mais velho dos cinco filhos do sr. Semaan, reforça que a abertura de lojas Coleciona em shoppings continua.  

Mas as novas aberturas só se concretizarão se forem em pontos mais baratos, a princípio. "Senão, não adianta: estamos tentando sobreviver nesses tempos difíceis. Mas seguimos procurando: se tiver, vamos abrir." 

FOTOS: Divulgação e Arquivo pessoal





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