Negócios

Franchising adota capacitação como receita para vencer a crise


Na abertura da 25ª ABF, bancos também lançaram linhas de crédito para atuais e futuros franqueados, em parceria com o Sebrae


  Por Karina Lignelli 15 de Junho de 2016 às 18:42

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Marcas estreantes, franquias de baixo investimento, simpósios de capacitação e imersão e até mesmo missões empresariais de cinco países para fazer negócios e driblar a recessão econômica.

Afinal, o setor de franchising não fica parado, e foi nesse tom que a 25ª edição da ABF Franchising Expo, começou nesta quarta-feira (15/06) na Expo Center Norte. O evento termina no próximo sábado (18/06). 

Apesar de não repetir o crescimento de dois dígitos que vinha apresentando até 2014, o setor - que ainda cresceu 8,6% em 2015, com um faturamento de R$ 139 milhões - está conseguindo manter-se próximo a este patamar este ano. No primeiro trimestre, a expansão foi de 7,3% na comparação com igual período do ano passado. 

A consistência de um negócio pré-formatado, testado e replicado em rede explica o desempenho do franchising no atual cenário, afirma Cristina Franco, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

"É uma soma de pequenos empreendedores que faz toda a diferença quando se observa a participação no PIB nacional, que está em torno de 2,9%", diz.

Por isso, nesta edição, os organizadores optaram por dar mais a relevância à capacitação, com o objetivo de preparar os franqueados para os desafios econômicos. "A ideia é garantir que conquistem, de novo, bons resultados em 2016", afirma. 

Arthur Grynbaum, CEO da rede O Boticário e presidente do Conselho de Associados da ABF, mencionou o baixo índice de mortalidade do setor - inferior a 3% - comparado à quantidade de 100 mil lojas fechadas no Brasil por causa da crise. 

"Apesar de o índice de repasse de lojas ter aumentado 30% - de 3% para 9% - ele ainda é pequeno face a esse cenário, o que é fruto da maturidade do setor", diz Grynbaum. 

Considerada a segunda maior feira do setor no mundo - a primeira é a de Paris - a ABF Franchising Expo conta com mais de 400 marcas expositoras do Brasil, Estados Unidos e Japão, e espera atrair um público superior a 60 mil visitantes. 

CRÉDITO

Em um cenário de crédito escasso, o franchising tem conquistado alguns benefícios - como o convênio Fampe (Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas).

Assinado entre o Sebrae e o Bradesco em 2014, com o apoio da ABF, foram liberados R$ 25 milhões em crédito para futuros e atuais franqueados com faturamento até R$ 3,6 milhões por ano. 

Desde então, 350 contratos foram fechados com pequenos negócios. A linha de financiamento foi usada por empreendedores para realizar o investimento inicial na franquia, usar o recurso capital de giro ou mesmo executar um retrofit no estabelecimento.

Os valores liberados chegaram a até R$ 125 mil por empreendedor, segundo informou Antônio Diniz, diretor de produtos e serviços do Bradesco presente à abertura da feira.

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"Agora esse tíquete pode chegar a R$ 375 mil, com uma taxa de juros de 2,28% ao mês", diz, lembrando que a projeção de crescimento para essa linha é de 8% a 10% neste ano. 

OSantander também anunciou que disponibilizará R$ 1 bilhão em crédito ao setor durante a ABF Expo. A ideia, de acordo com Ede Viani, diretor de Empresas e Instituições do Santander, é dobrar o número de clientes franqueadores até o final deste ano.  

No primeiro trimestre deste ano, o banco já contava com 85 redes de franquias na carteira de clientes. “Queremos ser reconhecidos como o banco das franquias”, diz Viani.

Uma parcela de R$ 375 milhões dos recursos destinados ao setor também conta com garantias do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), tendo o Sebrae como avalista, de acordo com o banco.

Para Cristina Franco, desde 2012, as redes, de olho na desaceleração do consumo, estão se preparando para enfrentar o atual momento com lojas de formatos menores e também fazendo ajustes em estoques, metragem das lojas e mesmo no tíquete médio, para repassar o mínimo de custos ao consumidor.

Por isso, avalia, o setor conquistou um resultado positivo em meio à crise. "A rentabilidade pode ter diminuído, mas essa reengenharia atraiu parceiros que vieram com algo inédito e necessário: linhas de crédito", conclui.

Para mais informações sobre a ABF Expo, inscreva-se no site do evento. 

FOTO: Karina Lignelli (da esq. para a dir.: Arthur Grynbaum, Cristina Franco e Antônio Diniz)