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Feriadão, Natal e Black Friday: o super fim de ano da 25 de Março


Nos últimos dias, o movimento de consumidores foi intenso no principal centro de comércio popular de São Paulo. Corredores lotados recebem clientes em busca de promoções de presentes e decorações


  Por Mariana Missiaggia 22 de Novembro de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Ao que tudo indica, a temporada de compras de fim de ano na região da rua 25 de março, em São Paulo, já começou.

Nos últimos dias, o feriadão prolongado da Proclamação da República e da Consciência Negra levou uma multidão para o principal centro de comércio popular da capital.

Em busca de presentes, enfeites natalinos e artigos de decoração, comercializados a preços mais baixos, os consumidores encheram sacolas e os corredores das lojas.

De acordo com Claudia Urias, assessora executiva da Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências), o grande movimento é resultado da combinação de turistas que visitaram a cidade durante os feriados e de quem não foi viajar.

A estimativa da entidade é de que por dia ao menos 800 mil pessoas passaram pela 25 de Março e nas ruas vizinhas, desde a última quinta-feira (15/11). O movimento é quase o mesmo dos dias considerados de pico, como os próximos ao Natal, quando cerca de um milhão de consumidores visitam o endereço.

Embora ofereça uma infinidade de opções, o Natal parece ser unanimidade entre os milhares de consumidores, de acordo com Cassia Lima, 41 anos, gerente de uma loja de decoração.

Como de costume, as pelúcias de bonecos de neve e papai Noel estão entre os itens mais procurados e custam em média R$ 55 – quase 10% acima dos valores praticados em 2017.

“Mudamos de fornecedor para oferecer mais qualidade e diversidade porque todas as lojas vendem a mesma coisa e funcionou. Nosso tíquete-médio subiu 15%”, diz Cassia.

PREÇOS POPULARES ATRAEM MILHARES DE CONSUMIDORES
PARA A 25 DE MARÇO

Em outra loja, as árvores de Natal preenchem a vitrine em diferentes tons de decoração. Ali, as pelúcias temáticas da Disney têm sido a grande atração. Cada boneco é vendido a partir de R$ 109.

No entanto, há também as grandes pechinchas, como, por exemplo, no Armarinhos Vaz Martins, na Rua Cavalheiro Basílio Jafet, onde a dúzia de bolas é vendida por R$ 10 e o festão de seis metros por R$ 2,50.

Na rua Barão de Duprat, uma loja de artigos de festa reservou 40% do espaço especialmente para as festas de fim de ano. Além das tradicionais decorações, há também muitos itens dourados e prateados para o réveillon.

São balões, taças e enfeites que ajudam as vendas a crescer no mínimo 5% até a véspera do Natal, segundo o vendedor Maurício Tonde, 37 anos.

“As pessoas vêm comprar tudo para o Natal, mas durante o feriadão percebemos que os clientes também estão adorando os itens de Ano Novo”, diz.

DESCONTO DE RUA

Se não bastasse o Natal, que tradicionalmente lota as ruas dessa região de compras, a Black Friday também deve levar mais uma leva de clientes para o endereço no próximo fim de semana.

ANÚNCIOS LEVAM CLIENTE PRA DENTRO DA LOJA

À caça de boas promoções, há muita gente se planejando para antecipar as compras de presentes de Natal. A verdade é que embora esteja mais consolidada na internet, existe um movimento cada vez mais forte para que o comércio como um todo participe da Black Friday.

Na internet, a expectativa é de que o varejo online cresça entre 17% e 20%, de acordo com a Rakuten Digital Commerce. Em 2017, a data movimentou R$ 2,1 bilhões no e-commerce, de acordo com a E-Bit, uma alta de 10,3% na comparação com 2016.

No entanto, mesmo fazendo uso da campanha, o varejo físico não consegue bater os mesmos números das lojas online.

No último ano, o varejo físico, ou seja, as lojas de rua e shopping centers, registraram um crescimento de 4,9%, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio.

Justamente por se tratar de uma região de comércio popular, onde tradicionalmente os preços são mais baixos, o efeito das megapromoções pode não ser tão evidente, mas é muito importante para os lojistas, diz Márcia Aparecida Lopes, 39 anos, gerente de uma loja de cama, mesa e banho na região.

"Enfeitamos a loja, evidenciamos as promoções e as pessoas entram mais na loja. Descobrem novos produtos aqui dentro e acabam comprando. É um combo que temos que aproveitar - festas, feriado e Black Friday".

 FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil e Mariana Missiaggia/DC