Negócios

Dono da Leroy Merlin traz duas novas bandeiras para o Brasil


"Sempre tivemos uma visão de longo prazo no País", diz o diretor-geral da Leroy Merlin, Alain Ryckeboer. (foto), ao anunciar investimento superior a R$ 200 milhões para instalar Obramax e Zôdio


  Por Estadão Conteúdo 05 de Dezembro de 2017 às 09:00

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Mais conhecido pela rede de lojas de materiais de construção Leroy Merlin, há 20 anos no Brasil, o grupo francês Adeo decidiu aumentar a aposta no varejo brasileiro.

A companhia, 4ª maior no mundo no segmento 'faça você mesmo', decidiu trazer duas novas marcas para o Brasil: a Obramax, um atacarejo de materiais de construção para profissionais e pequenos lojistas, e a Zôdio, que reúne produtos e serviços ligados à vida de casa.

A primeira loja de atacarejo está prevista para 2018. Mas a Zôdio - que, segundo o grupo, traz um novo conceito de varejo, muito baseado em experiências, como cursos -abre as portas nesta terça-feira (5/11), na Marginal Tietê, em São Paulo, junto com nova unidade da Leroy Merlin.

No endereço, o grupo está investindo R$ 210 milhões para erguer o maior home center da companhia na América Latina.

"Sempre tivemos uma visão de longo prazo no País", diz o diretor-geral da Leroy Merlin, Alain Ryckeboer, para justificar os investimentos no momento em que a economia mal saiu da recessão.

Ele explica que o grupo está de olho no mercado potencial de 207 milhões de consumidores num setor onde a oferta é muito pulverizada: as maiores redes varejistas respondem por 15% das vendas de materiais de construção.

A decisão de construir uma loja com 20 mil metros quadrados, quase o dobro da que funcionava na Marginal Tietê até o último final de semana, foi tomada pela companhia por conta do grande aumento fluxo de clientes da região.

A grande movimentação transformou a unidade em uma das três maiores em vendas entre as 41 lojas da rede no País.

O executivo explica que a expansão será em duas etapas. A primeira, concluída agora, envolve uma área de vendas de 12 mil m². O projeto completo está previsto para agosto de 2018.

"Dentro dois ou três anos, estaremos faturando 50% a mais com essa nova loja em relação à atual." As vendas da Leroy devem passar de R$ 5 bilhões neste ano, com alta de 10%.

A nova loja terá mais de 100 mil itens e tecnologia de ponta. O cliente poderá ver como ficará o seu projeto com uso de recursos da realidade aumentada. Poderá ainda contratar serviços de mão de obra, muitas vezes um dos obstáculos para uma reforma.

EXPERIÊNCIA DE VAREJO

Imagine entrar numa loja como se estivesse chegando à sala da casa de um amigo e, de quebra, poder tomar um cafezinho "passado" na hora, aprender um novo ponto de tricô ou uma receita de bolo e até levar para casa um kit para fazer cerveja artesanal.

É exatamente essa a experiência que se tem ao chegar à loja da Zôdio.

A proposta da nova bandeira do grupo não é só vender produtos para casa, que são muitos - 18 mil -, mas atender às demandas dos clientes em diversos momentos da vida, ensinando como se faz muitas coisas, da culinária ao artesanato.

Na loja há até um espaço onde se pode fazer festas infantis, envolvendo as crianças no aprendizado de alguma atividade manual.

Gauthier Lenglart, diretor da varejista no Brasil, conta que, como na França, quando a rede foi implantada dez anos atrás, o caminho estratégico escolhido para se diferenciar dos concorrentes em produtos para a casa, foi oferecer as ferramentas para que cada consumidor tenha a casa com a sua própria cara.

"Durante dois anos visitamos a casa de 500 famílias no País e descobrimos que as brasileiras são mais artesanais do que as francesas. Também observamos que elas buscam uma renda extra com venda de bolos e artesanato, por exemplo."

Essas constatações junto com as informações captadas na comunidade da empresa, iniciada há um ano e meio e que tem 250 mil seguidores, municiaram o desenho da loja.

Lenglart não revela quanto foi investido e diz que a expansão dependerá do desempenho da primeira unidade. Ele espera ter cinco lojas físicas em quatro anos.

Mas, nesse período quer ter mil lojas virtuais na sua comunidade. Cada empreendedora que usa as matérias primas para confeccionar seus produtos poderá ter uma loja virtual hospedada na comunidade e indicar a Zôdio como fornecedora desses itens.

 

Reação. Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo, observa que desde maio o setor de materiais de construção está em recuperação. Mas aponta outros fatores para o avanço do grupo. "Essa arrancada é uma resposta à entrada do avanço da chilena Sodimac, dona da Dicico no Brasil."