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Ele previa abrir mais seis lojas em 2015. Em vez disso, fechou 15


Ubirajara Pasquotto, dono da rede Cybelar, especializada na venda de eletroeletrônicos, diz que está enxugando a operação para se adequar ao novo ritmo de consumo


  Por Fátima Fernandes 11 de Março de 2016 às 13:00

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Há exatamente um ano, Ubirajara Pasquotto, presidente da rede Cybelar, que completa 64 anos em abril, era um dos empresários mais otimistas em um evento que reuniu os maiores varejistas brasileiros no Guarujá, em São Paulo.

Na época, sua empresa, especializada na venda de eletroeletrônicos, já operava cerca de 140 lojas espalhadas pelo interior de São Paulo e sul de Minais, com faturamento próximo de R$ 700 milhões em 2014.

A expectativa de Pasquotto era abrir mais seis lojas ao longo de 2015 e aumentar a receita em 8%. “Ninguém vai parar totalmente de consumir. Este clima de pessimismo está exacerbado”, declarava, em março de 2015.

Um ano depois, Pasquotto expõe um cenário bem diferente do que previu. No ano passado, a Cybelar fechou 15 lojas, 12 no interior paulista e três em Minas Gerais -nas cidades de Lavras e Três Corações.

LOJA DA CYBELAR: PLANO DE CRESCER EM MINAS GERAIS FOI ABORTADO

Os planos de crescer no mercado mineiro foram abortados: “Com a crise, a expansão no mercado mineiro deixou de fazer sentido. Nós acreditávamos que a economia iria crescer, o que não ocorreu”.

Em algumas cidades, onde a rede possuía duas lojas, agora só resta uma. As três lojas que funcionavam em Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral de São Paulo, fecharam as portas.

“Esses três pontos, que pertenciam à rede Colombo -adquirida pela Cybelar-, estavam deslocados, dificultando o abastecimento”, diz.

Lojas em cidades que possam ser vítima de algum evento capaz de retrair o consumo também poderão ser fechadas pela empresa. "Não dá para arriscar", diz ele. Como exemplo, cita o desastre ambiental na cidade de Mariana (MG), onde o consumo despencou.

Em 2015, a rede fechou 15 lojas e abriu quatro novos pontos nas cidades de Tambaú e Santo Antônio da Posse, ambas no interior paulista.

O varejo de eletroeletrônico foi um dos mais afetados com a crise. No ano passado, as vendas de móveis e eletroeletrônicos tiveram queda de 14%, na comparação com 2014, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A projeção de Pasquotto, no início de 2015, era atingir um faturamento de vendas de R$ 800 milhões no ano passado. O montante ficou próximo de R$ 600 milhões. “E deve cair mais neste ano”, acrescenta.

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Para enfrentar a crise, o presidente da rede Cybelar, que faz parte da segunda geração da família que fundou a empresa, acionou um programa para enxugar a operação.

Além de reduzir o número de lojas, a rede decidiu readequar o míx de produtos. "Dos 40 modelos de ferro de passar, hoje oferecemos de 18 a 20. Estamos trabalhando com os itens que mais vendem”, afirma.

De uma forma geral, a Cybelar cortou 30% o número de modelos de produtos expostos nas lojas, um movimento, diz, que também está sendo seguido pelas indústrias. 

Não está sendo um ano fácil, diz ele. A inadimplência na rede saltou dois pontos percentuais em um ano. A taxa era de 8,5% sobre a carteira financiada (atrasos até 180 dias) e subiu para 10,5% neste ano.

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“O consumidor está muito cauteloso. O que o varejista tem de fazer é oferecer produtos que possam caber no orçamento do cliente, bom atendimento e um financiamento adequado”, afirma.

Uma parceria com uma financeira permite que a Cybelar ofereça crediário de até 24 meses. Mas a clientela não quer parcelar o pagamento acima de 18 meses.

“Para este ano, vamos continuar firme na busca de eficiência para manter a operação”, diz ele.

No ano passado, a rede informou que tinha 140 lojas. Atualmente, Pasquotto diz que são 116, isto é 24 lojas a menos, apesar de ele ter informado que fecharam 15 pontos comerciais no ano passado.

Eram, no final de 2014, 2.400 empregados. Atualmente, pouco mais de 1700. Por enquanto, segundo Pasquotto, a empresa está no tamanho certo.

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