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Exportações brasileiras devem crescer 18% no ano, projeta Cepal


Mas as vendas externas ainda estão muito concentradas em commodities, traz levantamento feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe


  Por Agência Brasil 30 de Outubro de 2017 às 17:59

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indica que as exportações brasileiras crescerão 18% este ano. Se o recorte abranger apenas produtos manufaturados, o aumento deve ficar em 20%. Já as importações do país deverão crescer 8,3%.

“Isso reflete um bom momento do comércio exterior brasileiro, já que temos observado preços mais favoráveis e elevação da quantidade exportada, em especial para a América Latina”, disse Carlos Mussi, diretor do escritório da Cepal no Brasil.

Ainda segundo ele, o aumento das importações também denota certa recuperação da economia brasileira. “Isso deve estar relacionado ao aumento do consumo brasileiro, que já se observa, e a alguma coisa em termos de modernização em alguns setores, devido à aquisição de máquinas e equipamentos”, acrescentou.

REGIÃO

O relatório da Cepal indica também que o comércio exterior da região da América Latina e o Caribe voltará a crescer este ano, deixando para trás “meia década de queda dos preços de sua cesta de exportação e de um leve aumento do volume exportado”, para alcançar crescimento de 10% no valor das vendas de bens para o exterior.

Este ano, a recuperação das exportações regionais será liderada pelas vendas à China (aumento estimado em 23%) e para os demais países da Ásia (17%).

Já as vendas para os Estados Unidos têm previsão de aumentar 9%; e para países da própria região, 10%. As vendas para a União Europeia terão aumento de 6%, prevê o estudo.

Diante da “alta concentração de matérias-primas” na América Central e do Caribe, a Cepal aponta como “urgente desafio” para a região “descommoditizar a cesta de exportação”.

Para tanto, acrescenta a entidade, “torna-se indispensável desenvolver atributos diferenciadores, tais como qualidade, marca, rastreabilidade, inocuidade e certificações internacionais (de produção orgânica, comércio justo ou baixa pegada ambiental, entre outras), que permitam atingir preços mais altos nos mercados mundiais”.

A Cepal inclui também, entre os desafios para a região, que sejam criadas condições para que os produtos hoje exportados “quase exclusivamente em forma bruta” sejam processados na própria região.

Para tanto, conclui o estudo, “são indispensáveis políticas industriais mais ativas, implementadas no contexto de alianças público-privadas”.

IMAGEM: Thinkstock