Negócios

Empresas paulistas conquistam o mundo


A 12ª edição do “Exporta, São Paulo”, realizado pela ACSP e FACESP, premiou empresas que se destacaram em comércio exterior, como a MC Tech, dos empreendedores Mauricio Capitani e Márcio Nicoletti


  Por Redação DC 13 de Dezembro de 2016 às 19:00

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Por  Italo Rufino e Wladimir Miranda

Este foi um ano duro para os empreendedores. A dobradinha de crises, a econômica e a política, minou o otimismo dos empresários e a confiança do consumidor.

A indústria, após queda de 8,3% em 2015, sofreu um tropeço de 7,7% de janeiro a outubro deste ano, segundo o IBGE.

Por sua vez, o dólar flutuou mais do que barquinho de papel em dia de ressaca. No início de janeiro, a moeda era cotada em R$ 4,16. Em novembro, chegou a R$ 3,12. Atualmente, está na casa de R$ 3,30. 

Em meio a um cenário de turbulência econômica, empresas que conseguiram aumentar as vendas e conquistar grandes feitos por meio de exportações merecem um prêmio. 

E foi exatamente para reconhecer o trabalho dos exportadores paulistas que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) realizaram a 12ª edição do “Exporta, São Paulo” -premiação que avalia o desempenho de empresas das 20 administrativas da FACESP, abrangendo todo o território paulista. 

Foram reconhecidas 23 empresas. A avaliação leva em conta critérios econômicos e atuação nas áreas de responsabilidade social e ambiental

A solenidade foi conduzida por Roberto Mateus Ordine, vice-presidente da ACSP e FACESP; Roberto Ticoulat, coordenador da área de comércio exterior da entidade; José Cândido Senna, coordenador geral do Projeto Exporta São Paulo; Roseli Garcia, diretora de redes da Boa Vista, e Rita Campagnoli, presidente do Ceciex.

“As empresas premiadas apresentaram expressivo crescimento de exportações, diversificando mercados no exterior e agregando novos produtos à pauta de exportações”, afirma Senna. “Inovação e sustentabilidade também são aspectos fundamentais na avaliação”.

Conheça algumas das empresas ganhadoras do Exporta, São Paulo. 

PREÇO COMPETITIVO PARA ENFRENTAR A CONCORRÊNCIA

Fundada em 2006 como uma fornecedora de peças para máquinas industriais, a MC Tech, de Itapetininga, se transformou num grupo com quatro unidades de negócios.

Hoje, a companhia atua no comércio de produtos industriais, prestação de serviços de manutenção de máquinas, consultoria em automação industrial e assessoria de importação e exportação – realizando a ponte entre empresas brasileiras e clientes internacionais. 

Uma das empresas do grupo é a Nicoletti, fabricante de máquinas de reciclagem de madeira. O maquinário desenvolvido pela empresa processa troncos, galhos, cascas e outros tipos de madeira e transforma os materiais em resíduos que são usados para produção de biomassa. 

Atualmente, a empresa exporta para nove países. Os principais destinos são Estados Unidos e Europa. 

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De acordo com Márcio Nicoletti, diretor da empresa, o maior atrativo da marca no mercado internacional é o preço competitivo.

A empresa desenvolve seus próprios projetos de máquinas e só utiliza fornecedores nacionais, o que diminui os custos de produção. 

“Na Itália, nossas máquinas chegam a ser até 50% mais baratas do que as concorrentes europeias."

Em 2016, cerca de 30% do faturamento, estimado em R$ 5,5 milhões, serão provenientes de exportações. 

“As exportações estão mantendo a empresa em pé”, afirma Mauricio Capitani, diretor do grupo. “As vendas internas de máquinas caíram 30% no último ano.”

GANHADORES DA 12º EDIÇÃO DO EXPORTA, SÃO PAULO (foto:Rafael Muner)

APOIO DE GRUPO INTERNACIONAL 

A Weener Indústria Plástica produz um item que grande parte da população usa diariamente, mesmo sem se dar conta.

A indústria, localizada próximo ao Pico do Jaraguá, na zona norte paulistana, é uma das maiores produtoras nacionais de esferas de desodorantes roll-on e outras embalagens plásticas para a indústria de higiene pessoal e beleza. 

Entre os clientes da Weener está grande empresas como Unilever, Avon e GSK

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A Weener Indústria Plástica é resultado de uma aquisição de unidades fabris da empresa brasileira GlobalPack pelo grupo alemão WPPG. A transação foi concluída em 2015. 

A WPPG possui operações em dezesseis países. A já existente carteira internacional do grupo controlador facilitou o crescimento das exportações da unidade brasileira. 

TRÓFEU ENTREGUE AOS EMPREENDEDORES

Somente em 2015, a Weener Indústria Plástica exportou 38 milhões de itens – número 40% maior do que o volume de exportações de registrado em 2014. 

Até dezembro, a empresa estima que entre 15% e 20% do faturamento virá de vendas para o exterior. Um dos maiores clientes é Unilever da Argentina. 

Para dar conta do aumento da demanda, a empresa tem investido em tecnologia. Novas máquinas foram adquiridas nos últimos anos para automatizar a produção das esferas. 

Atualmente, uma das dificuldades da empresa é a compra de resinas plásticas, que são negociadas em dólar.

“Para não onerar a empresa, é feito um planejamento financeiro com quatro meses de antecedência que considera diferentes hipóteses de câmbios”, diz Claudete Perfeito, coordenadora de exportação e importação da Weener Indústria Plástica. 

ATUAÇÃO EM NICHO DE MERCADO 

Há poucos dias, o empreendedor Ricardo Costa concluiu uma importante negociação com clientes do Chile.

O vizinho latino-americano será o vigésimo segundo país a comprar os produtos da empresa de Costa, a RHJ, fabricante de equipamentos para banco de leite humano. 

A empresa possui duas linhas de produtos. Uma é dedicada às mães, com equipamentos para sucção e vasilhames para armazenamento de leite em casa.

A outra linha do portfólio é destinada a hospitais e bancos de leite e possui, por exemplo, equipamentos para pasteurização. 

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Com sede em Paulicéia, cidade do oeste paulista distante 667 quilômetros da capital, a RHJ estima faturar R$ 200 mil com exportações em 2016 – o volume de negócios internacionais cresceu 6% no ano. 

De acordo com Costa, o principal gargalo para exportação são os entraves burocráticos que as empresas enfrentam para atender clientes estrangeiros. 

“Os maiores obstáculos continuam sendo a burocracia e as altas taxas tributárias”, afirma Costa. “Ainda não percebemos melhoras com a mudança de governo, mas torço para que haja simplificação tributária e processos mais flexíveis para exportação.”

SOLENIDADE FOI CONDUZIDA POR ROBERTO MATEUS ORDINE, VICE-PRESIDENTE DA ACSP E DA FACESP/Foto: Rafael Muner)