Negócios

Dólar e Black Friday podem enfraquecer vendas de Natal


Estimativa da ACSP é de que o movimento apresente crescimento médio de até 3%. Outro levantamento da Boa Vista estima um acréscimo nominal de R$ 3,66 bilhões nas receitas do varejo


  Por Redação DC 10 de Dezembro de 2018 às 11:31

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A estimativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para as vendas de Natal em 2018 na capital paulista é de que o movimento apresente crescimento médio de 2% a 3%.

É um resultado mais fraco do que o do Natal de 2017, quando as vendas aumentaram 4,5% frente ao ano anterior.

“A economia está em marcha lenta. E a disparada do dólar que está perto dos R$ 4, sendo que em 2017 estava próximo de R$ 3 ? está pressionando o preço de produtos importados que compõem a cesta de final de ano, como bacalhau, vinho e eletrônicos”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Os eletrônicos também podem ser afetados pela antecipação de compras desses produtos na Black Friday. “Mas outros itens, especialmente brinquedos, roupas e artigos de uso pessoal devem ter desempenho melhor”, afirma Burti.

Por outro lado, o presidente da ACSP avalia que, “passado o período de incertezas eleitorais, a confiança do varejo e do consumidor está maior, o que pode até levar as vendas de Natal a terem resultado melhor do que o estimado”.

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DADOS DA BOA VISTA

Em um outro levantamento, a Boa Vista estima um acréscimo nominal de R$ 3,66 bilhões nas receitas do varejo e um aumento de 3,5% do volume de vendas em relação a 2017, crescimento ligeiramente inferior ao registrado no Natal do ano passado (4,2%).

Segundo os economistas da Boa Vista, a expectativa de crescimento é justificada, entre outros fatores, pelas condições favoráveis do mercado de crédito.

Diante inadimplência baixa, os bancos vêm se mostrando cada vez mais dispostos a aumentar a oferta de empréstimos. Já por parte dos consumidores, as taxas de juros menores e a melhora da confiança nos últimos meses vêm elevando a demanda por crédito.

Por outro lado, o elevado nível de desemprego e o fraco crescimento da renda impedem um crescimento ainda mais expressivo das vendas.

Os economistas ponderam que a projeção de crescimento menor do que o registrado na Black Friday, quando as vendas apresentaram alta de 4,7%, não sugere enfraquecimento do movimento do comércio. Eles ressaltam que o Natal é uma data já consolidada no varejo, enquanto a Black Friday vem ganhando relevância ano após ano.

Ainda de acordo com a Boa Vista, 83% dos consumidores brasileiros pretendem ir às compras no Natal de 2018, o que representa um universo de 119,3 milhões de pessoas, que devem movimentar, somente no varejo, a cifra de R$ 57,6 bilhões, valor que representa 32,3% das receitas do varejo de dezembro e 3,7% das receitas do varejo de todo o ano.

É o que mostram as estimativas da Boa Vista elaboradas a partir dos dados da Pesquisa Anual do Comércio do IBGE, da Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, das estimativas populacionais do IBGE e da pesquisa com consumidores sobre os hábitos de consumo no Natal e Fim de ano realizada pela própria Boa Vista.

 FOTO: Agência Brasil