Negócios

Ghosn é suspeito de desvio de dinheiro para compra de imóvel no Rio


Para se chegar à revelação contra o executivo (ao centro na foto), funcionários da Nissan usaram uma nova lei no Japão que permite o mecanismo da delação premiada


  Por Estadão Conteúdo 20 de Novembro de 2018 às 11:23

  | Agência de notícias do Grupo Estado


O executivo brasileiro Carlos Ghosn é suspeito de ter usado unidades da Nissan na Europa para dissimular pagamentos de quase US$ 18 milhões para a compra de um imóvel de luxo num condomínio no Rio de Janeiro, além de uma casa em Beirute. 

O empresário que há quase duas décadas ajudou a orquestrar a união entre a francesa Renault e a japonesa Nissan foi preso nessa segunda-feira (19/11), em Tóquio.
 
Conhecido pela capacidade de cortar custos e recuperar em negócios em crise, Ghosn, de 64 anos, é acusado de fraudar sua declaração de renda e de usar recursos corporativos para benefício pessoal. A investigação foi originada a partir de uma denúncia interna e teve a colaboração da Nissan nos últimos meses.

Nesta terça-feira, 20, o jornal japonês Nikkei revelou parte das investigações que apontam para a suspeita de que a Nissan Motors teria criado uma afiliada na Holanda e que, a partir dessa unidade, US$ 17,8 milhões foram pagos em dois imóveis de luxo, no Rio e no Líbano.

De acordo com o jornal, a subsidiária holandesa foi criada em 2010, com um capital de US$ 53 milhões. O dinheiro seria usado para investimentos.
 
Oficialmente, a empresa indicava que aqueles recursos tinham como objetivo apoiar startups, ainda que existam poucas evidências de que o dinheiro acabou tendo mesmo essa finalidade. 

Para se chegar a essas informações, funcionários da Nissan usaram uma nova lei no Japão que permite o mecanismo da delação premiada. Ela foi introduzida em junho e o caso do brasileiro é apenas o segundo a envolver o novo mecanismo.
 
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O jornal japonês informa ainda que os dois imóveis adquiridos a partir da unidade holandesa da Nissan eram para o uso de Ghosn. 

Além disso, cabia à empresa pagar por custos de manutenção e eventuais renovações. No total, estima-se que os gastos teriam chegado a 2 bilhões de ienes.

Ghosn passou sua infância no Rio e depois se mudou para Beirute, onde terminou o colegial. No Líbano, a Nissan não conta com qualquer tipo de operação de grande escala.

IMAGEM: Divulgação/Grupo Renault