Negócios

Em abril, confiança do brasileiro é a pior dos últimos 11 anos


51% dos brasileiros definem sua atual situação financeira como ruim, de acordo com ACSP – apenas 13% estão seguros em seus empregos


  Por Redação DC 04 de Maio de 2016 às 10:27

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Após se mostrar estável em março, as perspectivas dos brasileiros voltaram a refletir o canário de incertezas que marca o atual momento político. Em abril, o Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou 64 pontos – o pior resultado desde que a pesquisa começou a ser feita, em abril de 2005.

Em março de 2016, a confiança foi de 73 pontos e, em abril do ano passado, 103 pontos. Os valores entre 100 e 200 significam otimismo e os abaixo de 100 representam pessimismo.

O INC mede a confiança e a segurança do brasileiro quanto à sua situação financeira ao longo do tempo. Indica a percepção da população sobre a economia e prevê o comportamento do consumidor no mercado. 

No intervalo de apenas um ano, o brasileiro deixou o campo otimista e se tornou profundamente pessimista, de acordo com a entidade.

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A confiança do consumidor paulista também bateu novo recorde de baixa, despencando de 57 pontos em março para apenas 48 pontos em abril. Há um ano, o INC do Estado foi de 89 pontos - mais industrializada, a região é mais sensível aos efeitos da crise econômica. 

“O brasileiro está abalado com o que está acontecendo no país. Com a chegada de um novo governo, as incertezas do consumidor podem diminuir”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). 

“O grande desafio da nova equipe econômica será justamente recuperar o otimismo da população e aproveitar a queda da inflação para, no momento adequado, iniciar a redução da taxa de juros”. 

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EMPREGO, CONSUMO E SITUAÇÃO FINANCEIRA 

Segundo o INC de abril, 51% dos brasileiros definem sua atual situação financeira como ruim e 37% acreditam que sua situação financeira futura piorará nos próximos seis meses. Em março, essas parcelas eram de 51% e 34%, respectivamente. E, há um ano, eram de 38% e 22%.

Como consequência, grande parte dos brasileiros continua preocupada com a questão do emprego: apenas 13% estão seguros em seus trabalhos – há um ano, eram 28%. 

“A incerteza política contribui para o consumidor recuar nas compras, pois prioriza os produtos do dia a dia. Ele está postergando decisões de compra parcelada para um momento mais favorável”, diz Alencar Burti.

O INC de abril revelou que 68% dos brasileiros não estão à vontade para comprar eletroeletrônicos, contra 62% no mês anterior e 42% há um ano.

Além disso, 73% não pensam em adquirir bens duráveis de maior valor como imóveis e automóveis, ante 68% em março e 53% há um ano.

CLASSES

O INC das classes A/B despencou de 60 pontos em março para 49 em abril, por ser o grupo socioeconômico mais bem informado e, também, porque ele já começa a ser bastante afetado pelo desemprego, com gerentes, diretores e executivos de empresas sendo demitidos por contenção de gastos, de acordo com a entidade.

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Já a classe C, cujo INC saiu de 74 pontos em março e foi para 63 pontos em abril, continua a mais afetada pelo desemprego porque foi a que mais se beneficiou do crescimento econômico dos últimos anos. “O consumidor da classe C é o mais ameaçado”, diz Burti. 

Já nas classes D/E, o INC caiu de 85 para 81 pontos de um mês para outro.

REGIÕES

O Sudeste teve um INC de 53 pontos em abril contra 65 em março. O Sul sofreu queda semelhante, caindo de 73 para 59 pontos em abril. Já nas regiões Norte/Centro-Oeste, a confiança do consumidor recuou de 76 para 70 pontos no mesmo período.

O Nordeste continua a região menos pessimista, com um INC de 82 pontos em abril frente a 88 em março.

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