Negócios

Garagem de casa vira ponto comercial


Montar um negócio pode ser mais simples do que você imagina. A solução para o seu problema pode estar bem perto, como, por exemplo, na garagem de casa


  Por Mariana Missiaggia 13 de Julho de 2015 às 09:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Os 74 anos que separam a empreitada de Gilson de Almeida, 41 anos, proprietário da badalada hamburgueria Na Garagem, e o começo da carreira de Bill Hewlett e Dave Packard, fundadores da HP (na foto acima, à esq.), parecem não ter passado quando o assunto é empreendedorismo.

Assim como a HP, o Google, a Apple e a Microsoft, que nasceram na garagem da casa de seus criadores, alguns microempresários brasileiros estão recorrendo a esse espaço na hora de escolher um ponto comercial. 

Almeida levou tempo até descobrir qual seria seu caminho. Ele acumulou cargos e funções --de vendedor de coxinha até diretor de arte em uma agência de comunicação. Sempre procurando algo que, finalmente, lhe faria feliz. 

Aos 34 anos, decidiu que sua vocação era outra, e começou tudo de novo. Cursou gastronomia, virou estagiário, passou por grandes restaurantes até chegar ao número 301, da rua Benjamin Egas, em Pinheiros, bairro da zona oeste paulistana, e descobrir que ali havia uma garagem de 18 metros quadrados, que abrigava uma sapataria prestes a fechar as portas.

ALMEIDA, DA HAMBURGUERIA NA GARAGEM: COMÉRCIO ESPECIALIZADO E DE QUALIDADE/ FOTO: DIVULGAÇÃO

Almeida não hesitou e construiu ali mesmo sua tão sonhada hamburgueria artesanal –um formato de negócio que vem ganhando força em São Paulo, por se tratar de um comércio pequeno, especializado e de qualidade. É uma tendência que se observa em diferentes segmentos – além de ser, também, uma reação ao alto custo da locação de imóveis comerciais.

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Com R$ 140 mil, Almeida montou toda estrutura física da lanchonete. Embora o custo seja considerado baixo, em comparação com outras hamburguerias que chegam a consumir R$ 1 milhão para sair do papel, o empreendedor lembra que o espaço pequeno exigiu cuidados especiais e gastos adicionais com mobílias e equipamentos.

Foi preciso fazer praticamente tudo sob medida, para que coubesse na garagem sem comprometer o espaço dos clientes.

Por outro lado, o custo mensal ficou bem menor. Almeida não revela quanto paga pelo aluguel do espaço, mas afirma que a opção valeu a pena. Em um formato maior, a locação não sairia por menos de R$ 6 mil mensais. 

Instalar-se em uma garagem, automaticamente, restringiu o cardápio e o número de funcionários da hamburgueria. Não é necessário manter um grande estoque, nem um batalhão de funcionários para servir os 80 clientes que a lanchonete recebe, em média, a cada dia. 

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"Temos um cardápio enxuto (duas opções de hambúrguer), porém com preço mais baixo, transparência e atendimento personalizado. Acredito que essa essência e o sabor do nosso hambúrguer são diferenciais para trazer o cliente de volta”, diz. “Modificar esse formato nos distanciaria do cliente, e alteraria nossa proposta.” 

INTERNET TURBINA A RECEITA

Inspirado em pequenas livrarias argentinas, o jornalista Ricardo Lombardi, 44 anos, deixou para trás seu cargo de diretor de conteúdo do Yahoo! para tirar do papel o sonho antigo de empreender.

Lombardi mudou sua antiga coleção de livros para a garagem de sua mãe, na rua Sebastião Velho, 28, em Pinheiros, onde inaugurou o sebo Desculpe a Poeira, em outubro do ano passado. O investimento de R$ 7 mil foi o suficiente para acomodar bem os 1,3 mil livros em prateleiras e cômodas no espaço de 24 metros quadrados.

INTERIOR DO SEBO DESCULPE A POEIRA/Divulgação
 

Sempre observei pequenos comércios familiares que eram bem-sucedidos mesmo com baixo custo de operação”, diz. Hoje, Ricardo paga um preço especial pelo espaço – embora estime que o aluguel do espaço custaria cerca de R$ 1,2 mil a preço de mercado, conseguiu um desconto materno de 50%, desembolsando apenas R$ 600 mensais pela locação.

Pelo jeito, ele não é o único: perto dali, outras garagens deram vez ao comércio no lugar dos carros, com uma sapataria, uma costureira, uma mecânica e também lanchonete.

Com pouco tempo de funcionamento, no entanto, Lombardi percebeu que toda a simplicidade e o charme da loja física só teriam sucesso se somados à outra fonte de renda que, no caso, foi a venda virtual.

De acordo com Lombardi, a proporção é de que as vendas online, feitas pela sua loja na Estante Virtual, correspondam a 60% do faturamento.

“O digital ajuda muito os pequenos negócios a encontrar o ponto de equilíbrio. Para isso, é importante subir novidades na Estante Virtual com o maior detalhamento possível – fotos, sinopse e informações sobre a conservação do exemplar”, diz. 

JANELA

Há quem vá ainda mais longe. A artista plástica Iara Battoni, 26 anos, viu na janela de seu quarto uma possibilidade. Recém chegada de mudança, e sem perspectivas profissionais, ela decorou a fachada azul de sua casa, em Amparo, no interior de São Paulo, a 132 quilômetros da capital.

Lá abriu seu próprio negócio, A Janela da Namoradeira – uma doceria acolhedora que vende brigadeiros de vários sabores, palha italiana, e doces e bebidas à base de chocolate. “Não pensei que seria algo diferente, pensei apenas em trabalhar com o que eu tinha.”

IARA, DA JANELA DA NAMORADEIRA: NEGÓCIO TEMPORÁRIO QUE SE TORNOU PERMANENTE/Divulgação

A ideia, na verdade, era de montar um negócio temporário, que duraria somente 15 dias, período em que acontece o festival de inverno da cidade, e quando Iara abriria a janela de seu quarto para vender chocolate quente. 

“Quando o festival acabou, em 2012, fechei a janela. Para minha surpresa, muita gente reclamou. Então, decidi reabri-la e com um leque maior de produtos”, diz. Além de torná-la permanente, A Janela da Namoradeira ganhou uma versão móvel para eventos, e está na vésepra de completar três anos. 






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