Negócios

Franchising continua a se aproximar dos níveis pré-pandemia


Mesmo ainda 4,6% abaixo dos níveis de 2019, setor cresceu 48% no 2° trimestre comparado a 2020, segundo pesquisa da ABF. Casa e Construção é um dos segmentos em destaque


  Por Redação DC 20 de Setembro de 2021 às 13:22

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


O setor de franquias manteve o ritmo de recuperação no 2º trimestre deste ano, se aproximando cada vez mais dos níveis pré-pandemia, chegando a R$ 43,122 bilhões - uma alta de 48,4% ante igual período de 2020. Os dados são da Pesquisa Trimestral de Desempenho realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). 

O avanço da imunização da população e a consequente diminuição das medidas de distanciamento social, somados à melhora da economia, foram os principais impulsionadores da recuperação. Além disso, a digitalização dos canais de venda e a alta dos índices de confiança empresarial e do consumidor refletiram no desempenho positivo.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, a pesquisa mostra que o setor de franquias apresentou uma variação positiva de 4,4% em sua receita, com um avanço de R$ 171,426 bilhões para R$ 178,950 bilhões.

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André Friedheim, presidente da ABF, afirma que o avanço do setor se baseia em dois fatores principais: a abertura mais ampla do comércio, principalmente dos shoppings, permitindo ao consumidor retomar seus hábitos, e as iniciativas de ajuste e digitalização tomadas pelas redes por causa do pico da pandemia, que continuam a se mostrar efetivas - vide o delivery, que se mantém em níveis elevados.

O presidente da ABF destaca também que é importante levar em consideração que, em alguns segmentos, como Turismo e Alimentação Fora do Lar, há muita demanda reprimida e mudanças na sazonalidade que é preciso acompanhar de perto nos próximos trimestres para desenhar um quadro mais amplo.

"Até o momento, mantemos a perspectiva de uma recuperação robusta e uma expansão de cerca de 8% ao final de 2021”, afirma Friedheim.  

EMPREGOS E UNIDADES

A pesquisa da ABF aponta ainda que o setor contava com 1.292.034 trabalhadores diretos nos meses de abril, maio e junho, ante 1.302.338 no primeiro trimestre, números estatisticamente próximos que indicam mais estabilidade do que redução significativa. Além disso, o volume do 2º tri de 2021 continua superior ao do final de 2020.

Quanto ao movimento de abertura e fechamento de unidades, a pesquisa da ABF também traz dados positivos. O levantamento apontou avanço de 3,9% em novas unidades nesse 2º trimestre, frente a 1,2% em igual período de 2020. 

O repasse de unidades foi de 0,4% para 0,8% no período, revelando que essa estratégia de manutenção dos pontos comerciais por parte das redes está voltando também a patamares pré-pandemia.

OUTRAS PRIORIDADES

As vendas por canal entre as redes pesquisadas tiveram um incremento nos aplicativos de delivery, subindo de 2,1% para 6,4%. Já via e-commerce e WhatsApp, decresceram de 2,9% para 1,8%, e de 1,7% para 0,7%, respectivamente. Quanto às vendas nas unidades franqueadas, elas subiram de 73,6% para 78,6% no período.

O estudo indica também que o e-commerce como canal de vendas é utilizado por 72,2% das redes, ante 69,7% no ano passado, enquanto que a participação dos franqueados nas vendas por este canal teve uma pequena oscilação para baixo, passando de 91,6% para 90,4% no mesmo período.

“Esses dados já refletem uma retomada das vendas presenciais, por isso a menor participação das lojas próprias e alguns canais digitais - com exceção do delivery”, avalia Silvana Buzzi, diretora executiva da ABF.

A pesquisa também detectou um “descasamento” de percepção em relação à necessidade de medidas de apoio neste momento. A necessidade de retomar as vendas e treinar a equipe ainda são prioridade, mas os franqueados agora apontam mais demandas por crédito, melhores condições de locação e carência para pagamento de empréstimos.

“Com a quase eliminação das restrições e a recuperação das vendas, outra prioridade agora é ‘arrumar a casa’, acertando as finanças e renegociando contratos - especialmente o de aluguel, que continua a ser um custo muito importante. Principalmente nos shoppings", explica André Friedheim. 

DESEMPENHO POR SEGMENTO 

Os mais impactados pela pandemia, como Entretenimento e Lazer e Hotelaria e Turismo, iniciaram sua recuperação nos meses pesquisados, com variações positivas superiores a 800% e 400%, respectivamente.

Ambos foram beneficiados pela reabertura das atividades econômicas não essenciais e o avanço da vacinação, além de forte demanda reprimida. É importante lembrar, porém, da base fraca de comparação, em 2020. 

Moda, outro segmento entre os mais impactados pelas medidas restritivas, foi o terceiro com melhor desempenho, com alta de 178,2%. Além dos fatores mencionados, a melhora no movimento nos shoppings, bem como a retomada da vida social, ajudou a puxar este desempenho.

Alimentação, Comércio e Distribuição cresceu 71,3%, e Foodservice, 47,8%. Vêm na sequência Limpeza e Conservação, com 61,9%, e Casa e Construção, com 41,8%.

Friedheim destaca o caso de Casa e Construção, que já havia apresentado ótimos desempenhos em 2020 e no primeiro trimestre de 2021 alavancado por investimentos no lar e hábitos mais caseiros dos consumidores.

"Essas redes vêm apresentando um crescimento expressivo, mostrando um mercado de grande oportunidade para o nosso setor. Já Limpeza e Conservação representa bem a recuperação de serviços – também detectada em indicadores macroeconômicos – e que chegou a segmentos como o de Serviços Automotivos."

Na comparação 2º trimestre de 2021 versus 2º trimestre de 2019, já aparecem com sinais positivos os segmentos de Serviços e Outros Negócios, Serviços Automotivos e Comunicação, Informática e Eletrônicos.

Observando-se o desempenho dos segmentos nos 12 últimos meses, Casa e Construção, com crescimento de 33,0%, e Saúde, Beleza e Bem-Estar, com 11,8%, são os principais destaques.

Neste levantamento, a ABF apurou dados a respeito da adoção do modelo de Dark kitchens (unidades que operam só com delivery) pelas redes do segmento de Alimentação.

Enquanto 42,6% das marcas pesquisadas não têm interesse nesse formato, 24,6% planejam adotá-lo. Dentre as redes que atualmente operam com Dark Kitchens, essas unidades representam 7,2% do faturamento, mas as franqueadoras projetam que essa participação pode chegar a 13,5% da receita em até seis meses.

“As redes de franquias estão superando esse período desafiador. O ecossistema certamente sairá dele mais forte e mais bem preparado para os novos desafios que virão”, conclui o presidente da ABF. 

 

FOTO: Divulgação 






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