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Entenda como o Magazine Luiza consegue crescer em meio à pandemia


Em maio, até o dia 20, as vendas da empresa cresceram 46% em comparação com o mesmo período do ano passado. Para Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da rede, o bom desempenho deve-se a anos de investimentos no e-commerce e no omnichannel


  Por André de Almeida  08 de Junho de 2020 às 07:00

  | Repórter andre.dcomercio@gmail.com


Das aproximadamente 1,1 mil lojas no país, o Magazine Luiza já retomou parcialmente as atividades em cerca de 500 unidades após o início da reabertura gradual do comércio de rua e dos shopping centers.

Diante das incertezas na economia causadas pelos impactos da pandemia da covid-19, a empresa já definiu sua estratégia para continuar crescendo em meio a um cenário desafiador: continuar investindo no e-commerce e no omnichannel.

O Magazine Luiza, ao contrário da maioria das empresas varejistas, conseguiu aumentar suas vendas durante a pandemia. Em maio, até o dia 20, mesmo com as lojas físicas fechadas, as vendas cresceram 46% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Na última quinta-feira (04/06), as ações da empresa estavam com uma valorização de 22% em relação ao início do ano. Além disso, pela primeira vez, o Magalu ultrapassou a marca de R$ 100 bilhões em valor de mercado.  

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O bom desempenho da empresa, segundo Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, deve-se, entre outros motivos, a anos de investimentos no digital. Tanto que a base ativa de clientes no e-commerce do Magalu nos primeiros três meses do ano cresceu 43% na comparação com o primeiro trimestre de 2019.

No início da pandemia, a participação do digital nas vendas já era superior a 50%. “Mesmo assim, todos na empresa trabalharam dia e noite para identificar as novas demandas do mercado”, afirmou a empresária durante live promovida pela SMZTO.

EXIGENTES

Para Luiza Helena, os consumidores, além de preocupados com protocolos sanitários, estão mais exigentes quanto à postura adotada pelas empresas no enfrentamento da pandemia. “Eles querem saber quais ações foram tomadas e se as empresas demitiram ou não”, disse.

Nesse quesito, o Magazine Luiza foi um dos idealizadores e signatários do movimento “Não Demita”, para a manutenção de empregos no período da pandemia.

A empresa também criou o “Parceiro Magalu”, uma plataforma digital de vendas que está ajudando micro e pequenos varejistas e profissionais autônomos a manter seus negócios. “A iniciativa conta com mais de 30 mil pessoas vendendo todos os dias e ganhando suas comissões”, afirmou Luiza Helena.

TENDÊNCIAS

Segundo a presidente do conselho do Magazine Luiza, é difícil saber o que vai acontecer com o varejo em um futuro próximo. No entanto, a empresária aposta em um aumento da participação das vendas por meio de canais digitais, de 5% para 10% no mercado como um todo.

“É certo que a loja física deverá ter um outro formato. Será uma nova realidade, um novo normal”, destacou.

Dentro desse novo formato já adotado pelo Magalu, se destaca o omnichannel, ou seja, a integração entre lojas físicas e virtuais, de forma que o consumidor não veja a diferença entre o mundo físico e o digital. “As nossas unidades já funcionam nesse conceito. Além de lojas, elas são centros de distribuição e pontos de retirada para compras on-line, entre outros serviços”, afirmou Luiza Helena.

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O omnichannel ou o multicanal (venda em vários canais), de forma alguma representará o enfraquecimento da aposta pela empresa em lojas físicas. Pelo contrário. De acordo com Luiza Helena, o Magalu pretende abrir 150 novas lojas em 2020.

O papel estratégico da loja física também foi destacado pelo especialista em varejo Alberto Serrentino. Na visão dele, ela vai continuar existindo, mas terá que mudar o seu papel. “Não é mais o cliente que tem que ir à loja, mas a loja que tem que ir ao cliente”, destacou.

“A loja deve encontrar uma forma de não ser apenas um ponto de venda, mas um ponto de estoque, de entrega, de retirada, de serviço, de pós-venda e de engajamento de pessoas. Os vendedores, mais do que tudo, têm que ser influenciadores sociais”.

De acordo com Serrentino, as lojas que conseguirem passar a sensação de segurança sanitária e de cumprimento de protocolos básicos, os clientes voltarão a consumir nesses locais.

“O empresário deve tirar o foco do canal de vendas e olhar para o cliente, se aproximar, acumular dados e buscá-lo onde ele estiver, se comunicando corretamente com o consumidor da forma que ele estiver disponível”, explicou.

Outra tendência apontada pelo estrategista em varejo é uma mudança no comportamento do consumidor quanto aos seus hábitos de compra. “A frequência de compras deve ser menor. Elas serão mais rápidas e com ticket médio e taxa de conversão maiores”, disse Serrentino.

Em shopping centers, esse movimento já está se confirmando. De acordo com Glauco Humai, presidente da associação brasileira que representa o setor (Abrasce), nos shoppings que já foram reabertos o público está indo para fazer compras mais assertivas e menos por impulso. Tanto que o tempo médio de permanência, que era de 76 minutos antes da pandemia, atualmente está em 25 minutos.

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