Negócios

Fitch revisa nota de crédito de empresas brasileiras


A agência internacional de classificação de risco manteve o rating da Petrobras em BBB-, mas com perspectiva negativa


  Por Estadão Conteúdo 15 de Outubro de 2015 às 17:04

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A agência de classificação de risco Fitch anunciou mudanças nos ratings e nas perspectivas de algumas companhias brasileiras em seguida ao rebaixamento da nota de crédito soberana do Brasil anunciado pela manhã desta quinta-feira (15/10).

"Os ratings em moeda estrangeira das empresas podem ser negativamente afetados por uma ação negativa sobre o rating soberano do Brasil ou sobre o teto-país", afirmou a Fitch em comunicado.

Segundo a agência, as notas de crédito da Cielo, tanto em moeda estrangeira quanto local, foram rebaixadas de BBB+ para BBB, com a perspectiva revisada de estável para negativa.

O rating em moeda estrangeira da Globo Comunicação e Participações passou de BBB+ para BBB, com perspectiva revisada de estável para negativa. A nota em moeda local continou sendo BBB+, com perspectiva estável.

As notas da Itaipu Binacional (Itaipu), em moeda estrangeira e local, foram rebaixadas de BBB para BBB-, com perspectiva negativa.

A Aché Laboratórios Farmacêuticos teve seu rating em moeda estrangeira reafirmado em BBB. No entanto, a perspectiva foi revisada de estável para negativa. A nota em moeda local foi reafirmada em BBB, com perspectiva estável.

A nota da BRF, em moeda estrangeira, continou sendo BBB, mas a perspectiva foi revisada de estável para negativa. O rating em moeda local foi mantido em BBB, com perspectiva estável.

A Localiza Rent a Car manteve seu rating em moeda estrangeira em BBB e perspectiva revisada de estável para negativa. A nota em moeda local foi reafirmada em BBB, com perspectiva estável.

A nota em moeda estrangeira da Raizen Energia continuou em BBB, com a perspectiva revisada de estável para negativa. O rating em moeda local foi reafirmado em BBB, com perspectiva estável.

A  Raizen Combustíveis teve sua nota em moeda estrangeira mantida em BBB, mas a perspectiva foi revisada de estável para negativa. O rating em moeda local continuou em BBB, com perspectiva estável.

A Samarco Mineração teve as notas em moeda estrangeira e local reafirmadas em BBB.

O rating em moeda estrangeira da Tractebel Energia foi mantido em BBB, mas a perspectiva foi revisada de estável para negativa. Em moeda local, foi reafirmada em BBB, com perspectiva estável.

A Transmissora Aliança de Energia Elétrica teve sua nota em moeda estrangeira reafirmada em BBB, com a perspectiva revisada de estável para negativa. O rating em moeda local foi mantido em BBB, com perspectiva estável.

As notas de crédito da Vale, em moeda estrangeira e local, continuaram em BBB+. A perspectiva foi revisada de estável para negativa em moeda estrangeira.

As empresas do grupo Votorantim tiveram mudanças na perspectiva. A nota em moeda estrangeira da Votorantim Cimentos foi mantida em BBB, mas a perspectiva foi revisada de estável para negativa.

O mesmo ocorreu com a Votorantim Participações, que manteve o rating em moeda local em BBB, com perspectiva estável. A Votorantim Industrial ficou com o rating em moeda estrangeira em BBB e a perspectiva revisada de estável para negativa.

PETROBRAS

A agência de classificação de risco Fitch manteve o rating em moeda estrangeira e local da Petrobras em BBB-, com a perspectiva negativa.

A decisão foi anunciada após o rebaixamento nesta quinta-feira (15/10) do rating do Brasil, de BBB para BBB-, também com perspectiva negativa.

De acordo com a Fitch, os ratings da Petrobras estão apoiados pela importância estratégica da companhia para o Brasil, por sua posição de liderança no mercado doméstico de energia do país e por sua reconhecida expertise em exploração e produção offshore.

Por outro lado, pesa sobre a nota da empresa suas "métricas de proteção de crédito fracas", a "exposição à interferência política local" e a "vulnerabilidade de longo prazo a flutuações nos preços das commodities internacionais", bem como o risco pelas mudanças no câmbio e o fato de que sua receita se concentra no mercado doméstico.

"A perspectiva negativa reflete a perspectiva negativa para o rating soberano do Brasil." Na avaliação da agência, as métricas de crédito da companhia não são consistentes com outras grandes companhias privadas do setor de petróleo e gás que têm grau de investimento.

A companhia reportou uma dívida financeira total de aproximadamente US$ 134 bilhões, de acordo com o comunicado da Fitch.

O fluxo de geração de caixa da empresa deve permanecer sob pressão, diante da desvalorização do real e da queda nos preços do petróleo, apesar da alta recente no preço e da redução de despesas de capital.

A alta no preço foi apontada pela agência como "marginalmente positiva", já que demonstra a capacidade da Petrobras de ajustar os preços para cima, mesmo em períodos de desaceleração econômica no Brasil e de queda global nos preços do petróleo.

A redução nos investimentos de capital pode reduzir um pouco a pressão sobre o fluxo de caixa da empresa, mas ainda não está claro qual seu impacto para o crescimento da produção no longo prazo.

A Fitch ainda aponta que o potencial para crescimento da produção da empresa diminuiu ao longo do último ano, como resultado do escândalo de corrupção e de reduções forçadas nos gastos de capital.

A agência avalia que há "vários desafios" para que a Petrobras atinja suas metas, como o impacto do escândalo de corrupção em sua cadeia do fornecedores, compromissos com o uso de conteúdo local e a obtenção de financiamento externo para rolar dívidas.

FOTO: Thinkstock

 

 





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