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Estudo da Fipe mostra adaptação do comércio às restrições da pandemia


Feito em parceria com a Alelo, levantamento revela aumento no volume de vendas e valor das transações em supermercados e restaurantes à medida que a pandemia avançava


  Por Redação DC 24 de Junho de 2020 às 15:48

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Levantamento realizado pela Fipe, em parceria com a bandeira Alelo, mostra que, conforme a pandemia avançava e as medidas de restrições eram implantadas, os supermercados e restaurantes adaptavam suas formas de trabalhar à nova realidade.

Pelo levantamento, na primeira quinzena de abril, pouco depois da quarentena ser imposta em diferentes estados, as vendas nesses estabelecimentos caíram 67,7% quando comparadas à média histórica desse indicador. Agora, em uma análise mais recente, que considera a segunda quinzena de maio, as vendas recuaram menos, 54,2%.

O mesmo é observado no valor das transações, que em igual comparação saiu de uma queda de 56,7% para 31,8%.

O estudo mostra ainda que na primeira de abril o número de restaurantes e supermercados que conseguiram realizar transações havia caído 40,5%, sendo que na segundo quinzena de maio 19,5% deles não conseguiram vender.

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Segundo a Fipe, entre as hipóteses consideradas para contextualizar esses resultados está a adaptação progressiva dos hábitos de consumo e dos canais de atendimento dos estabelecimentos comerciais às restrições vigentes durante a quarentena – a exemplo do uso de aplicativos, serviços de entrega a domicílio e opção de retirada em balcão.

“O surgimento das restrições que a pandemia trouxe à sociedade fez com que todos – empresas, consumidores e trabalhadores – buscassem novas formas de relacionamento, trabalho e consumo. Aos poucos, as adaptações à nova realidade vão permitindo alguma retomada das atividades”, destaca Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe.

SUPERMERCADOS

Os Índices de Consumo em Supermercados (ICS) mostram que o fluxo de consumo e vendas nesse segmento continua sendo menos afetado pela pandemia e pelas medidas contingenciais.

O principal impacto observado no comportamento do consumo continua sendo a redução no número de transações nesses estabelecimentos.

De toda forma, os impactos registrados nos índices foram relativamente menos expressivos na segunda quinzena de maio (-14,2%), em relação à queda registrada na primeira quinzena de abril (-19,2%).

Em compensação, registrou-se novamente um impacto positivo no índice que monitora o valor gasto em supermercados (alta de 12,7% na segunda quinzena de maio).

“Vemos que a manutenção da operação desses estabelecimentos durante a pandemia, como parte dos chamados serviços essenciais para a população que diminuiu a frequência, mas não deixou de consumir”, afirma Cesário Nakamura, presidente da Alelo.

Esses impactos foram registrados a partir da análise do comportamento dos Índices de Consumo em Restaurantes (ICR) e Índices de Consumo em Supermercados (ICS), elaborados a partir da utilização dos cartões Alelo Alimentação Alelo Refeição, incluindo quantidade e valor das transações, além do número de estabelecimentos que receberam pagamentos com os cartões, entre 1 de janeiro de 2018 e 31 de maio 2020.  

Como referência para o levantamento dos impactos da pandemia sobre o consumo, os valores recentes dos índices foram comparados às médias observadas ao longo de 2019.