Negócios

“Efeito-Carnaval” derruba vendas na 1º quinzena de fevereiro


Queda média comparada a 2015 foi de 17,9%, de acordo com a ACSP. Venda de adereços e outros artigos ligados à data ajudaram a diminuir o resultado negativo ante janeiro


  Por Karina Lignelli 16 de Fevereiro de 2016 às 18:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A folia nos blocos não foi a mesma nas lojas. Na primeira quinzena de fevereiro, o movimento de vendas do comércio paulistano registrou queda média de 17,9% ante igual período de 2015, segundo dados do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Mesmo dando continuidade ao comportamento negativo do varejo em 2015, conforme divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (16/02), o resultado de fevereiro não pode ser projetado para o restante do mês, afirma Alencar Burti, presidente da entidade.  

“Em 2015, o Carnaval caiu na segunda quinzena de fevereiro. Neste ano, foi na primeira. Além disso, este fevereiro é bissexto, então, terá um dia a mais”, diz. De qualquer maneira, segundo Burti, o desempenho deve ser negativo, porém, um pouco melhor do que o registrado na primeira quinzena.  

Na divisão por vendas a prazo, a queda foi de 18,3%, puxada pela alta dos juros, pela restrição ao crédito e pela falta de confiança do consumidor, afirma Emílio Alfieri, economista da ACSP.

“Inseguro no emprego, o consumidor evita vendas parceladas. A retirada dos incentivos fiscais em produtos de informática, cujas vendas caíram 15%, também colaboraram para essa queda.”

Já as vendas à vista caíram 17,5% - diminuição sazonal já esperada na capital paulista nessa época do ano. “Agora, a expectativa é que as lojas façam ainda mais liquidações e promoções para desovar os seus estoques”, completa Alfieri.

MÊS A MÊS

Na comparação com a primeira quinzena de janeiro, as vendas do comércio paulistano registraram queda média de 6,5%, conforme apurado pelo Balanço de Vendas.

Mas, enquanto o movimento a prazo caiu 10,1%, pelos motivos já citados anteriormente, as vendas à vista tiveram queda de apenas 2,9%.

De acordo com o economista da ACSP, o consumidor evitou comprar peças de vestuário nos últimos meses – confirmado pelos balanços negativos das lojas do setor. Por outro lado, comprou adereços e produtos de beleza para usar na festa - o que ajudou a queda a ser menor, diz Alfieri.

“A expectativa para os próximos meses é que a economia paulista volte ao ritmo normal, e com as próximas datas festivas, aguarda-se a diminuição dessas quedas”, conclui. 

ÍNDICE DA CIELO REGISTRA REDUÇÃO DE 6% EM JANEIRO

Não só as vendas medidas pela ACSP recuaram: o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado), que apuram as vendas em mais de 1,8 milhão de pontos de venda associados, registrou retração de 6% nas vendas comércio varejista em janeiro ante igual período de 2015 (descontada a inflação).

Em dezembro, o índice havia registrado retração de 5,5%, também ante igual mês do ano anterior.

Com o resultado de janeiro, o varejo completa seis meses seguidos de queda no desempenho de vendas. Em termos nominais, as vendas no varejo ampliado cresceram 2,4% em relação a janeiro de 2015. 

Vale destacar que, ao contrário de dezembro, beneficiado pelo efeito-calendário, o primeiro mês do ano foi prejudicado pela troca de dias da semana em relação a 2015 – um domingo a mais e uma quinta-feira a menos. 

Descontando o efeito-calendário além da inflação, o ICVA ajustado apontou retração de 5,6% para o mês de janeiro, uma pequena aceleração em relação a dezembro – que havia computado baixa de 5,9% neste mesmo conceito. 

Foto de abertura: Rejane Tamoto