Negócios

Food Bike: empreendedores fazem da bicicleta a sua loja


A nova tendência em comida de rua faz com que pequenas modificações transformem bikes em comércios itinerantes charmosos


  Por Mariana Missiaggia 27 de Março de 2015 às 00:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Além de ser o tema central de discussões acaloradas em São Paulo, as bicicletas se tornaram também uma alternativa aos altos investimentos feitos por empresários de primeira viagem, sem grande capital inicial próprio.

Com pequenas modificações, elas podem se transformar, por exemplo, em uma hamburgueria. É o caso da Bike Burger. Insatisfeito com a profissão de fotógrafo em uma editora e apaixonado pela cozinha, Danilo Tanaka decidiu testar uma nova carreira: vender hambúrgueres. “Ele (Danilo) tinha o hábito de fazer hambúrguer em casa e começou a testar a possibilidade com os próprios amigos”, diz Vivian Zaghi Braga, 32 anos, esposa e sócia de Danilo. 

Uma vez por mês, o fotógrafo produzia uma “hamburgada” na cozinha de um amigo. Em pouco tempo, a frequência se tornou semanal e os pedidos cada vez mais assíduos. Tanaka não teve dúvidas e deu início ao seu plano de negócio. 

PROCESSO DE PRODUÇÃO DA BIKE BURGER LEVOU TRÊS MESES/ FOTO: DIVULGAÇÃO

Sem dinheiro suficiente para investir em um food truck, ele recorreu ao seu meio de transporte diário, a bicicleta. “Desenhamos o modelo e encontramos um senhor que produzia bicicletas cargueiras. Ele aceitou e levou três meses para terminá-la.” Foram R$ 20 mil para montá-la adaptando-a com um baú revestido com inox, onde são guardadas as mesas e cadeiras, cooler, bebidas, as chapas e o gás. 

Diferente de outros food bikes, Tanaka conseguiu a autorização da prefeitura para atuar em ponto fixo. Em funcionamento há três meses na alameda Rio Claro, na região da avenida Paulista, a Food Bike vende 100 lanches por dia, e o dobro aos sábados.

Muito requisitada também para eventos, a marca possui outra bike para esta finalidade, e já tem uma terceira em construção para transportar os produtos. As opções vão dos clássicos cheese burger e cheese salada até opções de kafta e hambúrguer vegetariano. Os preços variam de R$ 12 a 18. 

Com cerca de 300 interessados, Tanaka resolveu iniciar a operação de franquia para capitalizar o negócio. O investimento para abrir uma franquia do Bike Burguer é de R$ 30 mil, sendo R$ 15 mil de taxa de franquia, marca e treinamento e mais R$ 15 mil de equipamentos.

ANA PAULA FERREIRA CRIOU A PUDIM A GOSTO/ FOTO: VICTOR NECO

Com a Pudim a Gosto não foi diferente. Em julho do ano passado, Ana Paula Ferreira, 39 anos, proprietária da marca, decidiu investir em um hobby que herdou da sua descendência portuguesa – fazer pudins. 

No entanto, os valores cobrados pelos alugueis acabaram com o sonho da loja física. Com um marido ciclista, Ana Paula encontrou o incentivo que precisava para optar pelo food bike, em setembro. 

“Adaptamos o que era preciso, posicionei uma cesta com isopor por dentro, e o revesti com placas de gelo para conservar a temperatura dos pudins. Também desenvolvemos a identidade visual, e tudo não passou de R$ 3 mil.”

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Com três bikes – uma com capacidade para 50 mini pudins, a outra com 40, e a terceira para 100, Ana Paula não possui a licença concedida pela prefeitura para trabalhar em ponto fixo. “Participo dos food parks (espaço destinado à comida de rua, com trailers, barraquinhas e trucks), mas a maior fatia do meu faturamento vem dos eventos que sou convidada a participar, como inaugurações de lojas e lançamento de coleções”, diz. 

FOOD BIKE VIROU TENDÊNCIA EM SÃO PAULO/ FOTO: DIVULGAÇÃO

Formada em comunicação, ela ainda não consegue se dedicar exclusivamente a marca, a qual ela garante que poderia se tornar ainda mais rentável. Com a ajuda da mãe e do marido, ela produz cerca de 400 pudins por semana, e ainda recusa muitos pedidos. “Já teve cliente que me pediu para fazer mil pudins. Tive que negar porque minha estrutura ainda é pequena para garantir a qualidade desse número”, diz. 

A vantagem de ter um baixo investimento, ser sustentável e ocupar pouco espaço fez a empresária Raquel Arruda, 39 anos, adotar o modelo de negócio. Proprietária da Bolô Cherie, marca de bolos, brownies, granola e biscoitos sem glúten e lactose, Raquel só trabalhava com delivery e distribuição até conhecer os food bikes.

A BOLÔ CHERIE PREFERIU VENDER SEUS PRODUTOS DE BIKE/ FOTO: DIVULGAÇÃO 

“A proposta ecologicamente correta fazia muito sentido, pois trabalho com uma produção artesanal, 100% natural e orgânico. Além disso, sentia falta de estar em contato direto com os clientes”, diz.

Diferente dos food trucks que demandam um investimento mínimo de R$ 500 mil, Raquel comprou e adaptou a sua bicicleta em estilo retrô por R$ 1,2 mil.