Negócios

Franquias crescem com um pé no interior e outro no exterior


As estratégias adotadas para promover o crescimento desse modelo de negócio, que faturou 8,3% mais em 2016, serão o destaque da ABF Franchising, que começa nesta quarta


  Por Mariana Missiaggia 21 de Junho de 2017 às 15:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


O mercado de franquias continua sendo uma das principais alternativas para quem quer empreender e abrir um negócio próprio.

Em um ano e meio, o franchising brasileiro ganhou mais de 70 novas marcas, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Foram 62 redes em 2016 e outras 14 nos primeiros cinco meses deste ano. Entre as estreantes estão as marcas Rochinha, fabricante de sorvetes do litoral norte paulista, e a de móveis modulados Todeschini.

Das 76 novas marcas que chegaram ao mercado, 20 são do ramo de alimentação, 18 da área de saúde, beleza e bem-estar e 11 de serviços para casa, construção e limpeza.

Todas elas estarão expostas nesta quarta-feira (21/06), na maior feira de franquias do país, a ABF Franchising Expo, que deve receber 65 mil visitantes até o próximo sábado (24/06).

Altino Cristofoletti Júnior, presidente da entidade, afirma estar confiante de que assim como nos dois últimos anos o evento servirá como uma espécie de inspiração e salvação para quem sofre os efeitos da recessão.

“Nós temos muito espaço para crescer. O Brasil não é aquilo que estamos vendo nos jornais", diz.

O setor representa 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas do país) e, mesmo com todas as dificuldades, faturou mais de R$ 150 bilhões em 2016 - um crescimento nominal de 8,3%.

A queda da inflação, a abertura de 20 novos shoppings e a leve melhora na confiança do consumidor e do empresário contribuíram para o desempenho positivo do setor.

Consideradas as principais apostas do franchising, a interiorização e a internacionalização têm sido a estratégia mais adotada para colocar as redes em evidência, de acordo com o presidente da entidade. Atualmente, 5.570 municípios do país têm franquias.

A tendência de inserir marcas em cidades que apresentam arranjos econômicos mais estruturados, como o agronegócio, e naquelas que se destacam pela criação de empregos, deve registrar um crescimento superior a 2% em 2017, de acordo com Cristofoletti.  É o fenômeno da interiorização.

Paralelamente, o processo de internacionalização das marcas brasileiras, está acontecendo dentro de um processo de planejamento e não por impulso, de acordo com o presidente da entidade.

Este ano a feira receberá empreendedores de toda a América Latina interessados em levar franquias brasileiras para países como Uruguai, Guatemala, Chile e Argentina.

"Às vezes, ir para outro país não significa ganhar dinheiro, mas sim fortalecer a marca", diz.

Outra preocupação do setor é como lidar com a geração Millennial (nascidos após 1982). Além de franqueados e consumidores, os millenials também já estão se tornando franqueadores e estão quebrando alguns paradigmas. 

Uma pesquisa realizada pelo Bureau of Labor Statistics, em 2016, mostra que de 50% a 75% dos millennials associam o franchising ao empreendedorismo.

Esses jovens são ambiciosos e enxergam no modelo uma forma rápida de empreender, ganhar independência financeira, autonomia e acesso ao conhecimento.

Numa outra análise, realizada junto aos baby boomers (nascidos no período de 1946 a 1964), somente 9% fazem a mesma associação que os millennials.

Ou seja, para essa geração o franchising aparece como uma alternativa além dos cargos executivos em empresas, sem estresse, e sim, como algo motivador para esse período da vida.

Liana Bittencourt, consultora e sócia-diretora do Grupo Bittencourt, acredita que é preciso mais atenção a esse novo perfil de investidores no mercado.

Para Liana, o franqueador deve se acostumar cada vez mais a lidar com pessoas das mais diversas origens e expectativas, além de aprender a cultivar a criatividade, potencializar talentos e gerenciar custos - como fazem muito bem as startups.

"O franqueado tem que estruturar um modelo em que franqueado e franqueador ganhem", diz.

"O franqueado é um empresário e não um funcionário comprando o seu emprego".

*FOTO: Divulgação ABF