Negócios

Grupo Caoa compra 50% da chinesa Chery no Brasil


Ao investir R$ 60 milhões na aquisição, o objetivo da Caoa, presidida por Mauro Correia (foto) é lançar novos produtos a partir de 2018 e atingir, em cinco anos, 5% de participação de mercado


  Por Estadão Conteúdo 11 de Novembro de 2017 às 17:20

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O grupo Caoa, que controla concessionárias de três marcas e produz automóveis da Hyundai em Anápolis (GO), decidiu apostar no crescimento da chinesa Chery no Brasil.

A empresa brasileira adquiriu 50% da operação local da montadora chinesa, conforme acordo anunciado neste sábado (11/11).

A companhia pagará cerca de US$ 60 milhões pelo negócio, que inclui uma fábrica na cidade paulista de Jacareí e a rede de revendas.

Inaugurada em junho de 2014, pouco antes da eclosão da crise econômica que fez o Produto Interno Bruto (PIB) recuar nos três anos seguintes, a fábrica da Chery consumiu US$ 400 milhões em investimentos e tem capacidade para produzir até 50 mil carros por ano.

A companhia, no entanto, nunca chegou a montar mais de 10 mil unidades ao ano. A Chery buscava um sócio para a operação brasileira desde o início do ano passado.

A Caoa começou a negociar a parceria com os chineses ainda em 2016, afirma Mauro Correia, presidente do grupo.

Depois de um período em que as conversas foram interrompidas, as partes voltaram a se falar neste ano.

Entre idas e vindas, o executivo diz que as conversas levaram menos de 18 meses, o que ele considera um período curto para um acordo desse porte. A nova empresa passará a se chamar Caoa Chery.

Correia espera que o conhecimento que a Caoa tem do mercado local possa ajudá-la a concretizar projetos que a Chery, sozinha, não conseguiu levar adiante.

Além de produzir carros da Hyundai, a companhia nacional tem concessionárias da marca coreana, da japonesa Subaru e da americana Ford.

PLANOS

 

MODELO TIGGO, SUV DA CHERY
SUV TIGGO DEVE SER UMA DAS NOVIDADES

De acordo com Correia, os planos para os próximos anos são ambiciosos: o objetivo da Caoa é lançar novos produtos a partir de 2018 para chegar, depois de um período de cinco anos, a uma participação de 5% no mercado brasileiro de automóveis.

 

"Vamos complementar o portfólio e também reforçar a rede de distribuição, além de usar a nossa capacidade de marketing", diz o executivo. "Acredito que essa meta é até conservadora."

Atualmente, a Chery tem apenas dois modelos produzidos no Brasil: o QQ, carro mais barato do País, e o Celer. A companhia tem na manga outros produtos que teriam boa aceitação no Brasil, de acordo com Correia.

Os automóveis da chinesa poderiam ser opção de bom custo-benefício para que consumidores que hoje usam carros mais básicos possam ter acesso a opções de veículos de maior valor agregado.

"Vamos oferecer produtos com tecnologia de ponta e design moderno para que o consumidor possa acessar uma nova categoria, a preços bem competitivos", diz o presidente da Caoa.

TIGGO

O executivo não revelou quais modelos pretende trazer ao Brasil, mas a própria Chery chegou a anunciar investimentos ambiciosos em projetos como o SUV Tiggo, que acabaram sendo adiados por causa da forte retração do mercado no País.

A produção da pré-série do utilitário-esportivo teve início em julho, na fábrica de Jacareí (SP). Por ora, os carros que estão saindo da planta servem para alinhar a montagem e os processos de fabricação.

 

 

Segundo as informações divulgadas pela Chery durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado, o Tiggo 2 será rival de SUVs compactos como Ford EcoSport, que parte de R$ 76.990, e Renault Duster, cuja tabela começa em R$ 69.490.

 

O Tiggo 2 será vendido no Brasil com motor 1.5 e, inicialmente, câmbio manual. A opção de transmissão automática CVT (com relações continuamente variáveis) será oferecida após alguns meses do lançamento. De série, o utilitário trará itens como airbags laterais e controle de estabilidade, entre outros.

Atingir a meta de 5% de mercado faria a Chery ter uma fatia superior à exibida hoje por concorrentes como a Nissan e a Jeep -que detêm, respectivamente, 2,98% e 3,87% do total de emplacamentos de veículos, segundo o relatório da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) referente a outubro.

Hoje, a liderança do setor de veículos é da americana General Motors, com 19,33%, seguida pela Ford (11,07%), Volkswagen (10,71%), Hyundai (10,31%) e Fiat (8,93%).

FOTOS: Patricia Cruz e José Patrício/Estadão Conteúdo