Negócios

Educação, veículos e hotelaria puxam crescimento do franchising


Setor cresceu 8,2% no terceiro trimestre e somou faturamento de quase R$ 100 bilhões, de acordo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). No acumulado do ano, a alta atingiu 10,1%


  Por Karina Lignelli 22 de Outubro de 2015 às 19:46

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Com o desemprego batendo nos 10%, os profissionais têm buscado se qualificar, na tentativa de assegurar seu lugar no mercado de trabalho. O dinheiro curto e o crédito escasso também têm levado os consumidores a optar por reparos em itens como carros. E com a alta do dólar, adeus compras em Miami e viagens para o exterior: a hora é de viajar pelo Brasil. 

Se os impactos da crise econômica provocam danos em alguns segmentos, há outros que levam vantagem. No terceiro trimestre de 2015, empresas vinculadas a educação e treinamento, veículos e hotelaria puxaram o crescimento do franchising, cujo faturamento alcançou R$ 99,385 bilhões –8,2% acima de igual período de 2014. 

Se o critério for o acumulado até setembro passado, o resultado é ainda melhor, de 10,1%. Projeções da Associação Brasileira de Franchising indicam crescimento de 7% a 10% até dezembro próximo. Foi o que afirmou, nesta quinta-feira (22/10) Cristina Franco, presidente da entidade, durante a 15ª Convenção ABF que acontece na Ilha de Comandatuba (BA). 

Ela atribui o bom desempenho à padronização do sistema, que funciona em rede, e à visão de negócios do setor, que opera no sentido de manter os índices de lucratividade tanto para franqueados como para franqueadores.

CRISTINA FRANCO, DA ABF: SETOR CRESCERÁ ATÉ 10% EM 2015/Foto:Marcel Uyeta

EXPANSÃO

Um levantamento da ABF, divulgado no evento, apontou que o número de unidades franqueadas cresceu 2% de julho a setembro. São, agora, 133,8 mil operações em atividade. Embora as redes de franquias exibam postura mais conservadora, o percentual indica que não deixaram de se expandir. 

Os três segmentos que mais cresceram no período obtiveram alta no faturamento por loja.

As marcas vinculadas ao ramo de turismo cresceram 15%, graças ao desempenho de empresas como TAM Viagens, CVC e Flytour e seus pacotes domésticos. Na média, os três segmentos campeões expandiram suas unidades franqueadas, entre 3% e 5%. 

A desvalorização do real e um tíquete médio atraente ao bolso do consumidor também podem ter impulsionado essa alta, já que o consumo foi preservado, de acordo com Cristina:  

“São segmentos tradicionais que souberam se adaptar ao novo momento para atrair um consumidor retraído, mas que não abre mão de hábitos adquiridos quando a economia ia bem”.   

Ainda assim, a taxa de mortalidade de 3% de franquias com menos de um ano de atividade se manteve. “A crise está aí”, afirma.

REPASSE E CRÉDITO

Outro indicador que emerge da pesquisa trimestral da ABF mostra que a taxa de encerramento de unidades de franquia no período foi de 1,3% - um percentual bem inferior aos 27% avaliados pelo Sebrae em empresas com menos de um ano de atuação.

Um dado inédito no levantamento diz respeito ao número de unidades repassadas no período, que ficou em 0,6%. 

Entenda por “unidades repassadas” franquias que poderiam ser fechadas por diferentes razões, mas que mudaram de mãos e ganharam fôlego.  

“É uma modalidade que ajuda a mensurar o desempenho, para avaliar se o problema é estrutural da marca ou de gestão do franqueado", afirma Cristina. "A ideia é batalhar para melhorar ainda mais a taxa de encerramento de lojas.” 

Em tempos de crédito escasso, a linha exclusiva para franquias por meio do convênio Fampe - parceria entre o Sebrae, o avalista, a ABF e o Bradesco, anunciada em maio - já começou a gerar resultados.

De acordo com João Carlos Gomes da Silva, diretor do Bradesco presente à convenção, até outubro, cem pequenos negócios já recorreram ao financiamento para atuar no franchising desde o início da sua operacionalização. 

"Com isso, foram liberados R$ 10 millhões em empréstimos, com tíquete médio de R$ 70 mil. Mas ainda há mais crédito para essas PMEs", disse.

O convênio, que dura cinco anos prevê, a princípio a liberação de R$ 25 milhões para negócios com faturamento até R$ 3,6 milhões por ano, mas a expectativa é liberar até R$ 300 milhões, dependendo da procura. 

*A jornalista viaja a convite da ABF