Negócios

Dólar caro faz indústria substituir insumos importados


A participação de matérias-primas estrangeiras usadas pela indústria de transformação caiu de 24,8% para 24,5% nos últimos 12 meses terminados em junho, segundo a CNI


  Por Estadão Conteúdo 01 de Setembro de 2015 às 11:33

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Empresas brasileiras começam a intensificar ações de substituição de insumos importados pelos nacionais por causa da alta do dólar. A troca, ainda incipiente, tem sido forçada pela forte desvalorização do real, de 36,84% ao longo deste ano.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela indícios dessa substituição. No segundo trimestre, a participação dos insumos importados utilizados pela indústria de transformação foi de 24,5% no acumulado em 12 meses, uma queda ante o resultado do primeiro trimestre, de 24,8%.

"O movimento ainda é pequeno, mas essa troca é uma tendência e as empresas certamente vão tentar fazer essa substituição no futuro", afirma Renato da Fonseca, diretor de pesquisa e competitividade da CNI.

Por ora, é difícil apontar ter uma ideia de como vai ficar a taxa de câmbio daqui para a frente, mas a certeza de empresários e economistas é que este novo patamar do dólar é irreversível.

Os analistas consultados pelo Banco Central para a elaboração do boletim Focus esperam que o dólar encerre o ano cotado a R$ 3,50. Em 2016, a previsão é que chegue a R$ 3,60. Nesta segunda-feira (31/08), no entanto, a moeda americana fechou em R$ 3,6330.

Os dados da balança comercial também dão algumas mostras dessa substituição por causa da forte queda da importação de produtos manufaturados, embora boa parte desse recuo seja atribuída ao mau momento da economia brasileira.

Entre janeiro e julho, a compra de bens de capital pelo Brasil recuou 15,08%, na comparação com o mesmo período do ano passado. A importação de bens de consumo caiu 13,53%, e a de matérias-primas e produtos intermediários,15,45%.

"Na balança comercial, esse cenário ainda é pequeno. Mas deve se intensificar até 2016", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

TROCA

Além de insumos, o movimento de nacionalização ocorre com componentes e produtos acabados. A fabricante de autopeças ElringKlinger pretende reduzir de 50% para 30% o total de matérias primas e componentes importados usados em sua produção em até um ano e meio.

Neste ano, cerca de 10 a 12 itens já foram nacionalizados, entre os quais incertos de latão (espécie de porca de peça que envolve motores), que vinham da Tailândia, e peças em espuma, antes compradas na Alemanha.

"Antes, esses itens eram entre 15% e 20% mais baratos lá fora, agora, com a alta do dólar, é mais vantajoso comprar aqui, mesmo com os custos em reais subindo, como a conta de energia elétrica", diz Fernando Petrolino, presidente da ElringKlinger.

Além do preço mais em conta, o executivo ressalta a economia com a logística, o transporte e o armazenamento. Em 2015, as compras externas da empresa já caíram 10% em relação a 2014. Até o ano passado, 60% das matérias primas e peças usadas na produção vinham de fora.

Outro movimento registrado pela empresa, que tem fábrica em Piracicaba (SP), é o interesse de clientes, especialmente montadoras, de também comprar localmente itens hoje importados.

"Estamos sendo procurados por clientes para localizar peças que eles importam, como juntas de cabeçote", diz Petrolino. Em razão desse projeto, a empresa estuda ampliar o número de empregados, hoje em 320.

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