Negócios

Gigantes do varejo estão ganhando o mundo


Estudo da Deloitte revela que 66,8% das 250 maiores empresas já operam além de suas fronteiras; há apenas uma brasileira na lista: a Lojas Americanas, na 170ª posição


  Por Thais Ferreira 20 de Fevereiro de 2017 às 08:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A Lojas Americanas é a única rede de varejo brasileira entre as 250 maiores empresas mundiais do setor. A informação é do relatório Global Powers Retailing 2017 (Poderosos do Varejo 2017), conduzido pela consultoria Deloitte. Os dados utilizados para o levantamento são do ano fiscal encerrado em junho de 2016. 

Na primeira posição está o WalMart, que obteve receita de US$ 482,13 bilhões no período. Seguido por outras duas varejistas americanas: a Costco Wholesale Corporation, clube de compras (nos moldes do Sam’s Club) que vende itens diversos, e a The Kroger Co. rede de supermercados. 

Outro destaque da lista é a Amazon, que escalou duas posições em relação à pesquisa anterior e passou a ocupar o 10ª lugar. 

 A varejista brasileira ficou na 170ª posição com uma receita de US$ 5,479 bilhões (16,954 bi, em reais hoje) e uma taxa composta anual de crescimento de 13,8% entre os anos de 2010 e 2015.

Nesses números estão englobados os resultados da Lojas Americanas e da B2W Companhia Digital, que reúne Americanas.com, Submarino, Shoptime, Sou Barato e Submarino Finance, empresa online de cartões de crédito. 

Só esses e-commerces obtiveram receita de US$ 2,755 bilhões, o que equivale a 50,28% do total. Com isso, a empresa também está listada entre as maiores varejistas online do mundo, ocupando a 21ª posição. 

De acordo com Reynaldo Saad, sócio-líder para a Indústria de Bens de Consumo e Produtos Industriais da Deloitte Brasil, as empresas brasileiras foram afetadas pela recessão econômica.  “A queda do consumo e a desvalorização do câmbio foram fatores que prejudicaram o resultado das empresas nacionais”, afirmou. 

Por esse motivo, Saad acredita que o Magazine Luiza, que apareceu na edição anterior do estudo, não teve seu nome listado nesta edição da pesquisa. 

A própria Lojas Americanas apresentou resultado inferior ao do levantamento anterior, quando havia se colocado 27 posições acima. Já o Magazine Luiza pareceu na 217ª colocação. 

LOJAS AMERICANAS

Apesar do ambiente econômico desafiador e da queda no ranking, a Lojas Americanas, que corresponde apenas à operação das lojas físicas, conseguiu bons resultados no último ano. 

A empresa afirma em nota ter obtido receita bruta de R$ 8 bilhões nos nove primeiros meses de 2016. Nesse mesmo período, o lucro (EBITDA, ou seja, sem considerar juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,3 bilhão –18,2% em relação ao mesmo período de 2015.

“Os nove primeiros meses de 2016 foram marcados pela consistente geração de caixa. Houve evolução nos principais indicadores operacionais, mesmo diante do atual cenário macroeconômico e da inexistência de eventos emblemáticos no terceiro trimestre do ano”, afirmou a Lojas Americanas em nota. 

A empresa atribui o resultado positivo aos investimentos feitos em tecnologia, logística e na operação das lojas. 

Neste ano, de acordo com as informações divulgadas, deve continuar seu plano de expansão intitulado “85 anos em 5 – Somos mais Brasil”.

 O plano prevê a abertura de 800 novas lojas no Brasil, entre 2015 e 2019, além de dois novos centros de distribuição. 

TENDÊNCIAS DO VAREJO 

Uma das tendências apontadas no relatório da Deloitte é a globalização das grandes redes varejistas. Caminho oposto ao trilhado pela Lojas Americanas, que opera unidades somente no Brasil. 

De acordo com o estudo, 66,8% das 250 maiores empresas têm operação fora de suas fronteiras de origem.

Nesses casos, essas varejistas estão presentes em média em dez países e as operações no exterior representam 22,8% de suas receitas. 

Outras tendências apontadas pelo estudo estão relacionadas ao comportamento do consumidor. O relatório aponta que os clientes estão cada vez menos preocupados com a quantidade de bens que possuem. 

As novas gerações estão mais preocupadas em adquirir produtos que sejam compatíveis com suas convicções e histórias pessoais.

“O varejo não deve mais apenas vender, é preciso criar também uma experiência de compra”, afirma Saad.  

Sobre o uso das novas tecnologias, como Internet das Coisase Realidade Virtual, Saad acredita que os varejistas ainda estão cautelosos.

“Algumas tecnologias começaram a ser aplicadas, mas elas ainda não são uma realidade dentro do setor”, afirma. “Ainda é difícil prever se elas vão se tornar usuais dentro dos próximos três anos.”

FOTO: Mônica Zarattini/ Estadão Conteúdo