Negócios

Greve dos caminhoneiros bloqueou a recuperação do varejo


Levantamento da Boa Vista SCPC mostra que, em maio, as vendas no comércio varejista brasileiro recuaram 0,8% na comparação com abril


  Por Redação DC 21 de Junho de 2018 às 15:50

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O Indicador Movimento do Comércio, que acompanha o desempenho das vendas no varejo em todo o Brasil, caiu 0,8% em maio na avaliação mensal dessazonalizada, de acordo com os dados apurados pela Boa Vista SCPC. O indicador vinha de duas altas consecutivas, 0,2% em abril e 0,3% em março.

No acumulado em 12 meses, o indicador avançou 4,1% (junho de 2017 até maio de 2018 frente ao mesmo período do ano anterior). Já na comparação com maio do ano anterior, houve queda de 2%.

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Os resultados de maio confirmam os impactos da greve dos caminhoneiros sobre a atividade varejista, destacando-se o choque negativo em combustíveis.

As turbulências ocorridas no mês reduzem a confiança do consumidor, que também sofre os impactos do mercado de trabalho ainda fragilizado. Tais movimentos denotam uma diminuição das expectativas de uma retomada mais consistente da atividade do setor em 2018.

POR SEGMENTO

Na análise mensal, dentre os principais segmentos, o de “Móveis e Eletrodomésticos” apresentou queda de 0,8% em maio, descontados os efeitos sazonais. Nos dados sem ajuste sazonal, a variação acumulada em 12 meses foi de 5,5%.

A categoria de “Tecidos, Vestuários e Calçados” cresceu 0,2% no mês, expurgados os efeitos sazonais. Na comparação da série sazonal, nos dados acumulados em 12 meses houve avanço de 3,4%.

A atividade do segmento de “Supermercados, Alimentos e Bebidas” caiu 0,2% no mês na série dessazonalizada. Na série sem ajuste, a variação acumulada subiu 3,5%.

Por fim, o segmento de “Combustíveis e Lubrificantes” registrou queda de 5,9% em maio considerando dados dessazonalizados, enquanto na série sem ajuste, a variação acumulada em 12 meses ainda apresenta queda de 1,1%.

ESTOQUES

Como reflexo da greve dos caminhoneiros, a proporção de lojas com estoques tidos como adequados na cidade de São Paulo caiu de 56,7% para 53,3% na passagem de maio para junho.

O porcentual também ficou abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando 54,2% das lojas estavam com os estoques adequados, conforme pesquisa feita mensalmente pela FecomercioSP, com aproximadamente 600 empresários do comércio no município de São Paulo.

Segundo o levantamento, o porcentual de lojas que estão com estoques acima do ideal subiu de 30% para 32,4%, enquanto as que estão com estoques abaixo do normal passaram de 13% para 13,8% na comparação de junho com maio.

A leitura da assessoria econômica da FecomercioSP é que a paralisação dos caminhoneiros teve dois efeitos diversos sobre o comércio varejista.

De um lado, faltaram produtos em setores vulneráveis a choques de oferta, como alimentos, bebidas e combustíveis. De outro, o movimento grevista prejudicou a confiança do consumidor na recuperação econômica, o que afetou as vendas de bens duráveis como automóveis e eletrodomésticos, elevando os estoques desses produtos.

"Esse resultado exige um exame mais profundo sobre a economia do Brasil e os potenciais riscos pelos quais o País irá passar até as eleições em outubro", comenta a entidade.

 

*Com Estadão Conteúdo

IMAGEM: Thinkstock