Negócios

Empresas que se destacaram em exportação recebem prêmio da ACSP


A 11ª edição da premiação consagrou 24 empresas que conquistaram notoriedade em exportação no Estado de São Paulo


  Por Italo Rufino 16 de Dezembro de 2015 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Na noite de ontem, terça-feira (16/12), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reconheceu as mais ilustres empresas exportadoras de micro, pequeno e médio porte com o prêmio Exporta, São Paulo.

A honraria foi concedida pela SP Chamber of Commerce, departamento da ACSP criado para estimular o comércio exterior. 

A iniciativa, que acontece desde 2005, tem como objetivo fomentar a mobilização para que pequenas empresas expandam suas vendas internacionalmente

Entre os critérios considerados na premiação figuram: crescimento absoluto das exportações; crescimento das exportações para países da Associação Latino-Americana de Integração, diversificação dos mercados de destino das exportações e incorporação de novos produtos ao portfólio de exportações. 

Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp), afirmou durante o evento que investir em exportação é uma das medidas que as empresas precisam recorrer para continuar crescendo, uma vez que depender exclusivamente do mercado interno tende a ser mais difícil devido a retração econômica.

“Quem não exportar terá dificuldades para sobreviver”, disse Burti. 

O prêmio Exporta, São Paulo é realizado pelo São Paulo Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). O evento deste ano foi apoiado pelo MDIC, Boa Vista SCPC, CECIEx, Agência USP de Inovação e PROGEX-IPT e teve como patrocinadores o Contrail Logística e Double Star Logistics. 

Conheça, a seguir, quatro casos de empresas vencedoras da edição 2015 do prêmio Exporta, São Paulo.

BIQUINIS À BRASILEIRA 

Vender biquínis brasileiros para consumidoras da Arábia Saudita. Esse é um das realizações de Margareth Rose Sampaio de Sá, fundadora da Santa Areia, confecção santista de moda praia. 

Fundada em 2005, a Santa Areia exporta roupas de banho para sete países. Além do Oriente Médio, há clientes em Portugal, Espanha, Itália, entre outros países europeus. 

O principal mercado é o americano. A Santa Areia tem como clientes varejistas que atuam na Flórida. A empresa também desenha e produz peças para a marca americana San Lorenzo, que possui duas lojas no Hawai e uma em Malibu – regiões conhecidas por suas belas praias –, e uma loja virtual que vende para o restante do país. 

“A exportação representa cerca de 45% do faturamento da empresa”, afirma Margareth. “Neste ano, vamos crescer 15% e faturar R$ 1 milhão.”

Os produtos são enviados para outros países por meio do Exporta Fácil dos Correios.

O serviço possibilita que encomendas no valor de até US$ 50 mil  sejam enviadas de maneira simplificada. “Usar um serviço dos Correios, que é uma empresa conhecida mundialmente, também transmite credibilidade e tranquiliza os clientes”, diz Margareth. 

MODELO COM PEÇA DE MODA PRAIA DA SANTA AREIA /DIVULGAÇÃO

Margareth afirma que o produto que vende é conhecido mundo afora por ser único, uma vez que os biquínis brasileiros se diferenciam dos demais usados em outros países.

Para reforçar a imagem da sensualidade brasileira, uma estratégia que a empreendedora vem usando nos últimos anos é contratar modelos conhecidas nas redes sociais como garotas-propaganda da marca.

Entre elas estão Fernanda D'avila, dançarina do Faustão, e Thaís Bianca, ex-panicat do programa Pânico na TV.

“Elas possuem muitos seguidores no Instagram e nos ajudam a popularizar a marca", afirma Margareth. 

MARGARETH, DA SANTA AREIA RECEBE O PRÊMIO EXPORTA, SÃO PAULO

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ESPALHANDO O KNOW-HOW CAFEEIRO PELO MUNDO

Há cinco anos o engenheiro agrônomo Josef Andreas Nick desenvolveu uma centrífuga para acelerar o beneficiamento da lavoura de café.

O equipamento foi tão bem aceito entre os cafeicultores paulistas que as encomendas não tardaram a chegar. Nascia assim a Origem do Brasil, empresa que hoje exporta o produto para diversos países.

Cerca de 30% das centrífugas produzidas pela Origem são destinadas ao mercado externo, em especial para países da Ásia e da América Central.

A empresa produz por demanda, e a procura está crescendo segundo Nick. "Nos primeiros anos atendemos a demanda interna", afirma o engenheiro agrônomo, hoje empresário. "Começamos a ganhar mercado no ano passado, quando exportamos 15% da produção – este ano nossas vendas externas dobraram.”

Nick conhece o setor cafeeiro intimamente, pois sua família é produtora de café há 40 anos.

Esse conhecimento serviu de subsídio para elaboração de um equipamento que otimiza uma das etapas mais críticas da cadeia produtiva do café, a secagem dos grãos. 

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A centrífuga criada por ele remove a água usada para lavar os grãos em etapas anteriores. Esse procedimento tradicionalmente era feito em terreiros de café, onde os grãos eram revolvidos manualmente para secar.

CENTRÍFUGA DA ORIGEM ACELERA A SECAGEM DOS GÃOS DE CAFÉ

Nos últimos anos Nick se dedicou a prospectar novos mercados para seu produto, e colocou o pé na estrada. Ele destaca a importância dos encontros de negócio para encontrar novos clientes.

“O contato pessoal com meus potenciais clientes foi fundamental para que pudesse solidificar minha presença em diferentes países”, comentou.

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DIVERSIFICAR MERCADOS PARA ENFRENTAR A CRISE

A Ciplafe, indústria produtora de móveis de aço de Fernandópolis, atua no mercado brasileiro há 46 anos. A empresa começou a se aventurar no mercado externo mais recentemente, no ano 2000 – o que se mostraria de extrema importância para seu crescimento.

A desaceleração forte da economia brasileira não poupou a empresa, que viu seu faturamento cair 25% na comparação com 2014, resultado de uma queda de 30% nas vendas internas. 

Nesse cenário, segundo Aparecido Orati, proprietário da Ciplafe, a diversificação de mercados foi fundamental para sobrevivência.

“O câmbio atual é um estímulo para as exportações e a crise no mercado interno exige que o empresário busque outras economias", diz Orati. "É o que estamos fazendo, prospectando novos mercados.”

A Ciplafe produz 80 mil cadeiras e 15 mil mesas por mês. Desse volume, atualmente 10% são destinados ao mercado externo, para o Uruguai, México, África do Sul e Angola. “Nossa meta para 2016 é entrar nos Estados Unidos”, revelou Orati.

10% DOS MÓVEIS DA CIPLAFE SÃO EXPORTADOS

O empresário está no lugar certo na hora certa para aquecer suas vendas externas. Fernandópolis, a cidade onde está instalado, receberá a primeira Zona de Processamento de Exportações (ZPE) do estado de São Paulo. 

Trata-se de uma área de livre comércio com o exterior. As empresas abrigadas pela ZPE têm tratamentos tributário, cambial e administrativo diferenciados.

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EQUIPAMENTOS MÉDICOS INOVADORES

A paulistana Magnamed é especializada em fabricar respiradores pulmonares, equipamentos cuja função é auxiliar o sistema respiratório de pacientes em salas de cirurgia ou durante transporte por ambulâncias. 

Seu principal produto é o respirador Oxymag. “Foi o primeiro equipamento no mundo que podia ser usado em pacientes neonatais, pediatras e adultos”, afirma Reinaldo Damião, gerente de exportação da Magnamed. “A inovação possibilitou a abertura de mercado em 35 países.”

Atualmente, a Magnamed vende equipamentos para quatro continentes. Os maiores clientes são distribuidores da Colômbia, Equador, Egito e Rússia. 

De acordo com Damião, a estratégia de exportar tem sido essencial para manter o crescimento da empresa em época de retração econômica.

No último ano, a empresa contratou mais gerentes de exportação, aumentou a participação em feiras e investiu em novas certificações internacionais. O faturamento proveniente de exportação cresceu de 40% para 60%. 

Para consolidar ainda mais a estratégia de internacionalização, a Magnamed está firmando contratos com clientes cubanos. Outro país que desperta muito interesse é a África do Sul, onde a empresa já detém 45% do market share em ventiladores de transporte.

“O país africano é um facilitador para entrar em outras regiões do continente, como Moçambique e Angola.”

*Com reportagem de Renato Carbonari Ibelli