Negócios

Expectativa de vendas estáveis acirra guerra das cervejas


Este ano será marcado pela tentativa das cervejarias, mais do que nunca, "roubar" mercado das rivais


  Por Estadão Conteúdo 26 de Junho de 2017 às 09:28

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Embora a Ambev tenha conseguido voltar a ampliar suas vendas em 2017, isso não quer dizer que o mercado de bebidas como um todo esteja em um caminho de recuperação, depois de dois anos de queda na produção, segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil).

Diante de uma economia que ainda ensaia uma recuperação depois de forte recuo em 2015 e 2016, a expectativa de fontes do setor é que a disputa das cervejarias continue a se dar no fator preço, sem expansão do volume.

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Segundo uma fonte do setor, o ano de 2017 será marcado pelas cervejarias tentando, mais do que nunca, "roubar" o mercado das rivais.

Uma empresa que pode enfrentar desafios para proteger sua participação de mercado é a Heineken, que terá de "digerir" a aquisição da Kirin.

Apesar de a empresa ter pago só um terço do que os japoneses desembolsaram seis anos atrás por ativos que incluem 12 fábricas e várias marcas -entre elas Schin, Glacial, Devassa, BadenBaden e Eisenbahn -, o negócio vem recheado de problemas a serem resolvidos, segundo analistas ouvidos pelo Estado.

Um dos principais desafios da Heineken, segundo Gabriel Vaz de Lima, analista do Bradesco BBI, é a distribuição.

Depois de atuar com uma parceria de distribuição com a Coca-Cola, a Heineken anunciou que deve passar a usar a estrutura terceirizada que herdou da Kirin.

Essa questão, explica Vaz, dá vantagem para a Ambev e a Petrópolis (dona da Itaipava), que têm distribuição própria.

"O Brasil tem uma logística complexa. Por isso, a distribuição própria é um dos principais diferenciais competitivos que uma companhia de bens de consumo do Brasil pode ter", afirma. "Isso não é verdade só no setor de bebidas. É uma vantagem que também beneficia companhias como BRF, M. Dias Branco e Souza Cruz."

MARCAS

Para se "segurar" no período de crise, o presidente da Ambev, Bernardo Paiva, diz que a companhia continuou a investir nas marcas de maior volume, mesmo em um cenário de crise, como o de 2016.

A Ambev deu um "banho de loja" nos rótulos e nas embalagens da Skol e da Brahma. "Poderíamos deixar isso para depois, mas certos investimentos não podem esperar", explica o executivo. "Na crise, é preciso colocar a nossa melhor roupa. É esse tipo de mentalidade que reflete a cultura da Ambev de pensar o longo prazo."

Do lado do marketing, a Ambev também tenta ampliar as ocasiões de consumo do produto, agregando novas marcas ao portfólio.

Além de trabalhar seus rótulos de massa em grandes eventos, a companhia abriu quatro bares em São Paulo voltados a marcas artesanais.

Outra preocupação é a gestão do principal ingrediente da cerveja: a água. A companhia vem definindo metas de economia.

Para 2017, o objetivo era que a produção de 1 litro de bebida utilizasse, no máximo, 3,2 litros de água. Ao fim de 2016, o consumo já estava em 3,04 litros.

FOTO: Thinkstock