Negócios

'É possível que empresas brasileiras sejam competitivas em nível global'


Walter Schalka, presidente da Suzano, fala sobre as expectativas da união de sua empresa com a Fibria


  Por Estadão Conteúdo 17 de Março de 2018 às 10:44

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A união dos negócios de Suzano e Fibria vai trazer economias de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões para a nova companhia. Segundo Walter Schalka, presidente da Suzano, há ganhos na área florestal, em logística e também no setor administrativo. Na hora de capturar sinergias, afirma ele, não haverá privilegiados. "Todas as decisões serão baseadas na meritocracia, no que é melhor para o futuro. Nesse processo, o funcionário de uma empresa não será melhor do que o da outra", disse.

Schalka também falou sobre a importância do acordo para o agronegócio do País e sobre como fica o endividamento da Suzano após o negócio.

Leia a entrevista:

 

O que a união de Fibria e Suzano representa para o País?

Walter Schalka - O setor de agronegócio dá orgulho imenso para o Brasil e mostra que temos coisas positivas acontecendo no País. A união de Fibria e Suzano mostra que é possível que empresas brasileiras sejam competitivas em nível global.

 

Existe riscos de reprovação por órgãos como o Cade?

Schalka - Vamos fazer consultas não só ao Cade, mas também a órgãos reguladores de outros países, seguiremos tudo à risca. Mas entendemos que a celulose é uma commodity, regulada pelos ciclos de preços internacionais, e por isso o negócio não precisaria dos remédios que geralmente são aplicados em fusões para evitar danos à concorrência. Fizemos uma operação absolutamente limpa em todos os aspectos, com todos os acionistas da Fibria recebendo o mesmo valor.

 

Quais são as oportunidades de economias com o negócio?

Schalka - Suzano e Fibria têm várias oportunidades de sinergia, especialmente na área florestal, na de suprimentos e logística internacional. Claro que também há oportunidades de sinergia em despesas gerais e administrativas. Mas todas as decisões serão baseadas na meritocracia, no que é melhor para o futuro. Nesse processo, o funcionário de uma empresa não será melhor do que o da outra.

 

A empresa funcionará com uma nova marca?

Schalka - Ainda não discutimos isso, pois estávamos focados em fazer o processo (de união dos negócios) acontecer. Por motivos tributários, as duas empresas serão mantidas separadas, por enquanto. Ainda não decidimos o nome de fantasia.

 

A fusão afeta o projeto de produção de industrializados da Suzano, lançado recentemente?

Schalka - Não, o projeto de industrializados continua. Não muda nada para o projeto de produtos de consumo nem para o de papel.

 

Como fica o endividamento com a empresa após o empréstimo para pagar a aquisição de Fibria?

Schalka - Nossa política financeira é manter nossa alavancagem entre 2 e 3 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). Em períodos de investimento como esse, podemos chegar a 3,5 vezes o Ebitda. Já mostramos que, ao fim do ano, mesmo com um investimento deste tamanho, já estaremos no patamar desejado. É natural que, nos próximos anos, sejamos mais conservadores em investimentos por essa razão. Mas vale lembrar que, no passado, a alavancagem já foi muito maior, de 5,2 vezes o Ebitda, quando lançamos o projeto de Imperatriz (MA) da Suzano.

 

IMAGEM: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo