Negócios

Ecossistemas de negócios, o modelo das grandes companhias


No Brasil, Americanas, Rappi, Magalu, Carrefour, B2W, GPA e Riachuelo são exemplos de companhias que já não querem mais ser vistas apenas como varejistas


  Por Mariana Missiaggia 02 de Agosto de 2021 às 07:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Empresas, plataformas, varejistas. Fica difícil definir em apenas um modelo a atuação de nomes como Magalu, Via e Americanas. Os movimentos quase que diários dessas gigantes sugerem um novo formato estratégico de organização empresarial - o de ecossistemas.

Fundado em 1999, o Alibaba é um dos principais ecossistemas do mundo com um marketplace para indústrias chinesas encontrarem compradores para seus produtos de forma global. 

A empresa foi pioneira no desenvolvimento do conceito dos ecossistemas de negócios e é um dos exemplos mais robustos, que permitiu um crescimento exponencial dos seus negócios - com valuation atual de aproximadamente 700 bilhões de dólares. 

É um movimento global que tem ficado muito claro nas recentes fusões e aquisições. Já se foi o tempo que o Magazine Luiza vendia móveis. Não se trata mais apenas de entrar numa loja ou em determinado site para comprar uma televisão ou um videogame. É como se todo mundo estivesse vendendo tudo e ao mesmo tempo.

No Brasil, esses ecossistemas estão nascendo especialmente no varejo. Rappi, Magalu, Carrefour, B2W, GPA, Riachuelo - são vários exemplos de companhias baseando seus próximos passo em inspirações internacionais.

Na era do conteúdo, as grandes empresas querem oferecer produtos, mas também entretenimento, notícias, serviços financeiros, modelos de pagamento, notícias que tenham a ver com seu estilo de vida.

Um universo que vem sendo construído sobretudo por um varejo de aquisições, que levam essas empresas a um novo patamar - seus ecossistemas de marcas que permitem novas frentes de crescimento. Enfim, não se trata simplesmente de uma troca de nomenclatura, mas sim de uma troca de modelo de negócio.

Recentemente, o Magalu reforçou ainda mais a sua presença no segmento de tecnologia e games com a aquisição do site KaBuM!, plataforma de e-commerce especializada neste segmento.

Nessa linha, a Renner mostrou que o fast fashion também pode ser sustentável ao adquirir o brechó on-line Repassa. Ou seja, já não se trata mais de uma varejista de vestuário, mas sim de ecossistema de moda e lifestyle.

Em abril, a Lojas Americanas comprou 70% do Grupo Uni.co, dono das lojas Imaginarium, Puket, Mind e Lovebrands. O marketplace da B2W, empresa matriz que engloba Americanas, Submarino, Shoptime e Sou Barato, avançou de 46,8 mil lojistas parceiros em 2019 para 87,3 mil no ano passado. 

A Via é outro exemplo. Está prestes a se tornar também uma fintech com a banQi, uma Sociedade de Crédito Direto, com serviços financeiros.

Todos esses movimentos para ganhar mercado em uma disputa que Eduardo Yamashita, diretor de operações da Gouvêa Ecosystem, define como a batalha dos ecossistemas.

Nas palavras do especialista, as grandes varejistas brasileiras se adaptaram ao conceito chinês e completaram sua transição ao mundo digital.

"A consolidação dos marketplaces, em que os consumidores encontram vários produtos, de diferentes marcas e fornecedores, em uma única plataforma fez com que muito dinheiro do varejo físico migrasse para o varejo virtual", diz Yamashita.

O Mercado Livre foi pioneiro neste conceito em que as pessoas compram produtos não apenas das empresas, mas também umas das outras.

A adaptação ao formato de ecossistemas nasceu na China e envolve o relacionamento de longo prazo com o consumidor, tanto na loja virtual quanto na física.

O ecossistema engloba não só o marketplace, como também as lojas físicas de uma ou mais marcas. O número de fusões e aquisições de empresas teve um forte crescimento no ramo e além de atingir mais consumidores, também rejuvenesce a base de clientes movidos por tecnologia. 

A ideia segue um pensamento de que quanto maior uma empresa se torna, maior pode ficar. E assim, essas organizações estão se movendo no limite de suas possibilidades.

Yamashita explica que ao incorporar mais negócios, essas companhias passam a ocupar espaços que, depois de conquistados, asseguram um trampolim para voos ainda mais altos.

O resultado está refletido no valuation que essas empresas alcançaram nesse período sem que muitas delas sequer se assumissem como ecossistemas de negócios. O Mercado Livre, por exemplo, se transformou de um negócio de vendas de produtos e serviços numa plataforma, organizada como ecossistema, incluindo serviços financeiros e pagamentos, que tem valor de mercado próximo a 80 bilhões de dólares.

 






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